O Brasil é o 2º país latinoamericano com mais indicações aos principais prêmios do cinema, com 88 registros e 6 vitórias, revela levantamento inédito da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados. Com 91 nomeações e 8 troféus, o México fica no topo do ranking. Já a Argentina acumula 83 indicações e 7 ganhadores. Um mesmo filme pode ter sido vitorioso em mais de uma premiação analisada e contabilizado na lista de mais de um país nos casos de coprodução.
Foram analisados todos registros históricos disponíveis das seguintes premiações e categorias:
- Oscar – Melhor Filme Internacional;
- Bafta – Melhor filme em língua não inglesa;
- Globo de Ouro – Melhor filme em língua não inglesa;
- Palma de Ouro – prêmio máximo do Festival de Cannes;
- Leão de Ouro – prêmio máximo do Festival Internacional de Cinema de Veneza;
- Urso de Ouro – prêmio máximo do Festival Internacional de Cinema de Berlim.
A produção brasileira Ainda Estou Aqui (2024) levou o prêmio de Melhor Filme Internacional no Oscar 2025. Embora o país já tenha concorrido a estatuetas mais de vinte vezes, essa é a primeira vez que o Brasil traz o troféu para casa.
“Esse prêmio vai para uma mulher que depois de uma perda sob um regime autoritário decidiu não se curvar”, afirmou o diretor do longa, Walter Salles, em referência a Eunice Paiva, personagem principal da película. Ele também dedicou a vitória às duas atrizes que deram vida à Eunice, Fernanda Torres e Fernanda Montenegro.
Torres concorreu a Melhor Atriz pelo papel, mas o prêmio foi para Mikey Madison, por Anora. Em 1999, Montenegro, havia sido a primeira latino-americana indicada na mesma categoria pela atuação em Central do Brasil, mas também não foi agraciada. O filme brasileiro estava indicado ainda a melhor filme.
Ainda Estou Aqui, baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, publicado em 2015, Ainda Estou Aqui narra a prisão e desaparecimento de Rubens Paiva, pai do escritor, pelo regime militar, em 1971. O deputado com mandato cassado em 1964 é uma das principais vítimas da ditadura. O foco do longa-metragem é na história de Eunice Paiva em busca do marido e, mais tarde, pelo reconhecimento pelo Estado brasileiro de sua tortura e morte, declarada oficialmente em 1996. Além de concorrer ao Oscar, a obra foi indicada para o Bafta, Globo de Ouro e Leão de Ouro. Fernanda Torres venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama em janeiro e disputa o prêmio de Melhor Atriz no Oscar.
Vencedor do Bafta, do Globo de Ouro e do Urso de Ouro, Central do Brasil (1998), dirigido por Walter Salles, é o filme brasileiro mais premiado até hoje.
Central do Brasil (1988) é um dos filmes brasileiros mais premiados no exterior de toda a história. Ainda hoje, o filme emociona e mantém seu vigor. Não à toa, colecionou prêmios:
- Urso de Ouro de Melhor Filme: no Festival de Berlim
- Melhor Filme Estrangeiro: Globo de Ouro, International Press Academy, BAFTA, National Board of Review, Satellite Awards, Sapo de Ouro (Polônia) e Festival de Havana
- Melhor Atriz para Fernanda Montenegro: Urso de Prata (festival de Berlim), New York Film Criticss Circle Awards, Los Angeles Film Critics Association Award, Internaitonal Film Festival Fort Lauderdale, National Board of Review
- Prêmios Audiência e Júri Jovem: do Festival de San Sebastian, na Espanha
- Indicado ao Oscar nas categorias Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz: a primeira vez que um filme brasileiro recebeu duas indicações à premiação.
Além de mais premiado, Central do Brasil é também o longa-metragem brasileiro com mais indicações, empatado com Ainda Estou Aqui, ambos com 4 indicações cada e com o mesmo diretor. Abril Despedaçado, também de Walter Salles, aparece com 3 nomeações, assim como Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.
Tropa de Elite, de José Padilha, venceu o Urso de Ouro em 1998.
E essa foi uma decisão que praticamente dividiu as opiniões entre público e crítica – e, claro, o próprio júri. Segundo o jornal Neue Zürcher Zeitung, “Nenhum filme no festival polarizou e desafiou tanto quanto Tropa de Elite – uma representação radical dos métodos brutais da polícia nas favelas do Rio de Janeiro. Foi uma decisão corajosa e acertada do júri. Uma decisão que deu o que falar e isso vale ouro”.
Do mesmo diretor, Walter Salles, Diários de Motocicleta ganhou o Bafta de Melhor filme em língua não inglesa em 2005.
O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, a Palma de Ouro em 1962.
Ao todo, 77 longa-metragens brasileiros foram indicados para as 6 premiações analisadas. Na lista estão Bacurau, Carandiru, Eles Não Usam Black-Tie, Terra em Transe e Deus e o Diabo na Terra do Sol, dentre outros.
Com 6 obras na lista, Salles é o diretor brasileiro com mais indicações a essas premiações.
As únicas mulheres cineastas brasileiras indicadas são:
Patrícia Moran, diretora de Plano Sequência, que concorreu ao Urso de Ouro em 2003;
Flávia Moraes, diretora de O brinco, indicado ao mesmo prêmio em 1990; e
Regina Jeha, por Curumins e Cunhantas, que concorreu à mesma premiação em 1982.
Roma é filme latino mais premiado
Dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón, Roma (2018) é o filme latinoamericano mais premiado, de acordo com o levantamento da Nexus, acumulando 4 troféus (Oscar, Globo de Ouro, Leão de Ouro e Bafta).
Em 2º lugar, está Central do Brasil e, em 3º, o argentino A História Oficial (1985), de Luis Puenzo, vencedor do Oscar e do Globo de Ouro.
Argentina e México são os únicos países latinos a ganharem o Oscar de Melhor Filme Internacional, além do Chile, vencedor em 2017 com Uma Mulher Fantástica, de Sebastián Lelio. A Argentina é o único país latino a conquistar esse título duas vezes, sendo a segunda em 2008, com O Segredo de seus Olhos, de Juan José Campanella.
Palma de Ouro lidera nomeações de filmes latinos
Dentro das 6 premiações analisadas, a Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes, iniciado em 1946, é a que mais acumula indicações de países latinos, somando 120 e 2 vencedores. Em segundo lugar, o Urso de Ouro, que teve início em 1951, contabiliza 78 nomeações e 3 vitoriosos. O Leão de Ouro soma 47 indicações e 2 vencedores, desde 1932.
Já o Bafta, iniciado em 1947, e o Globo de Ouro, que começou em 1944, são os que mais premiaram obras latinas. Foram 6 vitoriosos em cada premiação, sendo que no Bafta os longa-metragens desses países são 13 e no Globo de Ouro são 29. No Oscar, original de 1929, são 27 nomeações e 4 vencedores.
Metodologia
O levantamento foi feito com base nos sites oficiais dos festivais e no The Internet Movie Database (IMDb) no caso dos nomeados ao Leão de Ouro, uma vez que esses dados não estavam disponíveis no site oficial do Festival Internacional de Cinema de Veneza.


