segunda-feira, 27 de março de 2023

Cavalo Brasileiro de Hipismo

 O Brasileiro de Hipismo é uma raça de cavalos formada no Brasil com as mais importantes linhagens europeias de cavalos de salto e adestramento, tais como Hanoveriana, Holsteiner, Oldenburger, Trakehner, Westfalen e Sela Francês, através de cruzamento entre si ou com magníficos exemplares Puro Sangue Inglês da América do Sul.

Características

Cavalo leve, ágil e de grande porte, com altura superior a 1,65m, perímetro torácico de 1,90m e perímetro de canela de 21 cm. Cabeça média de perfil reto ou subconvexo, pescoço médio bem destacado do peito e espáduas, cernelha destacada, dorso bem ligado ao lombo e à garupa, membros fortes e andamentos briosos, relativamente elevados e extensos. Possuem excelente mecânica de salto, coragem, inteligência e elegância nos movimentos. São admitidas todas as pelagens.

Aptidões

Suas características o tornam apto para quaisquer modalidades de salto, adestramento ou concurso completo de equitação. É um cavalo de trote muito cômodo, ágil e esperto, muito dócil e fácil de lidar.
Animal com características de comportamento de coragem, inteligência e elegância.
São admitidas todas as pelagens, com destaque nas alazã, castanha, preta e tordilha.

Foram cavalos BH participantes nas conquistas das medalhas de bronze alcançadas pela Equipe Brasileira de Hipismo nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, e Sydney, em 2000. Além das três medalhas de ouro por equipe em Jogos Pan Americanos.

Associação Brasileira de Criadores de Cavalos de Hipismo

A Associação Brasileira de Criadores de Cavalo de Hipismo - ABCCH, nasceu da firme determinação de um grupo de amantes do hipismo que se uniram em torno de um ideal comum: criar e desenvolver uma raça de cavalos com aptidão para os esportes hípicos. Partindo de animais rigorosamente selecionados, já existentes no país, os fundadores definiram como Raças Formadoras, nacionais e estrangeiras, aquelas que comprovadamente eram reconhecidas como altamente dotadas para os esportes equestres.


© 2023: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 15/05/2023

segunda-feira, 20 de março de 2023

Exercícios de condicionamento de Cavalos Atletas

Os exercícios são divididos em gerais ou específicos.
Os gerais atingem o animal no seu todo. São realizados com a finalidade de trabalhar a musculatura no geral e também o sistema cárdio-respiratório.
Os específicos são dirigidos para fortalecer áreas debilitadas ou que necessitem atenção especial para uma determinada finalidade, sendo trabalhada cada região ou musculatura especificamente.
O principal trabalho é o da musculação, que a exemplo do ser humano, tem uma resposta mais rápida durante a fase de crescimento. Nos equinos a taxa de crescimento apresenta uma das curvas mais acentuadas, a partir dos 6 meses até os 20 meses, aproximadamente.
Daí em diante, o crescimento é mais lento, porem também mais tardio. Os cavalos somente atingem a maturidade plena – capacidade reprodutiva, desenvolvimento ósseo e muscular - entre os 5 e 6 anos de idade. Todavia, a partir dos 24 meses de idade, a maturidade óssea já terá atingido praticamente 90%, com respostas mais lentas aos exercícios de condicionamento físico. A altura adulta já estará praticamente completada entre os 3 e 4 anos de idade.
Figura 01 - Varas de salto alinhadas no chão.
Os exercícios de alta intensidade devem ser intercalados com os de baixa intensidade, a fim de preservar a integridade física do animal. Devem ser levados em conta fatores tais como a idade, o comportamento e o estado físico geral - condição anatômica, condição morfológica, peso, condição motora nos diversos tipos de andamentos e estado clínico.
Determinados exercícios não são indicados para animais muito novos, até um ano de idade, aproximadamente. Acima dos 18 meses, os animais já estarão aptos a suportarem uma carga maior de exercícios.
Quanto ao comportamento, cavalos mais ativos exigem exercícios mais prolongados e frequentes, enquanto cavalos linfáticos exigem exercícios de menor intensidade, intercalados por períodos maiores de descanso.
Figura 02 - Varas de salto em curvas e elevada do chão.
Quanto ao estado físico, se o animal apresenta alguma deficiência, ou vem de uma recuperação de afecção, o condicionamento deverá ser adaptado ao tipo de situação.
O segredo do sucesso é a progressividade, com base na escolha adequada dos tipos de exercícios e na persistência em intervalos regulares A meta é condicionar o cavalo tanto física quanto mentalmente. Para animais montados, uma regra básica é evitar os aumentos na velocidade dos andamentos simultaneamente aos aumentos na distância percorrida.
A ginástica feita com as varas de salto no chão, estimula a resposta proprioceptiva e melhora a resposta e elevação dos membros.
Figura 03 - Pista para exercícios de salto.
A individualidade é o melhor guia para a condução de programas de condicionamento e treinamento. São as reações do cavalo que orientam os procedimentos a serem tomados. Mais do que em qualquer outro esporte equestre, a pressa é a inimiga numero 1 no processo de preparação do cavalo atleta.
Do nascimento até a maturidade, as transformações estruturais (ossatura e musculatura) sofridas pelo cavalo são marcantes. Geralmente, todo cavalo é possuidor de uma ou mais deficiências, sendo essencial que sejam identificadas precocemente, para que possam ser corrigidas ao longo do programa de condicionamento físico.
Todos os animais devem ser trabalhados nos exercícios gerais, que são a guia de redondel, trabalho de sela nos andamentos naturais, exercícios em liberdade dirigidos, em uma pista. Para cada região do corpo e membros podem ser aplicados diferentes exercícios de condicionamento.

Tórax
Exercícios de solo, tipo guia de redondel e exercícios em liberdade. Subidas e descidas em um desnível íngreme fortalecem a musculatura. Um outro exercício, se possível, é a caminhada em leitos de rio, com água até a altura do tórax.

Costelas
Para forçar o arqueamento das costelas, recomenda-se caminhadas, puxando o animal ao trote, ou marcha.

Cernelha
Para fortalecimento da cernelha o melhor exercício é o salto, inicialmente sobre pneus deitados e, em seguida, sobre tambores deitados. O salto pode ser executado em trote, marcha ou galope, no redondel, com ajuda do cabresto, do charreteamento ou em liberdade. Mas cuidado, os excessos podem provocar afecções nos membros, principalmente quando o exercício é conduzido sobre terreno de areia fofa.

Dorso-lombo
Esta é uma região de fortalecimento a longo prazo. Os exercícios específicos são o salto e as transições de andamentos: passo/trote (ou marcha) e vice versa, passo/galope e vice-versa, galope/esbarro e vice-versa, e assim sucessivamente. O objetivo é desenvolver uma musculatura forte e uniforme, essencial para exteriorizar o potencial atlético desejável. Os exercícios em círculos alternando as mãos também fortalecem e alongam esta musculatura.

Garupa, nádegas, coxas, pernas e jarretes
Exercitar em caminhadas ( em marcha ou trote ) de uma hora em dias alternados. Animais jovens devem ser puxados ao cabresto. De preferência, o terreno deve ser ondulado, para forçar o trabalho de membros posteriores nas subidas. Outros exercícios específicos são o salto e o recuo, que deve ser efetuado corretamente, no charreteamento ou durante o trabalho de sela. Com a nuca flexionada, sem ultrapassar a linha de 90 graus entre o chão e o chanfro do cavalo, com a boca fechada, aumenta-se a velocidade do recuo, exigindo um maior engajamento de posteriores e impulsão.

Espáduas, braços, antebraços e joelhos
Os exercícios específicos como o salto e as caminhadas. Os exercícios gerais também desenvolvem rapidamente estas regiões. O objetivo é buscar o máximo de potência, com boa flexibilidade e elasticidade. Ginásticas usando cavaletes e pequenas alturas trabalham muito bem estas regiões, tanto nos anteriores quanto nos posteriores.

