domingo, 9 de abril de 2017

Movimentos Nativistas - 1661 - Revolta da Cachaça

Para evitar concorrência do monopólio português de vinho e aguardente, em 1647 cria-se a Carta Régia que impedia a comercialização destes produtos fora do domínio português. Entretanto, o documento abria exceção à produção de cana-de-açúcar no estado do Pernambuco, onde o aguardente era comercializado pelos escravos.
Após a expulsão definitiva dos holandeses, em 1654, a produção açucareira teve uma brusca queda. Os fazendeiros, então, decidiram explorar a cana produzida no Nordeste, o que contrariava os interesses dos portugueses em obrigar a importação de uma bebida criada com os bagaços da uva (bagaceira). Em 1659, Portugal endossou a proibição da cana e ameaçou deportar e prender escravos e fazendeiros que não cumprissem suas exigências.
No Rio de Janeiro, o governador Salvador Correia de Sá permitiu a comercialização da cana, já que o estado era um dos maiores produtores de cachaça. Entretanto, decidiu cobrar imposto sobre a produção. Em 31 de janeiro de 1660, os vereadores aprovaram o projeto de lei, usando-a como alternativa econômica para a crise do açúcar que se instalara.
Porém, os fazendeiros continuavam insatisfeitos. Acharam que a Coroa queria obter uma grande margem de lucro com os tributos e organizaram um motim na região da Baía de Guanabara, onde hoje situam-se as cidades de Niterói e São Gonçalo.
Os revoltosos conseguiram posse de armamentos e invadiram as residências das autoridades locais. Eles exigiam o fim das taxas e a devolução dos impostos cobrados. Cerca de 110 senhores de engenho organizavam reuniões na fazenda de Jerônimo Barbalho Menezes de Bezerra e, no dia 8 de novembro de 1660, sob sua liderança, incitaram a população a se reunir na Câmara da Baía de Guanabara. Neste momento, o governador Salvador de Sá estava ausente devido a uma visita a São Paulo; em seu lugar, estava seu tio Tomé de Sousa Alvarenga.
Mesmo assim, não hesitaram em prender Alvarenga e deportá-lo para Portugal. Em seu lugar, exigiram que Agostinho Barbalho fosse governador. Sem acatar o pedido dos revoltosos, refugiou-se no Mosteiro de São Francisco, de onde foi arrancado à força.
Como governador, Barbalho mostrou-se favorável à família Sá e conseguiu o reconhecimento efetivo de seu cargo por Salvador de Sá. Indignados com as decisões dele, os revoltosos conduziram seu irmão Jerônimo Barbalho ao cargo de governador. Acatando a vontade dos revoltosos, Jerônimo exerceu um mandato autoritário, perseguindo os jesuítas que apoiavam a família Sá.
Em 6 de abril de 1661, o ex-governador Salvador de Sá articula uma investida com o apoio de tropas baianas, enfrentando os revoltosos sem resistência. Salvador de Sá ordena a prisão de todos eles e o enforcamento de Jerônimo Barbalho, expondo sua cabeça decapitada em praça pública.
A Coroa portuguesa repudia o ato violento de Sá e manda soltar todos os presos revoltosos. Em 1661, finalmente, a regente Luísa Gusmão considera legal a produção da cachaça no Brasil e legitima o episódio conhecido como Revolta da Cachaça.

