sexta-feira, 23 de maio de 2025

YAMAHA MT-07/MT-07 2019 ABS 689CC

A Yamaha lançou a MT-07 2020 com novo design, mais confortável, nova suspensão, novas cores e grafismos. Agora, a MT-07 2020 sai nas seguintes cores: Preta-fosca e Azul-metálica.
A Yamaha MT-07 2020 tem o preço público sugerido de R$ 34.690 com frete de R$ 1.483.
A segunda geração da 700 está com visual renovado, farol mais largo e carenagens laterais com avantajadas entradas de ar. A naked é vendida em três combinações de cores: Racing Blue (azul metálico), Matt Gray Fluo (cinza metálico fosco) e Matt Black (preto fosco) por R$ 33.790.
O visual agressivo impressiona e engana ao mesmo tempo. A moto parece menor do que é, tudo por conta das proporções enxutas, do esguio motor bicilíndrico e do baixo peso de 183 quilos.
Ficha Técnica completa:
Motor: Refrigeração Líquida, Bicilíndrico, 4 tempos, 8V, DOHC, refrigeração líquida, injeção eletrônica de 689 cm³;
Potência: 74,8 cv;
Torque: 6,9 kgfm;
Câmbio: 6 marchas;
Tanque Combustível: 14 litros;
Velocidade Máxima: 230 km/h;
Comprimento: 2.085 mm;
Largura: 745 mm;
Altura: 1.090 mm;
Entre-eixos: 1.400 mm;
Distância do solo: 140 mm;
Altura do assento: 805 mm;
Freio dianteiro: 2 Discos 282 mm c/ABS;
Freio traseiro: Disco 245 mm c/ABS;
Suspensão dianteira: Garfo telescópico de 130 mm de diâmetro;
Suspensão traseira: Balança monoamortecida com 130 mm de curso;
Rodas: Liga leve de 17" com pneus sem câmera 120/70 na dianteira, e 180/55 na traseira;
Altura do assento: 80,5 cm;
Peso: 183 kg;
Tanque: 14 litros.
Além da aparência renovada, a geração atual da MT-07 ganhou um novo e confortável assento para o piloto, mais largo atrás e mais fino na frente, onde as pernas envolvem o tanque, que também permite ótimo encaixe das pernas. A boa posição de pilotagem se vale do guidão elevado e das pedaleiras recuadas, mas o bem estar se restringe ao condutor, uma vez que o elevado assento para o garupa é desconfortável e fininho. Eu, que tenho 1,62 metro de altura, fiquei muito bem encaixado
na moto.
A revisada suspensão é firme, mas não abre mão do conforto. Desde que você não encontre uma cratera pelo caminho, afinal, o lance da MT-07 é o asfalto. O conjunto tem garfo telescópico com canelas de 41 mm de diâmetro na dianteira e balança monoamortecida com 130 mm de curso (com ajuste de retorno) na traseira. O resultado é um acerto geral polivalente, capaz de copiar bem as imperfeições do asfalto.
O competente conjunto de freios ABS conta com a ajuda da leveza do ser para estancar a moto, e é servido por disco duplo de 282 mm na dianteira e disco simples de 245 mm na traseira.
Com ótimo desempenho, a naked arranca forte e de imediato. Basta triscar no acelerador e soltar a embreagem. O mérito é do vigoroso motor bicilíndrico de 689 cm³ com dois comandos e oito válvulas no cabeçote, arrefecido a líquido e com injeção eletrônica que gera 75 cv a 9.000 rpm e 6,9 kgfm a 6.500 rpm.
O propulsor traz a tecnologia crossplane que faz com que cada cilindro trabalhe a 270° e detone individualmente, cada um a seu tempo. É o mesmo sistema utilizado na superesportiva R1, e que favorece maior torque em todas as rotações. A transmissão final por corrente está associada ao câmbio de seis marchas.
O ímpeto por subir as acelerações rapidamente, combinado com a ótima ciclística proporcionada pela curta distância entre-eixos de 1,4 metro, pelo comprimento de 2,20 metros, e pela estreita largura de 74,8 cm facilita o deslocamento na cidade. É fácil passar nos corredores e mudar de direção graças, também, ao bom esterço de guidão. Para condutores baixinhos, a boa notícia é que o banco fica a apenas 80,5 cm de distância em relação ao solo.
Em meu teste, a média alcançada em trecho urbano e rodoviário foi a de 21,2 km/l. Como o tanque leva 14 litros de gasolina, a autonomia aferida foi de 297 quilômetros. Média que varia de acordo com o estilo da pilotagem, é claro. Por falar em rodovia, a única característica que desagrada na pilotagem nesta hora é a resistência aerodinâmica que o piloto enfrenta a velocidades acima de 100 km/h. A MT-07 dispensa proteções. 
O painel digital de fácil leitura tem hodômetro grande, mostrador de consumo instantâneo e dos giros, indicador de marcha e de relógio. Se a tocada for mansa, a informação ECO aparece na tela indicando que a motocicleta está rodando em seu modo mais econômico. Mas, já adianto que essa é uma tarefa árdua de ser cumprida. A naked instiga você a girar a manopla direita com vontade.

7ª Revisão (30.000 km ou 42 meses) - 13/06/2025
🔩 Procedimentos Principais:
Troca de óleo e filtro do motor
Verificação completa da transmissão
Inspeção das pastilhas e discos de freio
Sincronização dos carburadores/injeção
🔍 Verificações Complementares:
Verificação da suspensão dianteira e traseira
Teste de performance do motor
Inspeção do sistema de escape
Verificação de todos os fluidos
⚠️ Importante: Revisão ampla com foco na performance

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Compra: 09/05/2025 -                     R$  42.000,00 - Jose Mariano da Silva Filho.
Vistoria: 09/05/2025 -                      R$         80,00 - Vistorias Seves Ltda Me
Transferência: 12/05/2025 -             R$      285,00 - Diretoria Geral de Finanças de SP
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Total - Compra -                               R$  42.365,00
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Revisão KM 30.000: 13/06/2025 -   R$     935,00 - Moto 36 Ltda
Freio Trazeiro: 03/10/2025 -           R$    120,00 - Pulha Motos e Preparação
Bateria: 10/10/2025 -                       R$    330,00 - Pulha Motos e Preparação
Transmissão: 11/10/2025 -               R$     800,00 - Moto 36 Ltda
Pneu Traseiro: 20/11/2025 -               R$     150,00 - Moto 36 Ltda
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Total - Manutenção -                       R$     2.335,00

domingo, 11 de maio de 2025

René Descartes - Criador da Filosofia Moderna

 Contexto: Imagine como seria ótimo ter um método para nunca cometer erros, isso garante que estamos pensando bem e que as ideias às quais chegamos são corretas e indiscutíveis.
Até então, quase ninguém duvidou da existência de Deus. Nem que a religião era a fonte suprema de toda sabedoria e quem a fazia era julgado. 
A passagem do mundo medieval para o mundo moderno acontece e muitos dos supostos conhecimentos que até então funcionaram bem para proporcionar uma certa sensação de estabilidade começam a ser questionados.

Do medieval ao moderno:
  1. O ser humano não é mais visto como o fim supremo da criação divina como sempre foi para o cristianismo. 
  2. A terra deixa de ser considerada o centro imóvel de um universo fechado e finito graças a personagens como Copérnico e Galileu. 
  3. O enfraquecimento da Igreja Cristã. 
  4. Europeus "descobrem" áreas da terra que não tinham ideia que existiam: América.
René Descartes
René Descartes (La Haye en Touraine, 31 de março de 1596 – Estocolmo, 11 de fevereiro de 1650) foi um filósofo, físico e matemático francês.
No início ele se treinou com os jesuítas, lendo Aristóteles, Agostinho e Tomás de Aquino, era neste que consistiu a formação filosófica naquela época. Mas ele ficou entediado e decidiu ir lutar nas guerras religiosas. Quando ele retornou, tornou-se famoso como matemático e começou a se dedicar à reflexão filosófica com muito mais liberdade do que antes de partir.
Na Holanda, que era uma espécie de paraíso para pensadores, onde qualquer coisa podia ser publicada sem censura. Ele divulgou suas duas obras mais importantes: "Discurso sobre o método e meditações metafísicas".