Sistemas respiratório e circulatório
São áreas de capacitação a longo prazo, dependendo dos aumentos da frequência e intensidade dos exercícios. Principalmente no caso da prática de enduros e concursos de marcha, torna-se essencial para as vitórias que o cavalo tenha uma boa resistência. O melhores exercícios são as longas cavalgadas, em andamentos cadenciados, cuidando sempre da hidratação do animal.

Fonte: Cavalo Atleta / http://www.cavalodosuldeminas.com.br/

© 2023: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 15/05/2023

Exercícios de aquecimento de Cavalos Atletas


Os 10 exercícios a seguir incluem opções para aumentar ou diminuir o nível de dificuldade e as habilidades necessárias, para que você possa personalizar cada exercício de acordo com o seu nível e o do seu cavalo. Para aumentar ainda mais o interesse, combine dois ou mais exercícios ou faça o seu próprio usando os recursos “não pare agora” no final. 
Para tirar o máximo proveito destes exercícios:
  • Certifique-se sempre de montar cada exercício, em ambas as direções.
  • Use a perna por dentro do mole para dobrar o cavalo em círculos e voltas, e a rédea por dentro da ponta do nariz dele no sentido da marcha. 
  • Use a perna de fora logo atrás da cilha, mais a rédea de fora contra o pescoço para fortalecer a curva. 
  • Use a perna sobre ou logo atrás da cilha e a rédea do mesmo lado contra o pescoço do cavalo para pedir movimento lateral.
  • Trabalhe para tornar suas sugestões o mais leve e sutil possível.
  • Olhe para a frente para onde você está indo (não para baixo em seu cavalo ou no chão).
1. Uma base 8
Como montá-lo: Faça um oito, usando a linha reta do centro (marcada com X) para curvar seu cavalo antes de seguir na nova direção.

Benefícios para você: melhora sua capacidade de dobrar seu cavalo, guiá-lo com precisão e mantê-lo reto entre as rédeas (“reto” em um círculo, ou seja, retido na curva do círculo).

Vantagens para o seu cavalo: incentive-o a dobrar-se igualmente em ambas as direções e fique atento à sua direção.

Dicas de sucesso: Concentre-se em manter seus círculos redondos e iguais em tamanho. Preste atenção à voz da rédea e da perna necessária para fazer a curva à direita. Adicione um cone no centro da arena para uma sugestão visual.

Mude: mantenha-o simples, aderindo a uma caminhada e corrida. Torne-o mais desafiador variando sua velocidade, alterando os tempos em X ou configurando-o em uma volta e alterando as direções em X.


2. Grande Círculo / Pequeno Círculo
Como configurar: Desça pelo lado comprido da sua arena, fazendo um pequeno círculo em um canto, depois um círculo maior no canto diagonalmente oposto.

Vantagens para você: Maior capacidade de dobrar seu cavalo em vários graus.

Vantagens para o seu cavalo: maior alimentação graças ao círculo menor; ensina-o a se equilibrar em círculos de tamanhos variados.

Dicas de sucesso: Escolha “marcos” ao redor da arena para ajudá-lo a circular no local certo para os círculos de tamanho correto.

Mudança: varie em quais curvas você monta os círculos pequenos e grandes. Torne-o mais desafiador variando sua velocidade ou saia do círculo grande e corra no pequeno.



3. Circuito B
Como montá-lo: Desça pelo lado comprido, virando a esquina como se fosse fazer um círculo, mas em vez disso incline para trás no trilho. Avance um ou dois passos no trilho, depois incline para trás e circule em direção ao seu ponto de partida.

Vantagens para você: Melhora a precisão ao dobrar e esticar o cavalo.

Vantagens para o seu cavalo: faz com que ele “ouça” em vez de presumir que está fechando o círculo; se dois o seguirem (consulte “Afastar-se”, abaixo), melhore sua flexibilidade lateral.

Dicas de sucesso: tente fazer com que cada extremidade do laço tenha o mesmo tamanho e formato.

Mude-o: mantenha-o simples, aderindo a uma caminhada e corrida. Torne-o mais desafiador montando-o em uma volta e mudando os leads diretamente para o centro. Aumente a aposta em qualquer marcha usando a perna de fora e controle o movimento do cavalo lateralmente de volta ao trilho em uma frente e lateral de duas pistas.

4. Serpentina
Como configurar: Faça uma série de S's conectados para frente e para trás em toda a largura da sua arena.

Vantagens para você: Obriga você a se concentrar em cada novo ponto de virada, mudando suas rédeas e faixas de perna a cada mudança de direção; realmente aguça suas habilidades de dobrar o cavalo.

Vantagens para o seu cavalo: Melhora a sua leveza e flexibilidade, inclina-se, muda de direção e ouve as suas sugestões.

Dicas de sucesso: tente fazer cada loop do mesmo tamanho e forma.

Mude: mantenha-o simples, fazendo apenas dois ou três loops. Aumente a aposta fazendo quatro ou cinco voltas mais próximas. Este exercício é muito desafiador, para o galope, onde você deve mudar repetidamente de direção em cada reta, ou pedir ao seu cavalo para contra-galope (galope na liderança “errada”) em todas as voltas.

5. Retângulo fora dos trilhos

Como montá-lo: em vez de ficar diretamente sobre o trilho, percorra um caminho paralelo de cerca de 8 a 10 pés no trilho.

Benefícios para você: Ensina a manter seu cavalo reto entre as rédeas - sem grade para guiá-lo ou apoiá-lo.

Vantagens para o seu cavalo: Ensina-o a confiar em seus trilhos, ao invés de “desacelerar” a amurada.

Dicas de sucesso: comece com uma caminhada, depois passe para uma corrida, trote e depois galope.

Mude: torne-o mais desafiador variando sua velocidade ao longo das retas.




6. Espiral

Como montar: Passe de fora de um círculo grande para o menor círculo possível em direção ao centro; em seguida, espiral de volta para fora.

Vantagens para você: Melhora sua noção espacial de círculos; melhor suas sugestões de lado.

Vantagens para o seu cavalo: Melhora a sua flexão e recolha, bem como a sua capacidade de resposta à perna de fora e ao controlo (a espiral interna) e à perna de dentro e ao controlo (a espiral exterior); mantém você flexível e flexível e comprometido com as costas.

Dicas de sucesso: Concentre-se em manter uma velocidade constante.

Câmbio: Este é um desafio em qualquer marcha; fique em uma caminhada até pegar o jeito, antes de tentar correr ou galopar.

7. Longas Serpentinas
Como montá-lo: Adicione uma bandeira no comprimento da arena em vez da largura total. Em X, “faça alguma coisa” - pare; realizar uma manobra (passo lateral, pivô e ré, o que você escolher); ou sinalizando uma mudança de derivação. Em seguida, continue descendo o restante da linha central, virando a pista na direção oposta.

Vantagens para você: Dá trabalho para manter o cavalo em linha reta no centro da arena, antes e depois da manobra X.

Vantagens para o seu cavalo: melhora suas habilidades de flexão, deslocamento em linha reta e transição.

Dicas de sucesso: adicione uma postagem no centro de uma sugestão visual.

Mude-o: mantenha-o fácil com uma parada simples ou X-shift. Torne-o mais desafiador variando sua velocidade e/ou realizando mudanças de liderança no centro da arena.


8. Construtor de Cadência
Como montá-lo: Cavalgando, aumente a velocidade em cada lado longo da arena; desacelere e acomode-se nos lados curtos.

Vantagens para você: Ajuda você a aprender a aumentar e diminuir a velocidade suavemente e incentiva seu cavalo a se recuperar.

Vantagens para o seu cavalo: Ensina a aumentar/diminuir a velocidade sem emoção; ajuda a desenvolver os músculos que ele precisa para a coleta.

Dicas de sucesso: estabilize seu cavalo pouco antes da desaceleração nas curvas.

Mude-o: mantenha-o simples, aderindo a uma caminhada e corrida. Torne-o mais desafiador cavalgando em um galope ou galopando pelos lados longos e trotando nas pontas.



9. Transição
Como montá-lo: Trabalhe no trilho, rastreando as transições de marcha no ponto médio de cada trilho imediatamente. Por exemplo, comece uma caminhada; no primeiro X vá correr; no próximo X volte a caminhar; e assim por diante. Ou faça-o andar, correr, galopar, andar ou como quiser.