sábado, 8 de abril de 2017

Revoltas do Brasil - 1645 - Insurreição Pernambucana

Revolta da população nordestina (a partir de 1645) contra o domínio holandês. Sob iniciativa dos senhores de engenho, os colonos foram mobilizados para lutarem. As batalhas das Tabocas e de Guararapes enfraqueceram o poderio dos invasores europeus. Até que, na batalha de Campina de Taborda, em 1654, os holandeses foram derrotados e expulsos do País.
Batalha de Guararapes, obra do pintor
brasileiro Victor Meirelles de Lima (1879)
A Insurreição Pernambucana ocorreu no contexto da ocupação holandesa na região Nordeste do Brasil, em meados do século XVII. Ela representou uma ação de confronto com os holandeses por parte dos portugueses, comandados principalmente por João Fernandes Vieira, um próspero senhor de engenho de Pernambuco. Nessa luta contra os holandeses, os portugueses contaram com o importante auxílio de alguns africanos libertos e também de índios potiguares.
A oposição dos portugueses aos holandeses ocorreu em decorrência da intensificação da cobrança de impostos e também da cobrança dos empréstimos realizados pelos senhores de engenho de origem portuguesa com os banqueiros holandeses e com a Companhia das Índias Ocidentais, empresa que administrava as possessões holandesas fora da Europa.
Outro fato que acirrou a rivalidade entre portugueses e holandeses foi a questão religiosa. Boa parte dos holandeses que estava na região de Recife e Olinda era formada por judeus ou protestantes. Nesse contexto religioso que trazia as consequências da Reforma e da Contrarreforma para solo americano, o catolicismo professado pelos portugueses era mais um elemento de estímulo para expulsar os holandeses do local.
Os conflitos iniciaram-se em maio de 1645, após o regresso de Maurício de Nassau à Holanda. As tropas comandadas por João Fernandes Vieira receberam o apoio de Antônio Felipe Camarão, índio potiguar conhecido como Poti que auxiliou no combate aos holandeses junto a centenas de índios sob seu comando. Outro auxílio recebido veio do africano liberto Henrique Dias. A Batalha do Monte Tabocas foi o principal enfrentamento ocorrido nesse início da Insurreição. Os portugueses conseguiram infligir uma retumbante derrota aos holandeses, garantindo uma elevação da moral para a continuidade dos conflitos. Além disso, os insurrectos receberam apoio de tropas vindas principalmente da Bahia.
Outro componente envolvido na Insurreição Pernambucana estava ligado às disputas que havia entre vários países europeus à época. Durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), os espanhóis estavam em confronto com os holandeses pelos territórios dos Países Baixos. Era ainda o período da União Ibérica, em que o Reino Português estava subjugado ao Reino Espanhol.
Nesse sentido, a posição holandesa em relação a Portugal era dúbia.  Em solo europeu, os holandeses apoiavam os portugueses contra o domínio espanhol, mas, ao mesmo tempo, ocupavam territórios portugueses na África Ocidental e no Brasil, sendo que além da região pernambucana, os holandeses tentaram ainda conquistar algumas localidades no Maranhão e em Sergipe.
No início de 1648, Holanda e Espanha selaram a paz, e os espanhóis aceitaram entregar aos holandeses as terras tomadas pelos insurrectos portugueses em Pernambuco. Frente a tal situação, o conflito continuou. Em Abril de 1648, ocorreu a primeira Batalha dos Guararapes, em que os holandeses sofreram dura derrota, abrindo caminho para o ressurgimento do domínio português a partir de 1654.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Movimentos Nativistas - 1641 - Aclamação de Amador Bueno da Ribeira

Foi um protesto contra o fim do comércio com a região do Rio da Prata, provocado pela Restauração Portuguesa, bem como, contra repressão à escravidão indígena. A população aclamou o comerciante Amador Bueno da Ribeira como Rei da Vila de São Paulo, que se recusou a participar do movimento. Dias depois, as autoridades pacificaram a população.
Aclamação de Amador Bueno como Rei de São Paulo.
No período da colonização, devido ao tamanho território brasileiro, os portugueses não tinham domínio absoluto em diversas regiões do país. Neste contexto, a União Ibérica (união das dinastias de Portugal e de Espanha pós Guerra da Sucessão Portuguesa) obteve o controle de grande parte do território brasileiro favorecendo os espanhóis. Porém, no ano de 1640, ocorre o fim da União Ibérica e os portugueses exigem novamente o controle total da colônia.
Os paulistas, que na época mantinham relações comerciais com os espanhóis no que se refere à escravização indígena e contrabando na área do Rio da Prata, ficaram apreensivos com possíveis medidas da corte portuguesa que viessem a interromper estas atividades. Naquela época, os portugueses lucravam mais com os navios negreiros africanos do que com a escravização de índios. Após a dominação completa da Coroa de Portugal, o povo de São Paulo deveria recrutar apenas os negros para o trabalho escravo. Porém, isso iria aumentar as despesas dos paulistas, que não tinham envolvimento com o tráfico que ocorria ao longo do litoral.
Percebendo que tal medida não iria favorecer o comércio, os paulistas iniciaram uma rebelião e optaram pela formação de um Estado independente da coroa portuguesa no intuito de manter as relações com os espanhóis. Como líder do levante, o povo escolheu Amador Bueno da Ribeira, homem de posses e envolvido com os bandeirantes da cidade. Então, Amador Bueno foi aclamado rei da província pelos moradores. Contrários à escravização dos índios, os jesuítas entraram em conflito com os paulistas e foram expulsos da Vila de São Paulo.
Sabendo que uma insurreição contra a Coroa de Portugal prejudicaria ainda mais o desenvolvimento comercial da Vila de São Paulo e causaria uma violenta represália organizada por D. João IV, Amador Bueno recusou-se a aceitar a liderança da região para torná-la autônoma e acabou sofrendo uma perseguição por parte dos manifestantes.
Amador Bueno fugiu para o Mosteiro São Bento, onde se juntou aos jesuítas e jurou ser fiel ao rei D. João IV. Visto o forte poderio militar das tropas portuguesas e a recusa de Amador Bueno, o povo de São Paulo acabou por aceitar ser subordinado aos portugueses. Porém, apesar da inércia do levante, o movimento do povo de São Paulo foi lembrado um século depois com a declaração de D. Pedro I, que tornou o Brasil independente.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Revoltas no Brasil - 1612 - França Equinocial