Discurso do método: Descartes percebe que falta algo essencial para fundamentar o conhecimento que está emergindo: demonstrar por que ele é conhecimento.
Aquele em que podemos confiar desta vez.
  1. Se o que pensávamos ser verdade antes não era, por que o que pensamos agora seria verdade? 
  2. O conhecimento, em sua totalidade, não é um engano? 
  3. Como posso saber com certeza? 
  4. Como você pode saber algo? 
Descartes começou a procurar o método fazendo uma introspecção e finalmente o encontrou. Se quisermos evitar o erro, segundo o discurso do método, temos que seguir quatro princípios;
  1. Análise ou decomposição: consiste em dividir os problemas em maior quantidade de partes possível e resolvê-las separadamente.
  2. Enumeração ou verificação: ele nos pede para verificar se não esquecemos de nada e se a conclusão a que chegamos é verdadeira.
  3. Síntese ou composição: o que indica é conduzir o pensamento do mais fácil para o mais difícil.
  4. Dúvida ou evidência sistemática: consiste em não aceitar algo como verdadeiro até que seja verificado com evidências claras e distintas o que é realmente verdadeiro
Descartes diz que a verdade tem que aparecer no "
Pensado" como algo claro e distinto. Uma percepção clara é aquela que está presente e se manifesta para uma mente atenta. Uma percepção diferente é aquela que, além de ser clara, é tão precisa e separada de todas as outras que não contém nada além do que é claro.

René Descartes: "Somos seres pensantes, independentemente de estarmos errados ou não".

© Direitos de autor. 2025: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 27/04/2025.

domingo, 4 de maio de 2025

São Tomás de Aquino - A razão e a fé.

 São Tomás de Aquino, considerado o "Príncipe da Escolástica", foi um importante filósofo e padre italiano da Idade Média, intitulado Doutor da Igreja Católica, em 1567.

Biografia
Tomás de Aquino nasceu em 1225, em Aquino, uma comuna italiana, no Castelo de Roccasecca.
Filho do Conde Landulf de Aquino, recebeu uma excelente educação. Estudou na abadia de Roccasecca, no Mosteiro da Ordem de São Bento de Cassino. Mais tarde, ingressou na Universidade de Nápoles, na Cátedra “Artes Liberais”.
Com apenas 19 anos, em 1244, abandona o curso e decide seguir sua vocação religiosa tornando-se dominicano, ao ingressar na Ordem dos Dominicanos, no convento Saint Jacques, em Paris. Permaneceu alguns anos em Paris, cidade importante para seu desenvolvimento espiritual, intelectual e profissional.
Entretanto, foi na cidade de Colônia, na Alemanha, que Aquino escreve suas primeiras obras, sendo discípulo do bispo, filósofo e teólogo alemão Santo Alberto Magno (1206 d.C-1280 d.C.), conhecido como Alberto, o grande.
Mais tarde, em 1252, Tomás de Aquino retorna a Paris onde se gradua em Teologia e segue a carreira de professor. Ministrou aulas em Roma, Nápoles e outras cidades da Itália.
Ficou conhecido como Doutor Angélico, cujo trabalho de vida esteve dedicado a fé, a esperança e a caridade constituindo assim, um pregador cristão da razão e da prudência.
Foi um dos defensores da Escolástica, método dialético que pretendia unir a fé a razão em prol do crescimento humano. Uma de suas maiores obras, Summa Theologica, é o maior exemplo da Escolástica, na qual apresenta relações entre a ciência, razão, filosofia, fé e teologia. Segundo Aquino:
“Nada há no intelecto que antes não tenha passado pelos sentidos.”
São Tomás Faleceu na cidade de Fossanova, Itália, no dia 7 de março de 1274, com 49 anos.

Filosofia de São Tomás de Aquino
Inspirado nas ideias do filósofo grego Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), o trabalho de São Tomás de Aquino esteve pautado no realismo aristotélico, em detrimento dos seguidores de Santo Agostinho, inspirados no idealismo de Platão.
Por isso, Aquino foi um dos pensadores mais destacados desse período, defensor da filosofia escolástica, método cristão e filosófico, pautado na união entre a razão e a fé.
Assim, Tomás de Aquino escreveu inúmeras obras, onde privilegiou a razão e a vontade humana formulando assim, um novo pensamento filosófico cristão.

Obras de São Tomás de Aquino
Tomás de Aquino foi grande estudioso e ávido escritor nas áreas da filosofia, metafísica, física, teologia, ética e política. Algumas de suas obras: Preces; Sermões; Suma Contra os Gentios; Suma Teológica; Exposição sobre o Credo; O Ente e a Essência (1248-1252); Compêndio de Teologia (1258-1259); Comentários ao Evangelho de São João; Comentários da Epístola de São Paulo; Comentário às Sentenças e Adoro Te Devote.

Frases de São Tomás de Aquino
  • “A humildade é o primeiro degrau para a sabedoria.”
  • “O desordenado amor por si mesmo é a causa de todos os pecados.”
  • “Cuidado com o homem de um só livro.”
  • “A razão é a imperfeição da inteligência.”
  • “A arte é a razão correta na execução de um trabalho.”
  • “A comunhão destrói a tentação do demônio.”
  • “Para aqueles que tem fé, nenhuma explicação é necessária. Para aqueles sem fé, nenhuma explicação é possível.”
© Direitos de autor. 2025: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 27/04/2025.

domingo, 27 de abril de 2025

Sócrates - Mestre da Grécia

Sócrates: reconhecido por sua ênfase no autoconhecimento e na virtude, Sócrates desenvolveu o método dialético, baseado em perguntas e respostas, que por meio do diálogo buscava descobrir a verdade. Ele acreditava que a ignorância era a raiz de todos os males e que a filosofia deveria ajudar as pessoas a viver melhor.

Sócrates - Mestre da Grécia
Foi um filósofo grego clássico considerado um dos maiores, tanto na filosofia ocidental quanto na universal. Nasceu em Atenas, onde viveu durante os últimos dois terços do século V a.C. , o período mais esplêndido da história de sua cidade natal e de toda a Grécia antiga. Era filho de Sofrónisco, pedreiro de profissão, razão pela qual em sua juventude foi chamado de Sócrates, filho de Sofrónisco e de Fenareta, parteira, parente de Aristides, o Justo - 678 a.C.
Nascido em 469 a.C., Sócrates atingiu sua maturidade intelectual quando um movimento filosófico específico - Sofístico - que triunfava em Atenas.
Ele se recusou a colocar um preço em seus ensinamentos, mas isso não significava que qualquer um poderia assistir às suas aulas; ele se reservou o direito de admitir ou rejeitar um candidato.
  • Psique: o que ele considerava ALMA, uma combinação da inteligência, ética e caráter de um indivíduo.
Preferia o diálogo à escrita: A principal estranheza sobre ele é que ele é um filósofo sobre o qual não temos escritos.

Contribuições; Ele estabeleceu a ciência que estuda o ser humano.
  • Ironia socrática: A análise prática das coisas concretas, reconhecendo a ignorância da falta de conhecimento das coisas, da definição de que estamos em condições de buscar a verdade.
  • Mayêutica: Consiste na crença de que existe um conhecimento que se acumula na consciência.
  • Método indutivo: A pessoa deve criar conhecimento por meio de sua experiência.
Opiniões e ensinamentos de Sócrates:
Sócrates encara a morte com muita tranquilidade, aceita a morte sem grandes problemas e não tem medo da ignorância.
  1. Não há necessidade de temer a morte, e temer a morte é cair na ignorância. Sócrates diz que: "Não há necessidade de temer a morte, o importante é viver e morrer bem".
  2. Cometer injustiça é moralmente ruim e vergonhoso. Sócrates diz que: "É pior cometer uma injustiça do que sofrê-la." pois diziam que quem comete injustiça é mais feliz fazendo-a, algo com que Sócrates não concordava.
Dupla Ignorância: I - Ignorância sobre um assunto específico: nenhum ser humano sabe se a morte é boa ou má. II - Ignorância da minha ignorância: isso ocorre quando você ignora a natureza da morte.
A morte é a maior de todas as bênçãos, e não sabemos disso; ninguém nos garante que isso é algo ruim.