Vantagens para você: Ajuda a suavizar suas transições para cima e para baixo, além de aumentar seu controle total.

Vantagens para o seu cavalo: Mantém o foco; melhorar sua coleção; construa seus músculos traseiros.

Dicas de sucesso: Faça anotações planejadas dos pontos de transição antes de começar, para que possa começar a preparar uma ou duas etapas antes de cada X; adicione marcadores visuais, se necessário.

Mude: torne-o mais desafiador trabalhando em tempos mais rápidos ou pedindo paradas completas em alguns dos Xs.


10. Círculo quadrado
Como montar: Pense em um quadrado com cantos arredondados. Caminhe direto para cada canto, dobre seu cavalo na curva e, em seguida, realinhe-o para a próxima reta.

Vantagens para você: mais desafiador do que andar em círculo, ele mantém você pensando e realmente andando.

Vantagens para o seu cavalo: Ajuda-o a compreender a diferença entre curvar-se e deslocar-se em linha reta.

Dicas de sucesso: adicione uma postagem em cada canto para uma sugestão visual.

Mudança: Facilite mantendo uma caminhada ou corrida e/ou estendendo sua curva em cada esquina. Torne-o mais desafiador trabalhando em um loop e/ou fazendo as curvas um pouco mais apertadas.

© 2023: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 15/05/2023

segunda-feira, 6 de março de 2023

Adestramento no hipismo - Escolas com reconhecimento mundial

O adestramento (em francês, dressage, derivada do verbo dresser, que significa "treinar"), também chamado "Ensino de competição", é uma das três modalidades equestres olímpicas, regulada pela Federação Equestre Internacional (FEI). O objetivo geral da dressage é auxiliar o cavalo a desenvolver, através de diversos exercícios, a capacidade de executar todos os seus movimentos naturais, tornando-o um animal flexível, calmo, atento ao cavaleiro e, portanto, agradável de se montar.
Apresentação da Escola Espanhola
de Equitação de Viena
Partindo deste princípio, em tese todo cavalo de sela deveria receber tal treinamento, mesmo em nível básico. Os cavalos destinados à competição necessitam, porém, de treinamento avançado, que é realizado em escolas, do iniciante ao Grand Prix (Grande Prêmio).
Animais que atingem tal nível de treinamento devem dar a impressão de "flutuar" pela pista sem o auxílio do seu cavaleiro, com os movimentos mais complexos realizados sem esforço aparente. Por isso, a modalidade é muitas vezes conhecida como "Ballet Equino".
As origens da dressage se encontram nos escritos de Xenofonte, da Grécia Antiga, que pregava o treinamento dos cavalos sem violência e seguindo sua movimentação natural. Não se sabe se os célebres cavaleiros da Idade Média seguiam seus métodos, embora isso seja provável - as evidências de manuscritos onde há instruções detalhadas para o combate montado sugerem uma movimentação de caráter fluido e natural.
Apresentação da Escola
Nacional de Equitação
de Saumur
Durante o Renascimento europeu, os princípios gregos de Xenofonte foram revividos e a Equitação Clássica se tornou um dos principais passatempos dos reis e nobres. Estes passaram, então, a criar cavalos que possuíssem maior facilidade de executar os movimentos deles exigidos e desenvolver embocaduras e selas mais adequadas à modalidade. Até hoje, os cavalos da Escola Espanhola de Equitação de Viena, na Austria, Escola Nacional de Equitação de Saumur, na França e a Escola Portuguesa de Arte Equestre, considerada igual que a escola de Viena as escolas mais tradicionais ou clássicas na pratica a nível mundial, são treinados de acordo com tais ensinamentos e apresentados com equipamentos idênticos aos da época.

A Escola de Equitação Espanhola (Spanische Hofreitschele) fundada em 1572 pelos Habsburgos, cria e treina cavalos vindos da Espanha. Hoje são realizadas apresentações de 80 minutos no edifício conhecido como Escola de Inverno de Equitação.  O espetáculo equestre é realizado por espécies Lipizzaner, um cruzamento de cavalos árabes, bérberes e espanhóis. Os cavalos levam este nome por causa do haras em Lipizza, na Eslovênia. Os cavalos saem da Escola Espanhola de Equitação e treinam durante oito anos para poderem atuar. Um show Lipizzaner é bastante impressionante. Estes graciosos garanhões executam um balé equino durante uma seleção de músicas clássicas enquanto os lustres brilham logo acima.

Apresentação da Escola
Portuguesa de Arte Equestre
A cidade de Saumur é conhecida e reconhecida pelo famoso Cadre Noir, verdadeira referência no mundo da equitação. Trata-se de um corpo de cavaleiros de elite franceses, instrutores na École Nationale d’Équitation. Com uma herança de prestígio, a École Nationale d’Équitation formou-se a partir do Cadre Noir de Saumur, em 1972. Como verdadeiros guardiões da equitação francesa, os cavaleiros do Cadre Noir que formam o corpo docente transmitem seu conhecimento ancestral. Inclusive, esses conhecimentos são reconhecidos, desde 2011, pela Unesco como patrimônio imaterial da humanidade.

A Escola Portuguesa de Arte Equestre proporciona uma experiência fantástica de volta ao passado. Essa escola está localizada nos jardins do Palácio Nacional de Queluz e faz apresentações impecáveis que deixam os espectadores perplexos, tamanho traquejo e delicadeza de cada formação e da intimidade ente cavaleiro e cavalo. Considerada Patrimônio Cultural, tem como objetivo, além de manter a tradição, divulgar e ensinar novos adeptos e assim perpetuar essa, que é uma das principais tradições culturais portuguesas. Além do tratamento, treinamento e ensino, a Escola Portuguesa de Arte Equestre adquiriu o acervo da Biblioteca de Arte Equestre de D. Diogo de Bragança, quando do seu falecimento em 2012. D. Diogo, cavaleiro de primeira linha, colecionou e publicou inúmeros estudos sobre a Arte Equestre. Além de obras de vários autores, a biblioteca conta com um acervo de manuscritos, gravuras e livros do século XVI até o século XX.