Em 1612, os franceses novamente tentaram invadir o Brasil, chegando pelo litoral nordestino e se fixando no atual estado do Maranhão, onde fundaram a cidade de São Luís e formaram uma nova colônia que ficaria conhecida como França Equinocial.
Os franceses conseguiram manter uma sociedade pacífica por cerca de um ano no Maranhão e pediram reforços de sua terra natal para conquistarem de vez o Nordeste brasileiro. Em outubro de 1614, os portugueses, que haviam dominado a região do Ceará, formaram o Forte de Santa Maria, em Guaxenduba, com o objetivo de expulsar de vez os franceses da região. Apesar de estarem em maior número, os franceses armaram uma investida, mas foram amplamente derrotados pelos colonos.
Para assegurar a partida definitiva dos invasores, os portugueses enviam centenas de combatentes para invadir os assentamentos franceses, em novembro de 1615. Sem forças para se defender, os franceses se rendem e desistem de conquistar o território brasileiro.

França Equinocial foi o nome dado ao projeto de colonização francesa da atual São Luís, capital do estado do Maranhão, no início do século XVII. Apesar da breve existência, a empreitada levou à fundação da cidade maranhense, única capital brasileira fundada por outro povo europeu senão o português. Seu nome, aliás, é uma homenagem a Luís IX, rei e santo de origem francesa.
O projeto da França Equinocial começa em 1611, numa associação entre comerciantes e nobres, que vislumbraram uma colônia no nordeste do Brasil, em um vasto território ainda não ocupado pelos portugueses. Com a aprovação do rei Luís XIII, foi organizada uma expedição, comandada por Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardière, que já andara pelo litoral da atual Guiana, em viagem de exploração em 1604.
As "vantagens" de colonização do Maranhão eram propagadas desde 1594, quando alguns náufragos franceses, liderados por Jacques Riffault, se estabeleceram na região. Outro francês, Charles des Vaux, aprisionado no Ceará, regressou à França e difundiu a ideia de que se criasse uma colônia francesa no litoral.
A trajetória da França Equinocial pode ser dividida em duas fases distintas. Na primeira, organizou-se o reconhecimento da área, sob supervisão de La Ravardière, com o apoio de Francisco de Rasilly, Senhor des Aumels, Nicolau de Harlay de Sancy, Barão de la Molle e de Gros-Bois. Essa inspeção ajudaria na construção de um forte e na manutenção de um convívio pacífico com os índígenas, para que a segunda fase, a ocupação com colonos, fosse implementada. A expedição era composta por três navios, cuja tripulação era basicamente de voluntários, muitos deles fidalgos e aventureiros, além de quatro padres capuchinhos, além de um português e alguns índios, que estavam em degredo na ilha de Fernando de Noronha.
Assim, a bandeira francesa foi hasteada pela primeira vez no Maranhão, em meio aos Tupinambás. La Ravardière regressou à França seis meses depois, pondo fim à primeira fase da França Equinocial.
No dia 19 de março de 1612 zarpara de Cancale, na Bretanha, uma frota composta por três navios: La Régente, comandado por La Ravardière, auxiliado por Rasilly; Charlotte, com o Barão de Sancy e a nau Sante-Anne, com o irmão de Rasilly. Dois meses depois era construído o forte São Luís, núcleo inicial da futura cidade.
Os primeiros momentos da colônia foram de tranquilidade. Logo, porém, Portugal e Espanha procuraram reagir ante a ameaça de perderam parte de sua colônia. Uma expedição comandada por Jerônimo de Albuquerque, com centenas de portugueses, brasileiros e indígenas foi enviada para retomar a área.
As lutas, porém, não resultaram em vitória clara para qualquer dos lados. No dia 3 de novembro de 1615, La Ravardière, vendo que não havia possibilidade de encontrar uma maneira diplomática para resolver o assunto, e sabendo de sua inferioridade em homens e material bélico, rende-se ao chefe português. Era o fim do segundo projeto de colonização francesa no Brasil.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Revoltas do Brasil - 1586 - Guerra dos Potiguares