Desculpa: De fato, atenienses, temer a morte nada mais é do que crer-se sábio sem sê-lo, por crer que se sabe o que não se sabe. Pois ninguém conhece a morte, nem mesmo se ela é precisamente o maior de todos os bens para o homem, mas a temem como se soubessem com certeza que ela é o maior dos males. Contudo, como não seria a mais repreensível ignorância acreditar que se sabe o que não se sabe?

Sócrates: "Eu só sei que nada sei".
Discípulos: Platão e Arsitóteles

Platão: "A liberdade consiste em sermos donos da própria vida".
Use o método do seu mentor para falar sobre tópicos do universo, como filosofia, cosmologia, epistemologia, etc. Nascido em 427 a.C. em Atenas. Ele criou sua própria escola platônica chamada "Academia".

Aristóteles: "Conhecimento é poder" .
Sua obra mais famosa, o “Mito do “caverna” que ele usou para explicar a realidade e o sentido da vida. Ele foi aluno de Platão e professor do grande líder Alexandre, o Grande. Fundou o "Liceu de Atenas", a escola aristotélica como extensão da academia de Platão. Nascido em 384 a.C. em Estagira. Reino da Macedônia. Eu estudo diferentes disciplinas e ciências, como lógica, matemática, metafísica e biologia.

© Direitos de autor. 2025: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 27/04/2025.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

O mundo mitológico e os deuses gregos

O mundo mitológico grego tem início com o casal Urano e Gaia. Urano (o céu) permanecia unido a Gaia (a terra) em um ato de reprodução constante. Dessa união nasceram os titãs, que não conseguiam sair do ventre de Gaia. Infeliz com os filhos aprisionados, Gaia ajudou um deles, Cronus, a castrar o pai. Com isso, Urano se separou de Gaia, uma metáfora que simboliza o surgimento do mundo após a separação entre o céu e a terra.
Cronus passou a reinar, mas, com medo de perder o poder, engolia os filhos que tinha com a titã Réia. Um deles, Zeus, escapou desse destino e resgatou os irmãos. Zeus derrotou Cronus em uma grande batalha, que deu início à era dos deuses.
Na mitologia, a alma dos mortos vai para o mundo subterrâneo, governado por Hades. Para entrar, é preciso pagar o barqueiro Caronte, que faz a travessia do rio Estige. Por isso os gregos enterravam os mortos com uma moeda. No submundo de Hades, o morto é julgado por três juízes. Os que viveram uma vida correta são premiados e seguem para uma região chamada Campos Elíseos, uma espécie de paraíso, cheio de paisagens verdes e floridas.
Mas o mundo subterrâneo também tem regiões sombrias. Os gregos que “aprontaram” na vida como mortal têm como destino o Tártaro. Ele é um poço profundo, quase sem fim, escuro, úmido e frio.

ZEUS - O filho mais novo de Cronos e Réia é o líder dos deuses que vivem no monte Olimpo. Ele impõe a justiça e a ordem lançando relâmpagos construídos pelos ciclopes. Zeus teve diversas esposas e casos com deusas, ninfas e humanas. É considerado o Deus dos Deuses. Deus do céu e das tempestades.

AFRODITE - O nome da deusa do amor significa “nascida da espuma”, porque diziam que ela havia surgido do mar. Afrodite é a mais bela das deusas. Apesar de ser esposa de Hefesto, teve vários casos – com deuses como Ares e Hermes e também com mortais. Ela era a deusa do amor e da beleza. Tinha como símbolo a pomba e o cisne. 

HEFESTO - Filho de Zeus e Hera, Hefesto nasceu tão fraco e feio que foi jogado pela mãe no oceano. Resgatado por ninfas, virou um famoso artesão. Impressionados com o talento dele, os deuses levaram Hefesto ao Olimpo e o nomearam deus do fogo e da forja representado com um martelo.

POSÊIDON - O irmão mais velho de Zeus e Hades é o deus do mar. Com um movimento de seu tridente, causa tempestades e terremotos – e sua fúria é famosa entre os deuses! Posêidon vive procurando aumentar seus domínios em diferentes áreas da Grécia.

HADES - Mesmo sendo irmão de Zeus e Posêidon, não vive no monte Olimpo. Hades, como deus dos mortos, domina seu próprio território (mundo dos mortos). Apesar de passar uma imagem ruim por sua “função”, não é um deus associado ao mal. Muitos gregos tinham medo de Hades, associando-o com a morte e com o inferno. Apesar de um atleta olímpico, Hades preferiu o submundo e raramente saía de seu reino.

HERA - Terceira mulher de Zeus e rainha do Olimpo, Hera é a deusa do matrimônio e do parto. É vingativa com as amantes do marido e com os filhos de Zeus que elas geram. Para os gregos, Hera e Zeus simbolizam a união homem-mulher. 

APOLO - O deus da luz (representada pelo Sol), das artes, da medicina e da música é filho de Zeus com uma titã, Leto. Na juventude, era vingativo, mas depois se tornou um deus mais calmo, usando os poderes para cura, música e previsões do futuro. O Deus-arqueiro símbolo da medicina e da cura. Também era capaz de trazer doenças àqueles atingidos por suas flechas. Assim, acreditava-se que como ele era capaz de trazer doenças, também era capaz de trazer a cura.

ARES - O terrível deus da guerra é outro filho de Zeus e Hera. No campo de batalha pode matar um mortal apenas com seu grito de guerra! Pai de vários heróis humanos que são protegidos ou filhos de deuses, Ares ainda se tornou um dos amantes de Afrodite. Era o Deus da Guerra. O soldados da Grécia antiga adoravam tal em tempos de batalhas.

ARTEMIS - Irmã gêmea de Apolo, é a deusa da caça, representada por uma mulher com um arco – contraditoriamente, também é a protetora dos animais. Artemis é uma deusa casta (virgem), que fica furiosa quando se sente ameaçada. Também era adorada na busca da proteção da agricultura e animais de pastoreio. 

HERMES - Filho de Zeus com a deusa Maia, o mensageiro dos deuses é o protetor de viajantes e mercadores. Representado como um homem de sandálias com asas, Hermes tinha um lado obscuro: às vezes trazia mentiras e falsas histórias. Protetor dos atletas, também era adorado pelos ladrões.

ATENA - É a deusa da sabedoria e filha de Zeus com a primeira mulher dele, Métis. Seu símbolo é a mais sábia das aves, a coruja. Habilidosa e especialista nas artes e na guerra, Atena carrega uma lança e um escudo chamado Égide. A Deusa virgem era símbolo da sabedoria, da razão e da pureza. Era uma corajosa guerreira em tempos de batalha.

HÉSTIA - Irmã de Zeus, era símbolo do lar e da família. fez um voto de permanecer virgem, recusando-se a ceder as investidas s de Poseidon e Apollo.

DEMETER - Deusa dos grãos, da agricultura e da colheita. Os gregos tinham a crença que essa Deusa fazia as colheitas terem sucesso, por isso ofertavam parte da colheita para ela.

DIONÍSIO - Deus do Vinho e das festas, Dionísio era filho de Zeus. Também é conhecido como Baco, é adora por atores e escritores.