© 2023: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 15/05/2023

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

A ação das pernas no comando do cavalo

As ajudas são as maneiras com as quais nós nos comunicamos com o cavalo. As ajudas “naturais” são aquelas utilizadas pelos cavaleiros sob o cavalo sem qualquer intervenção. E as pernas são os meios mais comuns que temos para nos comunicar com eles. Todos os cavaleiros usam as pernas para passar mensagens. No sentido comum, as pernas  costumam significar avançar, ir mais rápido ou mudar de andadura.
Felizmente, existem muitos outros usos para os comandos feitos com as perna. Usá-los para dizer “VAI” é importante quando você é um cavaleiro iniciante e está começando a aprender como funcionam as várias ajudas. No entanto, à medida que você desenvolve suas habilidades, as ajudas evoluem e se tornam menos intrusiva e mais específicas. Em vez de usar as pernas apenas para que o cavalo ande mais rápido ou faça uma transição de andadura, vamos descobrir outras mensagens que podem ser dadas com comandos de pernas mais sofisticados.
Embora existam muitas variações de como usar a ajuda das pernas, vamos abordar o seu propósito neste artigo. Contudo, é importante lembrar que as outras ajudas (peso do corpo, mãos, assento) devem ser utilizados juntamente com as pernas para todos os movimentos. Mas aqui vamos analisar apenas as pernas.
O que as ajudas de perna não significam necessariamente:
a) Mudança de andadura: Os cavaleiros são ensinados desde cedo que as pernas devem ser posicionadas de maneiras especificas para indicar a mudança de andadura. Embora este seja um método eficaz para comunicar as transições para o cavalo, os cavaleiros muitas vezes confundem a forma para pedir uma mudança de andadura com o uso da força das pernas. E logo, o cavalo aprende, “pernada forte = transição” e começa a mudar a andadura com qualquer uso de perna.
Inicialmente, pode até parecer que uma mudança rápida de andadura é desejável, mas no entanto, você acaba tirando a sensibilidade do seu cavalo que não consegue mais reconhecer sutis e importantes comandos de perna. Para obter uma transição fluida é importante usar corretamente a ajuda das pernas, mas lembrando sempre de iniciar o movimento com o uso do assento.
b) Mudança da velocidade: é algo diferente da mudança de andadura tratada acima. Se o cavalo não pode mudar a andadura em resposta à perna, então certamente ele vai aumentar a velocidade dentro da mesma andadura! O problema é que ao permitir que o cavalo vá mais rápido, de repente você pode ampliar muito e sair do equilíbrio. A meia parada pode se tornar difícil de fazer e muitas vezes você acaba puxando o cavalo para abrandar e recuperar o equilíbrio. Mais uma vez é importante não apenas usar a perna mas também regular o tempo com o seu assento.
C) Dor: As pessoas geralmente pensam que é necessário dar pernadas fortes. Mas usar a perna de forma agressiva é injusto se estiver sendo usado para causar dor. Assim como qualquer outra ajuda, pernadas (e esporas) devem ser usadas como um método de comunicação e não para causar desconforto ou angústia ao cavalo.
Então, afinal, o que elas significam:
a) Vá (impulsão)!: O comando de perna diz ao cavalo para dar um passo mais profundo para debaixo do corpo com as patas traseiras. Pode haver ou não uma mudança de andadura envolvida. No entanto, a intensidade da perna não deve mudar, e nem a alteração da andadura deve ser iniciada apenas pelas pernas. As ajudas de pernas devem resultar em um efeito de reunião leve pelo cavaleiro ao cavalo, que  engaja a garupa e proporciona uma andadura mais forte e mais ativa. Isso é bom!
b) Alcance ao bridão (flexão longitudinal): As duas pernas podem encorajar um cavalo a levantar as costas. Junto com a impulsão, o cavalo pode aprender a permitir que a energia vá além da linha superior. Então o movimento levanta, arredonda e, portanto, permite que o cavalo vá para frente e alcance o bridão.
c) Curvatura (flexão lateral):  A ajuda da perna permite que o cavalo dobre “através” da caixa torácica. O espaço que é criado por um deslocamento lateral das costelas permite que o cavalo traga a pata traseira interior mais para baixo do corpo. Isto é muito útil para o cavalo se equilibrar melhor nas voltas e cantos.
d) Movimento lateral: A ajuda de perna é fundamental para pedir ao cavalo para fazer um movimento de forma lateral. Estas ajudas de perna são usadas para movimentos tais como passagem, meia passagem e passagem completa. Tenha em mente que as pernas são apenas uma parte do processo de comunicação global que vai ajudar o cavalo. Se nós formos claros em porque nós usamos ajudas da perna, o “como” torna-se mais fácil e faz mais sentido.

© 2023: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 15/05/2023

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

A ação das rédeas no comando do cavalo

Ajudas são os meios de que o cavaleiro dispõe para impor sua vontade ao cavalo. Basicamente, existem 03 (três) ajudas naturais que podem ser reforçadas pelas ajudas artificiais.
a - PERNAS: servem para impulsionar o cavalo. São o acelerador do animal; sua ação pode ser reforçada pelo emprego simultâneo da espora, chicote e/ou estalos de língua. Não existe equitação sem impulsão (vontade de mover-se para a frente). Logo, um cavalo que não atenda às indicações das pernas, será eternamente uma fonte inesgotável de problemas.
b - MÃOS: servem para direcionar a impulsão gerada pelas pernas. A ação das mãos suaves, elásticas e discretas distingue um bom ginete de um ginete medíocre.
c - PESO DO CORPO: em outros esportes tem importância capital na obtenção de um melhor rendimento (motociclismo, ciclismo, atletismo, iatismo, surfe, turfe, etc...). Na equitação, embora tenha idêntica importância, seu emprego é relegado a plano secundário, e muitas vezes assistimos ginetes experientes cometerem erros elementares com relação ao posicionamento do peso de seu corpo sobre o cavalo. Com o movimento do corpo, podemos facilitar a tomada pelo animal de determinados movimentos, mediante a sobrecarga ou alívio de nosso peso sobre a massa do cavalo.
d - AJUDAS ARTIFICIAIS: enredeamentos especiais: rédea fixa, rédea Chambon, rédea Thiedmann, rédea alemã e a rédea Colbert, por exemplo. Servem, quando bem utilizadas, para abreviar a duração de um trabalho específico para a obtenção de um determinado objetivo.

EFEITOS DE RÉDEAS
"As rédeas atuam por intermédio da mão do cavaleiro. Este deve ter o máximo cuidado em não surpreender o cavalo e empregar as rédeas sem prejudicar nem corrigir a ação das pernas. São cinco seus efeitos (...)"
PRIMEIRO EFEITO : Rédea direta de Abertura

Ações do cavaleiro: A mão direita desloca-se para direita e para frente com o braço estendido e a palma da mão voltada para cima; A mão esquerda é reguladora, inicialmente cede e depois regula; As pernas são aplicadas na posição normal e agem por batidas, limitando-se a gerar e manter a impulsão; O assento é levado ligeiramente para a direita.
Efeitos sobre o cavalo: Cabeça: volve levemente para a direita; Focinho: volve levemente para a direita; Pescoço: encurva-se à direita; Espáduas: a direita é levemente sobrecarregada; Garupa: nenhum efeito sobre a garupa.
Resultado: A rédea direita de abertura, leva o peso do pescoço para a espádua direita sem fazer oposição às ancas, que seguem a direção tomada pelas primeiras. O cavalo volverá à direita, avançando.


SEGUNDO EFEITO : Rédea direta de oposição ("mestra da garupa")

Ações do cavaleiro: A mão direita age paralelamente ao eixo longitudinal do cavalo, da frente para trás e para cima. A mão esquerda é reguladora; A perna direita, da posição é aplicada na posição atrás e age por pressão, para impelir a garupa para a esquerda; A perna esquerda, da impulsão, é aplicada na posição normal e age por batidas para gerar a impulsão; O assento é levado para a direita.
Efeitos sobre o cavalo: Cabeça: inicialmente volve à direita e depois para trás; Focinho: volve à direita e depois para trás; Pescoço: inteiramente curvado à direita; 
Espáduas: direita muito fortemente sobrecarregada; Garupa: impelida para a esquerda.
Resultado: A rédea direita direta de oposição encurva o pescoço à direita, levando seu peso sobre a espádua direita para fazer oposição às ancas e impeli-las à esquerda. Em consequência, as espáduas vão para a direita, a garupa para a esquerda e o cavalo volve para a direita.

TERCEIRO EFEITO : Rédea Contrária

Ações do cavaleiro: A mão direita age para a esquerda e para frente; A mão esquerda é reguladora; As pernas agem igualmente na posição normal, por batidas gerando a impulsão; O assento é levado para a esquerda.
Efeitos sobre o cavalo: Cabeça: volve para a direita e a nuca para a esquerda; Focinho: volve para a direita, para trás e para baixo; Pescoço: curva-se, levemente, para a direita; Espáduas: esquerda, levemente, sobrecarregada; Garupa: não sofre nenhum efeito.
Resultado: A rédea direita contrária faz inclinar a nuca para a esquerda, e põe o peso do pescoço sobre a espádua esquerda, sem fazer oposição às ancas. O cavalo volve para a esquerda.


QUARTO EFEITO : Rédea contrária de oposição na frente das espáduas ("mestra das espáduas)

Ações do cavaleiro: A mão direita age à esquerda e para trás, a frente das espáduas; A mão esquerda é reguladora; A perna direita é aplicada na posição normal, por batidas, gerando a impulsão; A perna esquerda atua na posição atrás, por pressão, impelindo a garupa para a direita; O assento é levado para a esquerda.
Efeitos sobre o cavalo: Cabeça: volve para a direita e depois para trás; Focinho: volve para direita e depois para trás; Pescoço: curva-se bastante para a direita; Espáduas: esquerda muito fortemente sobrecarregada; Garupa: impelida para direita por oposição às espáduas; O peso é transportado para trás, sobrecarregando a lateral esquerda.
Resultado: A rédea direita contrária de oposição na frente das espáduas, encurva o pescoço à direita, pondo o seu peso sobre a espádua esquerda e desloca as ancas para a direita, em consequência da oposição das espáduas às ancas. O cavalo volve para a esquerda.

QUINTO EFEITO : Rédea contrária de oposição atrás das espáduas ( "mestra da massa")

Ações do cavaleiro: A mão esquerda é reguladora; A perna direita é aplicada na posição atrás, por pressão, impelindo a garupa para a esquerda;- A perna esquerda, atua na posição normal, por batidas, gerando a impulsão; O assento é levado para a esquerda, no sentido do movimento .
Efeitos sobre o cavalo: Cabeça: volve para a direita e depois para trás; Focinho: volve para a direita e depois para trás; Pescoço: curva-se para a direita; Espáduas: esquerda muito sobrecarregada; Garupa: impelida para a esquerda, sobrecarregando o posterior esquerda.
Resultado: A rédea direita contrária de oposição atrás das espáduas, encurva o pescoço à direita e coloca o seu peso sobre a espádua e a anca esquerda, deslocando, quando o cavalo está em movimento, toda a massa para a frente e à esquerda pela oposição da cabeça e pescoço às espáduas e às ancas
.
O Manual Equitação da Federação Paulista de Hipismo está disponível em: 22_01_01 Manual Equitação da Federação Paulista de Hipismo.
© 2023: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 15/05/2023

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

A escala de treinamento do cavalo: ritmo, descontração, contato, impulsão, retidão e reunião

 A escala de treinamento é um sistema de formação para cavalos de todas as raças mundialmente aceito. O sistema foi desenvolvido ao longo de séculos, compilando experiências, pensamentos e ideias de grandes mestres internacionais.
A escala descreve sistematicamente um sistema para treinamento de um cavalo jovem bem como já formado, apontando importantes preceitos que devem ser aplicados e respeitados independentemente da modalidade esportiva.
O sistema desenvolve a força, mobilidade e resistência do cavalo visando torná- lo relaxado e obediente aceitando as ajudas do cavaleiro sem forçá-lo a nada.
A escala se resume em seis pontos: ritmo, descontração, contato, impulsão, retidão e reunião. Se o ritmo ou a descontração devem vir em primeiro lugar pode ser controverso. Caso o cavalo tenha um temperamento muito genioso faz sentido priorizar a descontração uma vez que ele precisa primeiramente relaxar para se movimentar no ritmo adequado em cada uma das andaduras: passo, trote e galope.
Nenhum dos seis pontos da escala de treinamento pode ser considerado isoladamente e o cavaleiro deve respeitar as aptidões individuais de seu cavalo adaptando-as ao esquema de treinamento.
No Adestramento, o cumprimento da escala é imprescindível. Porém também nas modalidades Salto e Concurso Completo de Equitação, o cavalo deve experimentar um trabalho de base e formação sistemático, desenvolvendo suas aptidões físicas e esportivas aceitando as ajudas do cavaleiro de modo natural, harmônico e sem uso da força, o que ao mesmo tempo favorece sua saúde e tempo de atividade no esporte.

RITMO
O ritmo é a regularidade das passadas em todas as andaduras e sequencia correta e regular das batidas de cada um dos membros no passo, trote e galope. O tempo é a velocidade do ritmo.
Lembrete: isso significa que a cada passo o cavalo precisa cobrir o mesmo terreno (espaço) e, ao mesmo tempo, não deve hesitar nem se precipitar (acelerar). O ritmo deve ser igualmente preservado nas variações das andaduras (trabalho, médio, alongado e reunido) tanto em linhas retas como nas linhas curvas, transições e mudanças de direção. Nenhum exercício pode ser considerado se há perda de ritmo.
A destacar que deve se respeitar o ritmo de cada uma das andaduras: no passo (4 tempos), trote (2 tempos) e galope (3 tempos). 

DESCONTRAÇÃO
A descontração engloba o estado físico mas também mental do cavalo e deve, junto com o ritmo, ser o principal objetivo na iniciação do cavalo. O ritmo das andaduras só está correto se executado com descontração e oscilação do dorso em que os músculos se contraem e descontraem com naturalidade e aceitando as ajudas do cavaleiro.
Sinais que apontam para descontração interna e externa
  • Expressão calma e sem ansiedade;
  • A habilidade de alongar e descontrair a musculatura de forma suave e fluente;
  • Boca fechada, suave mastigação da embocadura e contato elástico;
  • Oscilação do dorso e sustentação da cauda relaxada e oscilando com o movimento;
  • Respiração rítmica mostrando que o cavalo está física e mentalmente relaxado.
Lembrete: A descontração é alcançada quando o cavalo está preparado a esticar o pescoço para frente e para baixo nas três andaduras. O cavalo se movimenta oscilando o dorso e com andaduras naturais e ritmadas para frente sem se precipitar. O cavaleiro consegue empregar a pressão das pernas e fazer uso do assento/sentar com suavidade.

CONTATO
Contato é a conexão permanente entre a mão do cavaleiro e boca do cavalo, em que cavalo está com a nuca descontraída e aceita as indicações das rédeas do cavaleiro. O cavalo com sua movimentação descontraída, ritmada e para frente, pela qual o cavaleiro é responsável com emprego de suas ajudas, deve procurar encostar na embocadura e com isso “estar na mão” do cavalo.
Também costuma-se dizer: “o cavalo busca o contato que, por sua vez, é permitido pelo cavaleiro”.
Lembrete: O contato nunca deve ser alcançado puxando para trás (ou recuando) o cavalo, mas o resultado do movimento impulsionado de modo correto, de trás para frente. É imprescindível que a nuca seja sempre o ponto mais alto do cavalo, exceto no exercício de alongamento do pescoço para frente e para baixo.
Um cavalo está na mão quando o pescoço se posiciona elevado e arredondado conforme o estágio de seu treinamento e aceita a embocadura em contato leve e consistente. A cabeça deve se manter em atitude fixa, com o chanfro ligeiramente à frente da vertical, nuca flexível e o ponto mais alto do pescoço, sem resistência.
É necessário evitar que cavalos jovens em formação bem como em estágios mais avançados sejam precipitadamente colocados “na mão” durante a fase de descontração. O uso excessivo e antecipado da mão prejudica a descontração, a atividade dos posteriores e o objetivo geral da escala de treinamento.]

IMPULSÃO
A impulsão é consequência da atividade enérgica dos posteriores que se reflete na desejada movimentação para frente do cavalo. Um cavalo impulsionado anda com os posteriores ativos e membros avançando bem durante a fase suspensão (trote e galope) sem precipitação. (O passo não tem tempo de suspensão e, por isso, não pode se falar em impulsão, mas em atividade). O cavalo deve estar descontraído, a musculatura dorsal oscilando e em contato correto e suave com a mão do cavaleiro.
A musculatura dorsal absorve o movimento e o cavaleiro, sintonizado com a movimentação, consegue sentar confortavelmente. O cavaleiro deve sentir a impulsão dos posteriores de trás para frente. Também costuma-se dizer: “o cavalo leva o cavaleiro consigo.”
Lembrete: O desenvolvimento e apri- moramento da impulsão é fundamen- tal para criar o desejo de avançar e desenvolver a força dos posteriores para sustentação. A impulsão também é pré-requisito para a retidão e reunião do cavalo.
Não deve se confundir impulsão com aumento de velocidade. Se o cavalo for montado de modo precipitado, a fase de suspensão é prejudicada. A movimentação acelerada pode até manter o ritmo, mas altera o tempo e a impulsão é prejudicada.

RETIDÃO
Um cavalo está reto quando os posteriores e anteriores estão alinhados na mesma pista, o que significa que os posteriores andam na mesma trilha dos anteriores (marcadas pelas pegadas dos cascos). O mesmo posicionamento vale em linhas curvas e retas.
A retidão presume a distribuição igualitária do corpo do cavalo (direita e esquerda) e é alcançada com exercícios consequentes de ambos os lados. A maioria dos cavalos tem um lado mais fácil que o outro de nascença, assim como nos humanos canhotos e destros.
A posição do cavalo deve ser reta para:
  • Distribuir o peso de modo igual de ambos os lados para prevenir possibilidades de lesão;
  • Ativação dos posteriores em direção ao centro de gravidade;
  • Corresponder às ajudas de modo relaxado e conectado;
  • Encostar no bridão com contato igual de ambos os lados;
  • Alcançar a reunião.
O cavalo reto é capaz de ser encurvado e flexionado igualmente para ambos os lados.
Lembrete: Em um cavalo reto a força da movimentação dos posteriores age inteiramente na direção do centro de gravidade. Por outro lado, somente assim as diversas ações/ajudas do cavaleiro agem corretamente e igualmente sobre ambos os posteriores.