Fonte: << https://mundoestranho.abril.com.br/cultura/quais-sao-os-principais-deuses-gregos/ >>.

sexta-feira, 4 de abril de 2025

A lenda da criação do mundo - Mitologia Asteca

Ometeotl
O criador do mundo era o Ometeotl deus, que era macho e fêmea e deu à luz quatro deuses: Tezcatlipoca, Quetzalcoatl,  Tlaloc e Chalchiuthlicue. Esses deuses acabaram por criar o mundo e todas as outras divindades. Em seguida, eles tiveram que dar a luz aos seres humanos e para isso, um dos deuses tiveram que se sacrificar para o fogo. 
O Primeiro Sol, chamado naui-ocelotl (quatro-jaguar), habitado por Gigantes chegou ao fim quando foram mortos por jaguares enviados por Tezcatlipoca, os grandes felinos teriam descido das montanhas e devorado a humanidade.
O Segundo Sol, chamado naui-eecatl (quatro-vento), teria sido destruído por Quetzalcoatl, este mundo chegou ao fim através de furacões e enchentes. O deus do vento teria soprado sobre o mundo um vento mágico, assomada pelo grande vento os humanos fugiram para o topo das árvores, transformando-se em macacos.
Tezcatlipoca
O Terceiro Sol foi dominado pela água e sua deidade dominante era Tlaloc. Povos que habitaram este mundo comeu sementes aquáticas. Este mundo chegou ao fim quando o deus Quetzalcoatl fez chover fogo e cinzas. Os seres humanos sobreviventes viraram aves e outros foram substituídos por outros animais.
O quarto Sol, chamado naui-quiauitl (quatro-chuva), teria sido destruído por Chalchiuhtlicue,  irmã e esposa de Tlaloc, a deusa da água, teria criado um imenso dilúvio que teria submergido o mundo em águas destruindo toda a humanidade, os sobreviventes viraram peixe para não morrerem no diluvio causado pela deusa. 
O quinto Sol (nosso Sol), denominado naui-ollin (quatro-terremoto) teria sido recriado pela bondade de Quetzalcoatl, que resgatou do inferno (reino do deus Mictlantecuhtli) os ossos dos mortos e, regando-os com seu próprio sangue, restaurou-lhes a vida para reinar entre eles. Porém Tezcatlipoca expulsou-o para Tlillan Tlapallan, de onde prometeu voltar para resgatar seu trono.
Quetzalcoatl
No quinto sol, tudo era negro e morto. Os deuses se reuniram em Teotihuacán para discutir a quem caberia a missão de criar o mundo, tarefa que exigia que um deles teria que se jogar dentro de uma fogueira. O Huehueteotl, o deus do fogo, começou uma fogueira sacrificial, mas nenhum dos deuses mais importantes queria saltar para dentro das chamas. O selecionado para esse sacrifício foi Tecuciztecatl. No momento fatídico, Tecuciztecatl retrocede ante o fogo; mas o segundo, um pequeno Deus, humilde e pobre, Nanahuatzin, se lança sem vacilar à fogueira, convertendo-se no Sol. Ao ver isto, o primeiro Deus, sentindo coragem, decide jogar-se transformando-se na Lua
Ainda assim, os dois astros continuavam inertes e é indispensável alimentá-los para que se movam. Então outros deuses decidiram sacrificar-se e dar a “água preciosa”, necessária para criar o sangue. Por isso se os homens são obrigados a recriar eternamente o sacrifício divino original.

O Quinto Sol era o mundo em que viviam os astecas. Tonatiuh o deus sol era a deidade. Os astecas se consideravam o "Povo do Sol" e, portanto, seu dever era para nutrir o dom de Deus através de oferendas e sacrifícios de sangue. Na falta de fazer isso teria causado o fim do seu mundo, o desaparecimento do sol no céu. Este mundo é caracterizada pelo signo Ollin, que significa movimento. De acordo com as crenças astecas, este indicou que este mundo chegaria a um fim através de terremotos.
Tlaloc
Os Astecas viviam com o tormento do fim do mundo; ou como eles chamavam, do fim do Sol; sobre suas cabeças. Para eles, a humanidade atual seria a quinta, tendo, portanto, sido precedida por outras quatro. A cada ciclo de 52 anos, segundo a mitologia Mexicana, o mundo corria sério risco de extinção, pois isso já havia ocorrido outras vezes no passado. O período de  52 anos era um número pragmático para os Astecas, por corresponder à metade do tempo que levava para que o início de um ano terrestre coincidisse com o início de um ano de Vênus, planeta pelo qual os Astecas tinham adoração. Para impedir nosso mundo de ser destruído, coisa que os Astecas acreditavam que pudesse acontecer a cada 52 anos, eles faziam uma cerimônia especial chamada de Fogo Novo. Em todas as casas, se apagava o fogo e se quebrava toda a louça, os sacerdotes escolhiam um prisioneiro para ser sacrificado e o conduziam até o topo do monte uixachtecatl. Lá, o prisioneiro era sacrificado, tendo seu peito aberto por uma faca de sílex. Depois, um dos sacerdotes pressionava uma tocha acessa contra o peito aberto do indivíduo (às vezes ainda vivo) quando o fogo da tocha se apagava, era considerado aceso o Fogo Novo. 
Chalchiuthlicue
Para festejar, cada família reacendia seu fogo e comprava louças novas, enquanto que o Tlatoani realizava alguma obra (geralmente a ampliação do Grande Templo) como forma de expressar sua gratidão aos deuses por mais 52 anos de existência. Ao todo, foram realizadas sete cerimônias do Fogo Novo (1195, 1247, 1299, 1351, 1403, 1455 e 1507), a primeira delas enquanto os Astecas ainda estavam em marcha para o México. A oitava, prevista para 1559, não se realizou porque o Império já havia sido conquistado pelos Espanhóis.

sábado, 8 de março de 2025

A lenda da criação do mundo - Mitologia Judaica

Esta teoria nos lembra da ancestral polêmica gerada pela discussão entre Ciência, Filosofia e Religião, sobre as origens do Universo e da própria Humanidade. Ela procura dar sua versão sobre esta questão, do ponto de vista religioso. Assim, ela sustenta que todos os seres vivos existentes foram criados por um ou mais entes inteligentes. Esta é a hipótese de maior recepção em todo o planeta, elaborada em oposição à teoria evolucionista, fruto de pesquisas científicas.

O Cristianismo tem sua própria teoria explicativa, narrada na Bíblia, seu livro sagrado. Segundo esta religião, o homem foi criado por Deus, logo após a gênese dos céus e da terra. Aqui também a Humanidade foi modelada no barro, mas nesta versão ela ganha a vida através do sopro divino, exalado em suas narinas. De acordo com as crenças abordadas, variam as argumentações, mas muitas delas apresentam várias semelhanças. 
O Gênesis, primeiro livro do Antigo Testamento, por exemplo, narra a origem do mundo e do Homem com metáforas e símbolos muito parecidos com os das narrativas mesopotâmicas.
Segundo a Bíblia, a criação do mundo foi um ato de Deus. Com Suas palavras, Deus formou cada elemento do universo e deu vida a toda criatura. No início da criação, a terra não tinha forma, apenas havia trevas e água caótica e o Espírito de Deus se movia sobre ela. Então, em uma semana, Deus formou o mundo que conhecemos.
Gênesis 1 conta o que Deus criou em cada um dos seis dias da criação:
No primeiro dia da criação do mundo, Deus disse “haja luz” e a luz surgiu. A luz e a escuridão ficaram separadas e Deus chamou a parte do tempo com luz de dia e a parte do tempo na escuridão de noite. Foi assim que surgiu o primeiro dia.
No segundo dia, Deus criou o céu (a atmosfera) por cima da terra. O céu serviu para separar a água em estado líquido, sobre a superfície da terra, da água em estado gasoso (Gênesis 1:6-8). Surgiu assim o ciclo da água.
No terceiro dia, Deus criou a terra seca. As águas cobriam toda a superfície da terra, por isso Deus ordenou que recuassem, deixando exposta uma parte da superfície. Deus chamou a parte seca de terra e as águas de mares (Gênesis 1:9-10). Foi assim que surgiram os continentes e as ilhas.
No mesmo dia, Deus cobriu a terra com vegetação. Todo tipo de planta brotou da terra, de todas as espécies, cada planta com capacidade para reproduzir.
No quarto dia, Deus criou os corpos celestes, para marcar a passagem do tempo – dias, meses, anos... Ele encheu o céu (o espaço) com estrelas e criou uma estrela que, da terra, parecia maior – o sol – para iluminar o dia. Deus também criou a lua, um pouco menor, para iluminar um pouco a noite.
No quinto dia, Deus criou os animais aquáticos. Ele ordenou e as águas se encheram de peixes e outros animais aquáticos, grandes e pequenos. Deus também criou as aves, que colocou para viver na terra e voar no céu. Deus abençoou as aves e os animais aquáticos e ordenou que se reproduzissem, enchendo o mundo (Gênesis 1:22).
No sexto dia, Deus criou os animais terrestres. Todo tipo de animal que vive na terra e não voa foi criado nesse dia, cada um com capacidade para reproduzir.
Depois, Deus falou consigo mesmo e decidiu formar uma criatura especial, à Sua imagem e semelhança, para dominar sobre todos os animais que tinha criado. Surgiram assim o homem e a mulher (Gênesis 1:26-27).
Deus abençoou o homem e a mulher e ordenou que se reproduzissem, enchendo e dominando a terra. Todos os animais terrestres, aquáticos e voadores ficaram debaixo de seu comando. Deus também deu as plantas como alimento à humanidade e a todos os animais. Foi assim que Deus concluiu a criação do mundo.
No sétimo dia, Deus descansou. Ele estava satisfeito, porque tudo que tinha criado era bom. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque era o dia de descanso.
Quer seja literal, quer seja uma metáfora, a história da criação nos mostra que o mundo foi criado por Deus. Não foi obra do acaso. A criação do mundo também nos mostra nosso valor como criaturas feitas à imagem de Deus e nosso papel de dominadores e protetores da terra. Deus tem prazer na Sua criação e quer nos abençoar com descanso.

segunda-feira, 3 de março de 2025

A lenda da criação do mundo - Mitologia Grega

Caos é o nome do deus responsável pela criação do mundo. Esta divindade vivia sozinha, em um completo vazio, uma escuridão disforme, o nada. Caos criou a noite Nix (a noite) e Érebo (as trevas), eles vivem assim por um tempo onde só existia escuridão e silêncio, mas surgiu Gaia (a terra), ela era lindíssima, cheia de vida e alegria. Mas o Caos também continha o pavoroso Ébero, um reino sombrio e escuro que se encontrada nas profundidades da Terra.
Nix engravida de Érebo e da origem a Éter (o ar) e a Hemera (o dia). Gaia gera de si mesma Urano (o céu). Urano reinava sobre todos os outros deuses, e tendo coberto a Terra com seu infinito manto azul, a desposou, e desta união nasceram os titãs.
Um deles era Oceano, que se espalhou sobre a Terra gerando rios e lagos. Dois dos filhos e Urano, os titãs Hipérion e sua esposa Téia foram os pais de três lindos deuses: Hélio (o sol), Aurora e a Lua. Outro filho de Urano era Cronos, o tempo.
Urano também concebeu os Ciclopes, gigantes de um olho só, que possuíam poderes sobre o fogo, as tempestades e trovões. Viviam no alto de uma montanha, um vulcão, onde mantinham sua chama acesa e forjavam armas.  Entre os filhos de Urano estavam também os poderosos gigantes de cem mãos. Estes últimos, em determinado momento, desrespeitaram o pai Urano, que por sua vez, enfurecido os exilou para as profundezas do Tártaro junto com outros titãs.
Cronos, que sonhava em silêncio em se tornar o senhor de todas as coisas, e se baseando nos erros de seu pai, se revoltou contra este. Se armou de uma foice, e foi atrás de Urano. Ao encontrá-lo adormecido, deu um golpe em Urano que o feriu gravemente. Uranos não poderia então ter mais filhos e Cronos tomou o poder. Urano porém o amaldiçoou dizendo “que um dia seus filhos façam a você o que acaba de fazer com seu próprio pai". Cronos libertou das profundezas alguns de seus irmãos, mas lá deixou os gigantes de cem mãos por não confiar neles. O ato de crueldade de Cronos, fez com que muitos deuses ficassem contra ele, e foi em seu reinado que surgiu o mal no mundo.
Cronos se casou com Réia e teve filhos, mas como ele tinha medo de que a profecia se realizasse, começou a devorar seus filhos, mas Réia escondeu o mais novo Zeus. Zeus depois de mais velho liberta os hecatônquiros e os cíclopes com a ajuda de Gaia, ele sobe o Olimpo e derrota seu pai, depois de muito tempo Zeus da origem a seu filho Hefesto, Hefesto constrói o primeiro mortal que ele deu o nome de Pandora.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

A lenda da criação do mundo - Mitologia Nórdica

A mitologia nórdica é originada nos países chamados escandinavos que abrangem a Suécia, a Dinamarca, a Noruega e a Islândia. As narrativas da Mitologia nórdica estão contidas em duas coleções chamadas as Edas, sendo a mais antiga, uma poesia datada de 1056 e a mais moderna, uma prosa, de 1640.
A narrativa das Edas conta que, no princípio, não havia nem céu nem terra, apenas uma enorme abismo sem fundo e um mundo de vapor, no qual flutuava uma fonte. Dessa fonte surgiram doze rios que, após longa viagem, congelaram-se e com o acúmulo das camadas de gelo umas sobre as outras, o abismo se encheu.
Ao sul desse mundo de vapor, havia um mundo de luz, que soprando vapores quentes, derreteu o gelo que havia se formado. Esses vapores, ao elevarem-se no ar, formaram nuvens e destas surgiu Ymir, o gelo gigante e sua geração. Surgiu, também, a vaca Audumbla, que alimentou o gigante com seu leite e alimentava-se da água e sal contidos no gelo. Certo dia, quando a vaca lambia o gelo, surgiu o cabelo de um homem; no segundo dia, a cabeça e no terceiro, todo o corpo, com grande beleza, força e agilidade.
O novo ser era um deus e dele e de sua esposa surgiram Odin, Vili e Ve, que mataram o gigante Ymir. Com o corpo do gigante morto, fizeram a terra, com o sangue, os mares, com os ossos ergueram as montanhas, dos cabelos fizeram as árvores, com o crânio fizeram o céu e o cérebro tornou-se as nuvens carregadas de neve e granizo. A moradia dos homens foi formada pela testa de Ymir e ficou conhecida como Midgard ou terra média.
Odin criou os períodos do dia e da noite e as estações, colocando o Sol e a Lua no céu e definindo seus cursos. Tão logo o Sol lançou seus raios sobre a Terra, fez-lhe nascerem os vegetais. Logo após a criação do mundo, os deuses passearam junto ao mar, satisfeitos pela obra realizada, mas que ainda faltavam os seres humanos. Assim, pegaram um freixo (grande árvore) e criaram o homem, chamando-o de Aske e de um amieiro (árvore ornamental) fizeram a mulher e lhe chamaram de Embla. Odin deu-lhes a vida e a alma, Vili, a razão e o movimento e Ve, os sentidos, a fisionomia expressiva e o dom da palavra. A Midgard foi dada a eles e assim, se tornaram os progenitores da raça humana.
Asgard é a morada dos deuses e, para se chegar lá, é necessário atravessar a ponte Bifrost (arco-íris). O lugar consiste de palácios de ouro e prata, moradia dos deuses, mas o mais belo de todos é o Valhala, moradia de Odin, de onde ele avista todo o céu e toda a Terra. Sobre seus ombros ficam os corvos Hugin e Munin que voam sobre a Terra durante todo o dia e, à noite contam a ele tudo que viram e ouviram. Odin foi o criador dos caracteres rúnicos, com os quais as Norns gravam os destinos.
Odin, frequentemente chamado de Alfadur (todo pai) era tido, muitas vezes, pelos escandinavos, como filho de uma divindade superior a ele, não criada e eterna.