REUNIÃO
A reunião é o último ponto da escala de treinamento. Para tanto, é necessário que o peso do cavalo incluindo do cavaleiro seja igualmente distribuído sobre os quatro membros. Os membros anteriores que por natureza carregam a maior parte do peso devem ser aliviados e os posteriores, que em primeira linha são responsáveis pelo movimento para frente, engajados e mais exigidos.
Na reunião os posteriores com maior engajamento e flexionamento dos curvilhões vêm de encontro ao centro de gravidade, aliviando os anteriores que por sua vez ganham leveza e liberdade de ação. O cavaleiro e quem vê o conjunto tem a sensação de que o cavalo se movimenta para cima / sentido ascendente. Na reunião a amplitude da andaduras diminui sem prejuízo do trabalho e atividade.
Lembrete: O cavalo por natureza carrega a maior parte de seu peso sobre os anteriores. Essa distribuição do peso acrescida ao do cavaleiro que se posiciona logo atrás das espáduas é ainda mais desfavorável e a busca em colocar o peso sob os posteriores é extremamente importante para a saúde do cavalo e qualidade de suas andaduras. Reunião na medida certa é invariavelmente vantajosa para os cavalos de todas as modalidades.
Sem dúvida é possível desenvolver a força de sustentação dos posteriores, com desenvolvimento da musculatura. O favorecimento da sustentação dos anteriores é muito limitado. Com boa sustentação de seu peso, o cavalo é, portanto, capaz de se movimentar de modo equilibrado e autossustentado.

CONEXÃO
Por conexão se entende a disponibilidade do cavalo ser capaz de aceitar as ajudas leves do cavaleiro como meias paradas e transições sem hesitação ou resistência. As indicações do assento, pernas e mãos do cavaleiro passando pela nuca, pescoço e dorso devem se refletir nos posteriores de modo descontraído sem causar qualquer tensão e bloqueio no corpo do cavalo.
Lembrete: A conexão se dá quando o cavalo, em ambas as mãos, reage de modo descontraído e submisso ao emprego das ajudas nas diversas andaduras, suas particularidades e movimentos.
Um cavalo que a qualquer momento pode ser reunido atingiu o mais alto grau de conexão (throughness).

Com as fontes: Federação Alemã – Formação base para o cavalo e cavaleiro (volume I), FEI Dressage Handbook, Regulamento de Adestramento CBH

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Como Domar Cavalos – O guia completo para iniciantes

Fig 01 - Redondel
Independente da técnica adotada para o treinamento dos equinos, é essencial ter um redondel para a doma de cavalos. Um redondel é um curral circular com piso batido de terra, areia, ou com grama. A cerca lateral de um redondel costuma ser feita com madeira, embora alguns criadores usam barras de ferro. O diâmetro desse curral pode variar bastante de acordo com o espaço disponível, e os recursos da fazenda. Entretanto, normalmente o diâmetro costuma ficar entre 12 até 35 metros. Ele é fundamental para a doma de cavalos pois proporciona um ambiente seguro para o trabalho com o animal. Tanto para o domador de cavalos, quanto para o cavalo que vai ser domado, independente da técnica adotada.

A razão dessa segurança é que o redondel não possui bordas nem cantos, permitindo uma movimentação mais livre. Ao mesmo tempo, reduz o espaço total em que o animal consegue se movimentar, facilitando o contato entre domador e cavalo. E claro, facilita a execução de exercícios e treinamentos durante o processo de doma do animal. Além disso, o redondel ainda possui outros benefícios como:
  • Incentiva o relaxamento do cavalo durante o processo de doma
  • Facilita a avaliação do cavalo e a evolução do animal nos treinos por parte do treinador de equinos
  • Ajuda a construir mais facilmente o relacionamento entre o cavalo e o domador.
Primeiros passos para domar um cavalo na técnica de equitação

Confira agora o passo a passo para conquistar a confiança e estabelecer um relacionamento entre você e seus equinos. E assim, entender exatamente como domar cavalos através do método 'Horsemanship".
  • A primeira etapa para o sucesso dessa técnica é conquistar a confiança do animal. Que será a base para favorecer e facilitar a doma do cavalo ao longo do processo. 
  • Para começar, o domador deve passar algum tempo com o cavalo todos os dias. No início, é bom que apenas fique perto dele e escove seu pelo. A escovação do pelo conecta o cavalo ao dono, fortalecendo o vínculo entre os dois. Deixe-o por perto enquanto você trabalha no pasto — assim, ele aprenderá a confiar em você.
  • Converse com ele e conforte-o sempre que ele se assustar com alguma coisa. Lembre-se do seguinte: Cavalos são considerados como presas na natureza, por isso se assustam com facilidade. Se seu cavalo não conviver com pessoas desde o nascimento, tenderá a ter medo delas.
Ainda que o cavalo ou potro seja jovem demais para ser treinado, você pode conviver com ele para ganhar sua confiança e acostumá-lo à presença de outras pessoas. Antes de começar o treinamento, passe um bom tempo junto do animal para ganhar sua confiança.

Depois de conquistada a confiança do cavalo, é hora de dar o próximo passo na doma pelo método Horsemanship. Que é o de garantir a segurança do domador durante o treinamento.

Cavalos são animais poderosos e podem ferir pessoas gravemente com facilidade. Por isso, sempre que estiver treinando e domando um animal, lembre-se de tomar algumas precauções para garantir sua segurança. Essas dicas abaixo vão te manter seguro:
  • Procure ficar dentro do campo de vista dele na maior parte do tempo.
  • Se não for possível ficar sempre no campo de visão do cavalo, corra a mão ao longo do corpo dele, a fim de que ele não perca a referência da sua posição
  • A posição mais segura para se estar é ao lado esquerdo, alinhado à orelha e perto da cabeça do cavalo. Nesse lugar, ele o enxergará facilmente.
  • Converse com o animal sempre que estiver fora do campo de vista dele. Isso ajuda o animal a conseguir saber onde você está.
  • Não passe por trás do cavalo e nem fique parado à frente da cabeça dele.
  • Não se ajoelhe e nem fique sentado perto do cavalo. Quando for necessário mexer nos cascos dele, curve-se para a frente em vez de se agachar.
Pronto, desse modo, você garante uma maior segurança durante todo o processo de doma do cavalo.

Domar um cavalo pode ser um processo demorado, e cada etapa tem de ser totalmente concluída antes de começar a próxima, necessita de muita paciência.
  • Cada novo comando que o cavalo aprende deve ter alguma relação com o anterior. De forma que ele consiga se adaptar a todo o conjunto de comandos que receberá ao ser montado e cavalgado, por exemplo. 
Lembre-se de que o objetivo do treinamento é fazer com que o animal fixe novos hábitos. De outro modo, o treinamento não será bem-sucedido, por isso, sempre mantenha em mente o seguinte:
  • Nunca desista: O cavalo aceitará certas etapas do treinamento melhor que outras. Quando se começa a treinar um cavalo, você está assumindo um compromisso enorme, então não importa os obstáculos, desistir não é opção. 
  • Encerre cada lição com sucesso: Termine cada sessão logo após um progresso, por menor que seja — como conseguir pôr o cabresto perto da cabeça do cavalo.
  • Nunca fique irritado com o cavalo: Jamais grite, agrida, atire objetos ou seja agressivo com o animal. Isso poderia assustá-lo e desfazer a confiança que você conquistou tão arduamente. Converse com o cavalo num tom de voz calmo e baixo. Se o cavalo desobedecer às suas ordens, corrija-o com calma, sem demonstrar agressividade. Faça um som de “shhh” para sinalizar ao animal que ele fez algo de errado.
  • Recompense cada sucesso: Dar reforços positivos, como petiscos e carinho, faz com que o cavalo o obedeça mais facilmente. Além de estimular que ele tenha um bom comportamento durante o seu processo de doma.

Reforços negativos, como um empurrão com os dedos ou um tapinha, também podem ser empregados em algumas situações. Desde que esses reforços negativos não deixem o cavalo assustado.
Se você estiver montado, pode puxar as rédeas ou pressionar o animal com as pernas levemente.
Jamais use reforços negativos que amedrontam ou causam dor. Além do mais, tais reforços devem ser constantes e firmes, nunca abruptos.
Mantenha o gesto negativo até que o cavalo se corrija e pare imediatamente após ele realizar o comando corretamente.

Treinando o cavalo para aceitar o cabresto
Depois de ganhar a confiança do cavalo, aprender as medidas de segurança e dar os primeiros passos no treinamento, é hora de avançar. E seguir para as próximas etapas de como domar cavalos com a técnica Horsemanship.

Habitue o animal às suas mãos

O primeiro passo para pôr o cabresto no cavalo é acostumá-lo a ter as mãos do dono em sua cabeça, orelhas e pescoço. Faça isso lentamente. Nunca saia do campo de vista do animal e não o assuste.
Eleve as mãos até ele lentamente — o cavalo se sentirá ameaçado se suas mãos se aproximarem muito rápido.
Repita esse procedimento até que você possa tocar o animal sem problemas.
Faça elogios sempre que o cavalo obtiver alguma melhora. Até as melhoras que parecem insignificantes, como conseguir aproximar a mão mais alguns centímetros do rosto do cavalo ou tocá-lo por alguns segundos, precisam ser elogiadas.
Ainda, mantenha o hábito positivo de recompensar cada sucesso do cavalo com petiscos.

Acostume o cavalo ao cabresto
No início, deixe o cavalo ver e farejar o cabresto nas suas mãos. Faça isso por alguns dias, com a intenção de que o cavalo reconheça que o objeto não é perigoso.
Depois, tente colocar cabresto sobre a cabeça e o focinho do animal, sem afivelá-lo. Quando, por fim, o cavalo parecer confortável assim, você poderá afivelar o cabresto.
Algumas tentativas podem ser necessárias até o cavalo permitir que o domador coloque o cabresto. Por isso, é importante manter a calma e a paciência com o animal, enquanto tenta progredir um pouco a cada dia.
Quando for possível prender o cabresto com facilidade, deixe ele na cabeça do cavalo por alguns dias.
Apresente as rédeas ao cavalo e coloque o freio e sua coroa
Comece a habituá-las juntamente com o cabresto, também colocando-as no rosto do animal.

Com muita delicadeza, tente fazer o cavalo abrir a boca para receber o freio.
Além das rédeas, o bicho também tem de se familiarizar com o freio.
Lentamente, coloque-o na boca do animal. No início, deixe-o lá por apenas alguns minutos, e vá aumentando esse período gradativamente.
Colocar melado no freio é um modo de estimular o cavalo a aceitá-lo e de tornar a experiência mais agradável para ele. Esse pequeno truque pode acelerar bastante o tempo que leva até o cavalo se acostumar com o freio.
Uma vez que o freio possa ser colocado sem resistência por parte do cavalo, coloque a coroa do freio. Não afivele as tiras por enquanto.
Acostume o cavalo ao novo objeto até que você possa afivelar as tiras. Lembre-se de que isso só deve acontecer depois que o animal deixar de estranhar a sensação da coroa em sua cabeça e orelhas.

Ensinando o cavalo a charretear

O charreteado é o processo em que o treinador conduz o cavalo por uma arena com a intenção de consolidar o domínio sobre ele. Também conhecido como doma de baixo, o charreteado permite ao treinador conduzir o cavalo por uma arena durante o treinamento.
No caso da doma de cavalos, o charreteio deve ser feito dentro do redondel preparado para o processo. Assim, fica mais fácil controlar a condução do cavalo enquanto ele está aprendendo os movimentos.
É importante evitar que o cavalo sinta desconforto ou dor por conta do cabresto. Pois se ele estiver desconfortável ou com dor, o animal pode começar ter medo de charretear.
E aí, a doma do cavalo fica estagnada, podendo ser comprometida por um tempo.
Existem algumas dicas que podem ajudar a evitar que o uso do cabresto seja desconfortável para o animal.
Uma delas é mover o corpo junto com o cavalo para que a tensão da corda seja sempre homogênea. Eventualmente, o animal vai se acostumar a ir para onde é guiado em vez de puxar a corda.

Charreteie o cavalo
Ao charretear o cavalo, faça com que ele siga uma trajetória circular com o maior raio possível. Já que um círculo pequeno poderia provocar lesões nas pernas, ligamentos e tendões do cavalo.
O diâmetro do círculo deve ser de, pelo menos, 18m. Por isso mesmo, é recomendado que o redondel tenha um diâmetro total um pouco maior que 20 metros.
Procure charretear o cavalo pelo menos uma vez ao dia, sempre usando a linguagem corporal para direcioná-lo e controlar sua velocidade.
Com o passar do tempo tente fazer com que o cavalo galope numa velocidade cada vez maior. Até que ele possa trotar apenas se guiando por seus comandos.
Se possível, pratique o exercício acompanhado de alguém experiente com cavalos. Peça a ele para ficar atrás ou perto de você. Sempre que o cavalo fechar o círculo, a pessoa deverá caminhar na direção dele até que ele retome a trajetória normal.
Nunca toque o animal durante o charreteado: todos os comandos devem ser dados através da corda e da linguagem corporal.
O charreteado é um exercício de confiança: a cada vez que o cavalo fizer o que se espera dele, interrompa o contato visual e diminua a pressão exercida nele.
Não faça o cavalo andar na mesma direção por mais do que 10 minutos consecutivos. Uma vez que essa atividade exige muito do corpo do animal, ele terá de praticar muito antes que possa andar por períodos mais longos. O charreteado não deve demorar mais do que 15 ou 20 minutos.

Treine o cavalo para obedecer comandos

Ensino o cavalo a andar ao seu lado apropriadamente enquanto você o conduz com uma corda.
À medida que ele anda em círculos à sua volta, transmita a ele alguns comandos de voz. Ensine as palavras “pare”, “fique”, “ande” e “volte”.
Priorize os comandos de parar e andar antes de passar para os seguintes. Ao fim desta etapa da técnica Horsemanship, você poderá ensinar comandos mais rápidos, como o “trote”.
Evite usar comandos muito parecidos, como é o caso de “trote” e “volte”. O cavalo pode ficar confuso, uma vez que o som de tais palavras é tão similar.
Se quiser, pode substituir termos como “volte” pela palavra “recuar”. Além disso, temos como “ôa!”, som utilizado para que o cavalo pare ou desacelere, devem ser empregados apenas quando você estiver montado.

Ensine o animal a respeitar seu espaço
Durante os treinos e todo o processo de doma, o cavalo colocará a superioridade e autoridade do treinador à prova.
Para disputar a liderança com você, o cavalo poderá empurrá-lo com o ombro. Esse é um tipo de atitude extremamente comum do animal, e que é conhecido por quem sabe como domar cavalos.
Em tais situações, você deve mostrar que é o líder: se o cavalo se aproximar de você, pressione as costelas dele, a cerca de 30 cm do ombro.
Os líderes de manadas selvagens investem contra essa região para repreender os outros cavalos. O animal deverá se deslocar para o lado e dar a você algum espaço.
Ensine ao cavalo como responder à pressão.
A pressão é transmitida ao cavalo através do cabresto, então prenda uma corda a essa peça e pare à direita dele, perto de sua orelha e olhando na mesma direção que ele.
Segure a corda a alguns centímetros do grampo. Puxe-a para a direita, para longe de você; o cavalo eventualmente cederá à pressão e virará a cabeça para a direita.
Assim que ele o fizer, libere a pressão da corda e ofereça alguma recompensa.
Repita o processo do lado esquerdo. Puxe a corda para longe do corpo do animal e ele deverá virar a cabeça para a esquerda.
Depois de ensinar o truque em ambos lados, o cavalo aprenderá a olhar na sua direção.
Repita o processo à frente e atrás do cavalo.
O cavalo aprenderá a deslocar a cabeça na direção de onde a corda é puxada para diminuir a pressão no cabresto.