domingo, 2 de fevereiro de 2025

A lenda da criação do mundo - Mitologia Chinesa

Diz a lenda chinesa sobre a criação do mundo que, no início, não havia nada além do vazio chamado Dao. E do Dao criou-se um ovo negro, que foi chocado por dezoito mil anos. Dentro deste ovo, Yin, Yang e Panku coexistiram em um estado de unicidade por todo este tempo.
Com muita determinação, Panku rompeu a casca do ovo e foi criado o Universo. Yin, mais pesado, foi para baixo e formou a Terra. Yang, mais leve, subiu e formou o Céu. Panku, assustado com sua criação, rapidamente afastou as pernas e ergueu os braços, segurando Céu e Terra e impedindo que eles voltassem a se unir. Depois de dezoito mil anos, Panku descansou.
Sua respiração tornou-se o vento; sua voz, o trovão. Seu olho esquerdo se transformou no Sol e o direito na Lua. Seu corpo deu origem às montanhas e seu sangue formou os rios. Seus músculos deram origem à Terra. Sua barba formou os arbustos e mudas de plantas, e seus pêlos formaram as florestas. Sua pele virou o chão, seus ossos os minerais e sua medula, todas as pedras preciosas. Seu suor caiu como chuva. E todas as pequenas criaturas que viviam em seu corpo, como pulgas, piolhos e pequenas bactérias, foram carregadas pelo vento e deram origem a todos os dez mil seres, que se espalharam pelo mundo.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

A lenda da criação do mundo - Mitologia Egípcia

Conta-se que no inicio nada existia, a não ser um imenso vazio conhecido por Nun, o grande oceano primitivo que um dia será chamada de "Nilo", ao redor deste oceano reinavam o silêncio, as trevas o caos sem fim. Porém de forma misteriosa o oceano começa a se movimentar, despertando de seu sono profundo. Acontece que Nun é assolado por negras tempestades, que fazem suas águas se agitarem de  forma intensa, e de dentro do oceano começa a surgir um pedaço de terra, uma ilha conhecida como monte da criação.
Surge então uma flor de lótus no meio desta ilha, e de dentro da flor surge o deus solar Rá, que ao abrir os olhos inundou o mundo com sua luz radiante, contemplando o imenso vazio que ainda deveria ser totalmente criado. De seus olhos escorre uma lágrima que penetrou no na terra e de onde surgirá mais tarde a humanidade. Depois disto Rá fecharou os olhos e começou a criar os deuses para lhe fazerem companhia. Surgem então Tefnut, deusa da água, Shu, deus do ar, que vão habitar o firmamento, e da união destes surgem Geb, deus da terra e Nut deusa do firmamento.
Quando Geb e Nut nasceram, Shu percebeu que os irmãos estavam unidos e, num ímpeto de fúria, elevou nos braços a sua filha Nut e a suspendeu bem alto, separando-a de Geb, pisando sobre ele. E foi nesse instante que Nut virou o céu, Geb se transformou na terra e o nosso planeta foi criado.
Ainda hoje, durante o dia eles são separados pelo próprio pai - Shu, o poderoso deus do ar. Mas como eles se amam incondicionalmente, todas as noites eles se encontram escondidos de Shu, exatamente quando o sol se apaga ao entardecer. É a deusa Nut que o engole o astro rei para descer vestida de estrelas com o seu corpo nu, para se encontrar com o Geb, criando a escuridão da noite para que o encontro seja secreto. Então, eles se unem a partir de cada crepúsculo.
Em seguida vão surgiu os deuses da primeira geração que serão aqueles que vão habitar a sagrada terra do Egito. são eles as deusas Isis e Néftis, os deuses Osiris e Seth. Sendo Osíris o primogênito, e aquele que veio ao mundo para cumprir o ciclo de vida e morte. Foi também ele o grande deus que ensinarou aos homens, as artes da agricultura e do culto, pois os homens ainda estavam envoltos em sua forma mais bárbara e primitiva de vida, espalhando assim a civilização pelo mundo. Ele também é o primeiro deus a possuir forma humana e reinar sobre as criaturas. Ao seu lado está Isis, sua irmã e esposa, juntos vão reinar as terras entorno do Rio Nilo e aos poucos farão com que o povo prospere. 
Ísis e Osíris tiveram um filho chamado Hórus. Hórus passou a comandar o mundo e abriu o precedente para os faraós que o sucederam.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Criacionismo - A origem da vida e a evolução do homem

A origem do homem e do mundo são duas questões que ocuparam a mente do homem nas mais diversas culturas e tempos históricos. Afinal de contas, a nossa existência e a das coisas que nos rodeiam se deram de que maneira? 
A criação de Adão.
Cena representa episódio do Livro do Gênesis,
onde Deus origina o homem.
(Foto: Michelangelo/Reprodução)
De fato, essa é uma questão complexa e, por isso, ganhou uma gama de respostas que não poderiam ser simplesmente comportadas em um único texto. Entretanto, podemos dar especial destaque sobre os princípios e implicações da chamada teoria criacionista. 
Conceitualmente, o criacionismo é uma forma de explicação sobre a origem do mundo onde se busca atribuir a constituição das coisas à ação de um sujeito criador. Sem dúvida, essa teoria ganhou espaço em diferentes culturas espalhadas pelo mundo e apareceu muito antes que o discurso científico viesse a tratar dessa mesma questão. Nos mais diferentes contextos culturais, temos a elaboração de um mito criacionista capaz de nos revelar interessantes concepções sobre a civilização que o produziu.
Criacionismo na mitologia egípicia
Entre os egípcios havia a crença de que antes do mundo surgir existiam somente as trevas e a chamada “água primordial” (o que faz clara referência ao Rio Nilo). A partir dessa água primordial teria surgido o deus Atum, que deu origem a descendentes responsáveis pela criação dos ares, das terras e do céu. 
Criacionismo na mitologia grega
Na mitologia grega, o mundo seria fruto dos filhos gerados a partir de Caos. Entre todos os descendentes, foi da união de Urano (céu) e Gaia (terra) que o mundo teria surgido.
A a origem do homem ao feito dos titãs Epimeteu e Prometeu. Epimeteu teria criado os homens sem vida, imperfeitos e feitos a partir de um molde de barro. Por compaixão, seu irmão Prometeu resolveu roubar o fogo do deus Vulcano para dar vida à raça humana. 
Criacionismo na mitologia chinesa
Já a mitologia chinesa atribui a criação da raça humana à solidão da deusa Nu Wa, que, ao perceber sua sombra sob as ondas de um rio, resolveu criar seres à sua semelhança.
Criacionismo no cristianismo
O cristianismo adota a Bíblia como fonte explicativa sobre a criação do homem. Segundo a narrativa bíblica, o homem foi concebido depois que Deus criou céus e terra. Também feito a partir do barro, o homem teria ganhado vida quando Deus assoprou o fôlego da vida em suas narinas. Outras religiões contemporâneas e antigas formulam outras explicações, e algumas chegam a ter pontos de explicação bastante semelhantes.
Criacionismo no Judaismo
Uma das mais conhecidas narrativas criacionistas do mundo Ocidental foi instituída pelas religiões judaico-cristãs. O chamado criacionismo bíblico relata que Deus teria feito a terra em sete dias. No primeiro dia teria construído o universo e a Terra. No segundo e no terceiro, estabeleceu os céus, as terras e mares do mundo. Nos dois dias seguintes apareceram os primeiros seres vivos e a separação do dia e da noite. No sexto e último dia, surgiram os demais animais e o homem.