Treinando o cavalo para aceitar a sela
Depois que o cavalo já está acostumado com o cabresto, e que você já consegue fazer com que ele responda a comandos através do cabresto, é hora do próximo passo. Que é fazer com que o animal aceite a sela de montaria sem dificuldades.

Apresente a sela - O cavalo deverá se familiarizar com o peso e o som da sela em seu lombo. Assim como fizera com o cabresto e com o freio, dê ao cavalo um certo tempo para se acostumar com o som, o cheiro e a aparência da sela.
Uma vez que ele esteja acostumado ao objeto, segure a sela acima do lombo do animal, sem deixar que ela toque nele.
Coloque o baixeiro ou a manta no lombo do cavalo
Quando o cavalo deixar de estranhar a sela, coloque o baixeiro no lombo do cavalo e deixe-o lá por alguns minutos. Caso a reação do cavalo seja positiva, remova o baixeiro.
Repita o processo várias vezes e de ambos os lados para que o cavalo se acostume a ser selado de ambas maneiras.
Se o cavalo ficar apavorado a ponto de a situação fugir do controle, remova o baixeiro rapidamente e tente de novo quando ele estiver mais calmo.
Se você quer um tipo de sela mais bonita, recomenda-se o uso do baixeiro, que costuma ter um acabamento melhor do que a manta.
No entanto, ele é menos confortável para o cavalo, e portanto deve ser apresentado ao animal junto com a sela. Se a sela se ajustar perfeitamente ao lombo do cavalo, o uso da manta ou do baixeiro é dispensável.

Coloque a sela no cavalo
Apresente a sela pacientemente, sempre acariciando e falando com o cavalo para acalmá-lo.
Deixe a peça por apenas alguns minutos, depois a remova. Repita o processo em ambos lados do cavalo. Nesta etapa, remova todas as tralhas e ferragens da sela.
Afivele o látego no cavalo lentamente
Aperte o látego um pouco mais a cada dia, especialmente se o cavalo parece inquieto. Caso o animal ainda esteja muito apavorado, solte o látego e volte a deixar a sela desamarrada no lombo do cavalo.
Quando o cavalo permitir que o látego seja completamente afivelado, incline-se contra o corpo do cavalo, apoiando-se nele.
Habitue o cavalo aos estribos
Faça o charreteado com a sela e os estribos. Isso ajudará o cavalo a se acostumar com a sensação de carregar tais objetos. Além disso, comece a colocar os outros acessórios na sela.
Realize cada etapa do processo lentamente. Sempre espere o cavalo perder o medo de um elemento da sela antes de introduzir outro. E nunca adicione mais de um elemento de uma vez. Isso é essencial na forma de como domar cavalos pelo método Horsemanship.

Charreteie com a sela - Exercite o animal selado quando ele for capaz de permanecer assim por longos períodos. Faça o máximo de charreteios que for possível durante essa etapa da doma do cavalo.

Treinando o cavalo para ser montado
Prepare o cavalo para a montaria
Até aqui, você interagiu com o cavalo do chão, no nível dos olhos dele. Leve o cavalo para perto de algo em que você possa subir, como uma cerca de madeira. Escale o objeto até ficar numa altura acima da cabeça do cavalo. 
Coloque peso no lombo do animal
Peça ajuda de um cavaleiro experiente para ensinar o cavalo a se acostumar ao peso de uma pessoa.
Num primeiro momento, o cavaleiro deve apenas se debruçar sobre a sela (em vez de se sentar nela).
Peça que ele faça isso com gentileza para que o cavalo não se assuste. Quando o cavalo aceitar o peso, acaricie-o e dê recompensas ao animal.
Peça que o cavaleiro monte no cavalo
Em primeiro lugar, o cavaleiro deve pôr seu pé esquerdo no estribo. O próximo passo é passar o outro pé por cima do animal, sem chutá-lo, e sem impor uma pressão desigual em seu lombo, para depois encaixar o pé direito no outro estribo.

O cavaleiro deve ficar curvado todo o tempo, uma vez que o cavalo se espantaria caso o enxergasse.
Além do que, a pessoa deve se apoiar na sela e não nas rédeas, uma vez que isso também poderia assustar o animal.
Cavalgue lentamente
Com o cavaleiro montado, conduza o cavalo devagar. Aos poucos, afaste-se do animal.
Peça que o cavaleiro apanhe as rédeas e puxe-as devagar e com cuidado, a fim de que o cavalo não se assuste. Para que o cavalo comece a andar, ele deverá dar um comando verbal e apertá-lo levemente com as pernas.

Tente montar

Agora que um cavaleiro experiente sondou o terreno, é a sua vez de montar.
Montar um cavalo pela primeira vez pode ser perigoso e só deve ser feito com a supervisão de um domador ou cavaleiro profissional. Suba com cuidado, evitando chutar o lombo do cavalo ou puxar as rédeas. Ande com o animal por alguns passos, pare e desça.
Aumente gradativamente o período em que você permanece montado ao longo das próximas semanas ou meses. Só tente cavalgar rapidamente depois que o cavalo parecer confortável andando em velocidade normal.
Pode ser necessário um ano de treinamento (ou mais) até que você possa trotar e andar a galope com o animal em questão. Não tente acelerar o processo, já que isso poderia levar o cavalo a desenvolver medos ou vícios.

Dicas úteis
Use comandos de uma palavra e use a mesma palavra sempre para que o cavalo não fique confuso.
Tranquilize o cavalo se ele abaixar as orelhas ou demonstrar outros sinais de medo.
Alguns cavalos toleram sessões de treinamento mais longas que outros. Aprenda a detectar os sinais que seu cavalo emite quando está cansado.
Faça exercícios de aquecimento antes da sessão de treinamento e, ao final dela, faça exercícios de relaxamento.
Antes de apresentar um novo comando, pratique e reveja aqueles que o cavalo já domina e use-os como base para o comando a ser ensinado.
Antes de montar no animal pela primeira vez, salte para o alto algumas vezes ao lado dele. Depois de saltar, dê uns tapinhas leves na sela. Desse modo, ele não se assustará quando você subir nele.
O cavalo precisa saber quem é que manda: se ele se recusar a executar algum comando, não interrompa a sessão. Isso daria ao animal a impressão de que ele pode abandonar o treinamento quando quiser.
É improvável que você venha a domar o cavalo se não tiver experiência. É melhor pagar um domador do que se arriscar a levar um coice ou ser pisoteado.

Avisos
Cavalos leem os sinais que transmitimos através de nossas emoções e linguagem corporal. Se você ficar tenso e ansioso, o cavalo também ficará.
Fique alerta e preste atenção à linguagem corporal. Quando notar que o cavalo está de orelhas abaixadas ou batendo as patas dianteiras no chão, acalme-o. Se a sessão tiver durado muito tempo ou se o animal parecer irritado, em pânico ou confuso, faça uma pausa. Lembre-se de que a doma do cavalo requer paciência, não força bruta.
Nenhum cavalo pode ser montado antes dos dois anos de idade. Montá-lo antes disso pode deixá-lo lesionado para o resto da vida.
Seja cuidadoso quando o cavalo estiver de orelhas abaixadas. É normal que o cavalo vire as orelhas para trás — isso apenas indica que ele está prestando atenção ao que se passa atrás de si. As orelhas abaixadas, por outro lado, denotam medo e agressividade — que pode se voltar contra você ou contra outros cavalos.

  1. Veja vídeo Aula 1 - Psicologia do cavalo aplicada à prática dos esportes equestres de Ruy Couto do canal EQUITAÇÃO ONLINE.
  2. Veja vídeo Aula 2 - A comunicação com o cavalo de Ruy Couto do canal EQUITAÇÃO ONLINE.
  3. Veja vídeo Aula 3 - A biomecânica aplicada à prática dos esportes equestres de Ruy Couto do canal EQUITAÇÃO ONLINE.
© 2023: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 15/05/2023