Com o surgimento da teoria evolutiva, muitos passam a criticar sistematicamente as teorias criacionistas e passaram a considerá-las uma espécie de pensamento falso. Em contrapartida, muitos criacionistas passaram a advogar em defesa do Neocriacionismo, teoria onde a vida teria sido atribuída por um ser superior que abriu portas para que todo o processo evolutivo acontecesse. 
A partir dessas disputas, vemos ciência e religião se colocarem em campos de forte oposição. Entretanto, podemos colocar as duas terias em grau de importância equivalente ao admitirmos que ciência e religião possuem grande importância no interior de muitas culturas. Dessa maneira, antes de detrair alguma destas teorias, seria interessante encará-las como formas de interpretação distintas do mundo, sem necessariamente colocar em disputa o alcance de uma verdade absoluta. Pautadas em princípios distintos, criação e evolução podem coexistir no campo de debates desse assunto milenar.

domingo, 14 de janeiro de 2024

Proposta de um calendário de 13 meses de 28 dias cada mês

Inicialmente, lembrarei que o filosófo positivista francês Auguste Comte (1798-1857) lançou uma proposta de reforma do calendário com 13 meses de 28 dias cada mês.
O Calendário Positivista de Comte, elaborado em 1849, além de 13 meses com 28 dias, propõe a alteração do nome dos meses, sugerindo os de importantes personagens da religião, literatura, ciências, filosofia e política: Moisés, Homero, Aristóteles, Arquimedes, César, São Paulo, Carlos Magno, Dante, Gutenberg, Shakespeare, Descartes e Frederico II.
Um calendário de 13 meses com 28 dias cada mês é extremamente fácil de assimilar, memorizar e utilizar. Cria ritmo também para os meses – atualmente, os meses podem ter 28 dias em fevereiro nos anos comuns, 29 dias em fevereiro nos anos bissextos, 30 dias em abril, junho, setembro e novembro e 31 dias em janeiro, março, maio, julho, agosto, outubro e dezembro.
Um detalhe essencial sobre o Calendário Positivista é que se trata de um calendário fixo. Quer dizer que o 365° dia do ano, que seria correspondente ao dia 29 do 13° mês, não cairia nem em um domingo, nem na segunda, terça, quarta, quinta, sexta-feira e nem no sábado. Seria uma data fora da contagem dos 7 dias da semana (Dia A).
Nos anos bissextos, a data que corresponderia a 29  do 2° mês também seria um dia fora da contagem dos 7 dias da semana (Dia B).
Os mayas já sabiam,  o ano tem 13 luas sim. Você mesmo pode fazer a simulação no site solarsystemscope. Nele você escolhe a língua portuguesa, seleciona a visão heliocêntrica e simula fixando um ponto. Depois você conta quantas vezes a lua dá uma volta em torno da terra até o ponto que você fixou e verá que isso ocorre 13 vezes no ano. Portanto, nosso ano tem 13 meses de 28 dias exatos.

sábado, 13 de janeiro de 2024

Á caminho de Santa Rita do Sapucaí

Um dia estava andando pelas ruas de Congonhal-MG com vários dúvidas na cabeça, vivia de pequena renda, já tinha quinze anos e queria ganhar o mundo. Quando passei em frente da rodoviária e decidi entrar, sem pensar, comprei uma passagem para Santa Rita do Sapucaí,também em Minas, meu companheiro Renato, tinha uma loja de móveis lá, dizia que havia uma grande obra, muitos caminhões, estavam construindo uma escola, queria ser caminhoneiro. Em poucas horas, após ter feito baldeação de ônibus e caminhado, estava em outra cidade. 
Desejava desbravar o mundo, a oportunidade surgiu nesta viagem conheci alguns estudantes que se preparavam para o vestibular de ETE "Francisco Moreira da Costa", mochileiros de outras cidades, alguns estrangeiros e decidi que queria ser como eles. Aos 16 anos, fui morar em Santa Rita do Sapucaí-MG onde aprendei a me virar sozinho, tive medo, angústia, mas encontrei coragem para enfrentar o desconhecido.
Havia muita amizade, muitas vidas, muitos destinos diferentes. Histórias que se cruzam num mesmo sonho: o de mudar o mundo. Neste período dirigi a minha vida, as vezes em busca de aventura, como um piloto de corrida que não tinha habilitação, muitas vezes "pisava fundo", ignorando a sinalização, nem quebra-mola nem sinal vermelho me parava não, diversas vezes derrapei, saí da pista, subi na calçada, fui multado quando quis "cortar caminho" pela contramão, mas graças a Deus eu saí inteiro, tomei juízo (não tinha dinheiro para vodca) e hoje não me arrisco mais, tô andando numa estrada nova, nesta viagem estou seguro.
Percorri este caminho muitas vezes, 13696 Km, mas valeu a pena. Sempre fui de carona, perdi a conta de quantas caronas peguei. Bicicleta, moto, táxi, moto-táxi, carro, ônibus e caminhão. Quando pegava carona em carros chegava mais rápidos, dava para almoçar na casa da mamãe. Mesmo assim, gostava de ir com os gigantes da estrada, ia devagar podia observar o caminho, as curvas da estrada, a paisagem, conhecia pessoas que levavam a vida com simplicidade e valorizavam cada segundo. A carona foi se repetindo na minha vida, mais por necessidade do que por aventura, foi assim muita vezes neste caminho entre Santa Rita do Sapucaí e Congonhal. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Eu não sou eu nem sou o outro

Tinha uns seis anos morava em Congonhal, um lugarejo lá em Minas Gerais. Parecia mais um indio do que um moleque. Andava descalço, usava só um calção largo, jogava pedras nos carros que passavam pela rodovia e gostava de tomar banho em rio pelado que corria nas redondezas da cidade.
Um dia, ao voltar para casa, notei certo alvoroço. A avó Maria contou que havia se instalado na cidade um bando de ciganos. Eu nunca havia visto ciganos, só em livros de histórias e em relatos da Rádio Clube de Pouso Alegre.
- Vocês devem tomar cuidado com os ciganos. Ciganas roubam crianças, escondem-nas debaixo da saia, fogem. Nunca mais ninguém as encontra! – falou a avó.
Meu Deus! Que coisa horrivel! Como é que podiam fazer isto? Roubar criança pequena! Com cautela, fui até o portão. Será que havia alguma criança ná rua enquanto os ciganos estavam na cidade? Foi quando avistei Rogério meu amigo de escola.
- Rogério, sabia que tem ciganos na cidade?
- Sei. Até já fiz amizade com eles quando passaram na frente de casa. Conheci uma ciganinha linda, ela se chama Elaine, usa vestido bem comprido, rodado e colorido. Também usa muitas pulseiras, colares e brincos. Seu pai tem dente de ouro, sabia...
Apesar do medo, meu rosto se iluminou como quem está prestes a ver uma assombração.
- Minha avó Maria disse que eles roubam crianças.
- Minha avó Mércia também. Disse pra tomar cuidado. Quando ver uma cigana, devo fugir.
- Rogério, a gente podia ir ali pertinho, eles estão no bairro do Cruzeiro, só espiar.
Não falamos mais nada. Com o coração aos pulos, fomos até a venda do Fifico, de onde avistamos enormes barracas. Nunca tinhamos visto barracas tão grandes. Os olhos arregalaram-se e ficamos observando. As lonas laterais estavam levantadas, conseguimos ver o movimento de mulheres e meninas, todas vestidas de uma maneira estranhamente linda. Tranças negras, saias floridas, muitos enfeites. As crianças brincavam correndo ao redor das barracas. Não se podia entender o que diziam, mas falavam alto, alguns cantavam. Ficamos ali por um bom tempo, sentido o medo e o prazer de desvendar um outro mundo, totalmente desconhecido para nós. Lembro que o Rogério comentou baixinho:
- Será que estas crianças foram roubadas?
- Não, acho que não. As crianças estão alegres, estão brincando e parecem felizes.

O tempo passou sem que percebessemos, até que começou a escurecer, corremos de volta para casa. Cheguei toda esbaforido, minha avó Maria indagou, por onde havia andado? Sem saber explicar por que, sentiu uma vontade de contar o que realmente gostaria que tivesse acontecido:
- Vó, a senhora nem sabe! Eu e o Rogério estávamos brincando e uma ciganinha veio falar conosco. Ela nos convidou para ir até a barraca dela. Ela foi muito boazinha, até serviu um bolo de fubá. A barraca é muito linda, tem muitos tapetes coloridos, a gente senta no chão. A ciganinha, ela chama Elaine,  nos mostrou os vestidos dela, são de um pano bem fininho e lisinho. Uns tem brilho, outros são transparentes. Muitas pulseiras, colares e brincos, todos de ouro. Ela guarda tudo em um baú enorme com dobradiças de ferro. A mãe da ciganinha convidou agente para ir lá amanhã.
Foi aí que tudo aconteçeu. Eu era gordinho, cabelo preto liso, bochechas coradas, dedo gordo, as pernas tinham dobras. Fui criado até os cinco anos no sitio Nossa Senhora Aparecida á um nove quilômetros de congonhal, comia legumes frescos, carne de porco, arroz e feijão feito em banha de porco. Se ficava doente, com verme, era atendido no postinho pela Rita ou pelo Dr. Sebastião, tinha saúde.

Já os ciganos não tinham endereço fixo, documentos, conta em banco, carteira assinada nem história. A vida deles passava despercebida, como se não existisse. A única certeza é que nunca faltava a eles preconceito e ignorância, medo e fascínio, injustiças e alegrias ao longo de sua interminável jornada. A história dos ciganos é toda baseada em suposições pois lhe faltam documentos. Os ciganos são um povo sem escrita. Eles nunca deixaram nenhum registro que pudesse explicar suas origens e seus costumes. Suas tradições são transmitidas oralmente. A dificuldade em se fixar, o conceito quase inexistente de propriedade e a forma com que lidam com a morte – eliminando todos os pertences do falecido – dificultam ainda mais o conhecimento exato de sua história. Este grupo que ali estava, onde conheci Elaine, veio de algum lugar entre a Bolívia e a Argentina, mas ela foi registrada no Brasil. Sua familia nômade, atravessou diversos países da América do Sul, e naquela época ainda não havia ido à escola, embora já tivesse cerca de dez anos de idade.

Ela tinha um irmão, tinha também cerca de seis anos, era baixinho, franzino, cabeçudo, cabelo escorrido, barrigudo, com certeza não sobreviveria á um inverno mais rigoroso.

E não é que os ciganos me trocaram, levaram o Sinésio gordinho e corado e deixaram no lugar o Cigano magrinho e barrigudinho. Meu pai até que foi atrás dos ciganos mais nada encontrou. Ficou comigo mesmo. Portanto eu não sou eu nem sou o outro. Eu não sou eu nem sou o outro, sou qualquer coisa de intermédio. Pilar da ponte de tédio que vai de mim para o outro.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Minha carreira artística foi breve, muito breve.

Na primeira apresentação pública, se encerou minha promissora carreira como baterista. Após anos de ensaios, lesões nas mãos, denúncia do vizinho que disse ao delegado que eu surrava o instrumento da maneira que podia. Disse outra vez que tinha a impressão de que eu estava fazendo uma reforma no prédio; derrubando paredes e rompendo o silêncio; quebrando tudo; encheu de policia na rua; uma maravilha!!!



Foram diversas idas a delegacia por infração da lei de proteção contra a poluição sonora, mas naquele dia eu perspicaz baterista mineiro, iria finalmente realizar a Estréia ou Première, (do Frances), era minha primeira exibição, havia sido promovido de Staff para Baterista substituto.


A apresentação musical da banda ABANDONI com o novo baterista Sinésio prometia ser a primeira de muitas, havia planos. Na barraca do Diretório Acadêmico do INATEL na quermesse da paróquia de Santa Rita do Sapucaí já havia passado SKANK, JOTA QUEST, ALMA AZUL, e tantas outras banda não tão famosas, mas agora era a vez da ABANDONI.
Não foi exatamente um grande evento cultural com acontecimentos extravagantes, não havia atraindo um grande número de personalidades da vida social, não estava presente colunáveis, também não atraiu a atenção das mídias (Jornal, Revista, TV), mas ainda assim era uma estréia e quando chegou o momento algo deu errado.


Tropecei e cai aparatosamente atrás do palco, fora da Barraca, mas recompus-se e apareci pela entrada junto ao público, subi novamente ao palco e finalizei a interpretação de Moby Dick do Led Zeppelin na apresentação com a banda “Abandoni” na qual havia sido promovido de Staff para Baterista substituto.
"Agradeci as palmas", amparado pelo guitarrista Marcelo, que correu em meu auxílio após a queda. Encerrou aí minha carreira como baterista, não participei dos próximos shows, não gravei álbum, fui destituído.
"Moby Dick" é uma música instrumental com solo de bateria da banda inglesa de rock Led Zeppelin. A banda era composta pelo guitarrista Jimmy Page, o baterista John Bonham e o baixista John Paul Jones.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Já sobrevivi a vários fins do mundo

Vou dizer uma só coisa: Já sobrevivi a vários fins do mundo e vou sobreviver ao próximo!

A primeira vez que sobrevivi ao fim do mundo foi quando eu tinha 6 ou 7 anos de idade, no ano de 1979 ou de 1980, não sei ao certo. Teve um eclipse total do sol, o que foi o suficiente pras pessoas acharem que o mundo estava acabando. Eu lembro de algunas imagens porque daquela época é difícil lembrar de deta...lhes, mas acho que me lembro porque foi uma coisa marcante. Me lembro de muitas pessoas saírem na rua, histéricas, e minha tia ajoelhada rezando sem parar. Era dia e estava escuro como se fosse meia noite. Eu lembro que eu fiquei chamando a minha mãe pra dormir porque pensei que já era noite. Enfim, o eclipse passou, o mundo não acabou e minha vida continuou!



A segunda vez foi em 1986, este fim do mundo coincidia com a passagem do Cometa Halley. Eu estava de prontidão para o fim do mundo de 1986. Na Tv era assunto diário, especialistas, ufólogos! Comprei a lancheirinha do cometa, comprei revistinhas do Mauricio de Souza, comprei o iogurte do cometa da Batavo,  comprei a bolacha do cometa com formato de cometa, estrela, lua! Nesta época, ouvi conselhos de uma legião de astrônomos profissionais e amadores sobre como se comportar após a passagem do cometa Halley. Acreditava que o fim do mundo seria um dos mais esplêndidos espetáculos celestes, a verdade seria revelada e iria desvendar todos os seus segredos.

A terceira vez foi em 1999, quando houve o alinhamento dos planetas e foi anunciado que seria o fim do mundo. Lembro direitinho porque eu fiquei acordado só na expectativa do fim dos tempos, na sala assistindo “Jornal da Globo” esperando Noticias do fim do mundo, nada aonteceu, no entanto a Globo passou no "Corujão" o filme Hair e a música fazia todo sentido para o momento. Era realmente o fim. Sei lá, acho que o sensacionalismo contribuiu muito com isso. Vi notícias de jornal que eram absurdas, como a de um fazendeiro que matou todo o rebanho, estocou comida e se trancou com a família dentro de casa e atirava em quem se aproximasse da casa dele, pois estavam aguardando o fim do mundo. Vi notícias de pessoas com medo do fim do mundo e que não queriam esperar a catástrofe chegar. Sem falar nas escolas fechando e gente fazendo sexo porque não queria morrer virgem. Enfim, a noite passou, o filme acabou e outro começou, o dia clareou, o mundo não acabou e minha vida continuou!

Agora em 12 de dezembro de 2012 estava esperando o fim do mundo, desta vez acompanhando as noticias pelo Facebook, este fim do mundo seria muito pior que o fins do mundo previstos anteriormente. No entanto este fim do mundo já deveria ter começado em paises com fuso horario mais adiantado e o que aconteceu até agora?

- Nada, nadica de nada!

Como Adriana Calcanhoto, acreditei nessa conversa mole, pensei que o mundo ia se acabar, fui tratando de me despedir, sem demora fui tratando de aproveitar, beijei a bôca de quem não devia, peguei na mão de quem não conhecia, dancei um samba em traje de maiô e o tal do mundo não se acabou...

E agora como fica meus direitos pois como bom cidadão estourei o limite do meu cartão de credito, fiz diversas dividas, comprei TV de LED 3D, coloquei pneus no carro, comprei um Ifhone 5, etc...
E agora se o mundo não acabar até á meia noite vou entrar 2013 devendo até as cuecas. O povo deveria entrar com um processo contra os MAIAS por propaganda enganosa e fraudulenta. Bom já que o mundo não acabou só me resta sei la vou redefinir meus projetos.