A Guerra dos Potiguares aconteceu entre 1586 e 1599, mas os conflitos tiveram início tão logo foi criado o regime de capitanias hereditárias, em 1535, quando os portugueses começaram a implementar uma política de ocupação de terra.
A dança dos Tapuias (168x294cm) a maior e mais famosa obra de Eckhout
retrata um ritual dos índios Tarairius, nativos das terras
da Paraíba e do Rio Grande do Norte.
Foi um fracasso a primeira expedição, ocorrida em 1536, para ocupar duas capitanias onde hoje estão Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Maranhão.
Eram 10 navios conduzindo 900 soldados, que partiram de Pernambuco para fundar uma colônia na foz do Rio Grande, hoje Natal. Lá chegando, foram expulsos pelos índios potiguares com dezenas de baixas.
Era forte a reação dos potiguares à presença branca, mesmo depois que os portugueses conseguiram criar um arraial no Rio Grande, provavelmente em 1582.
A partir do povoado, os soldados passaram a realizar expedições contra as aldeias e somente numa delas foram mortos e cativos mais de 1.500 índios.
Por seu lado, os potiguares promoviam freqüentes ataques ao arraial, muitas vezes com cerco que duravam várias dias.
Os jesuítas, que já faziam trabalho de catequese na região, insistiam para que as duas partes negociassem um tratado de paz.
Essa oportunidade aconteceu com a prisão do líder Ilha Grande. Ele concordou em procurar outros chefes potiguares do Rio Grande, que foram até a fortaleza e fizeram as pazes.
Em julho de 1599 foi a vez de celebrar as pazes com os índios potiguares que viviam no interior, possibilitando a fundação da cidade do Rio Grande em dezembro do mesmo ano.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Revoltas do Brasil - 1562 - Confederação dos Tamoios

A primeira rebelião de que se tem notícia foi uma revolta de uma coligação de tribos indígenas - com o apoio dos franceses que haviam fundado a França Antártica - contra os portugueses. O movimento foi pacificado pelos padres jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta.
Confederação dos Tamoios - Os dois lados comemoraram
o tratado, porém a paz durou pouco: os índios foram traídos.
Os tupinambás ocupavam a região litoral norte paulista, onde hoje fica situada a cidade de Bertioga, passando pelo litoral fluminense até a cidade do Cabo Frio.
Os portugueses procuravam alguma maneira de se infiltrar nas aldeias indígenas, participando de suas decisões através do ato conhecido como cunhadismo. Ou seja, os portugueses se casavam com as índias e, automaticamente, faziam parte da tribo.
Aproveitando dessa prática, João Ramalho, parceiro do governador da Capitania de São Vicente, Brás Cubas, casou-se com uma filha da tribo dos guaianases. Através dessa parceria, eles comandaram um ataque à aldeia dos tupinambás, na tentativa de aprisioná-los e usá-los como mão-de-obra escrava. Eles capturaram o chefe da tribo, Caiçuru, e o mantiveram em um cativeiro no território do governador Brás Cubas.
Preso em péssimas condições de sobrevivência, o tupinambá Caiçuru acabou morrendo no cativeiro. Seu filho, Aimberê, assumiu o comando da tribo e declarou guerra aos colonos portugueses e à tribo dos guaianases. Para fortalecer o levante, ele se reuniu com os membros tupinambás Pindobuçu, da Baía de Guanabara, Koakira, da aldeia de Ubatuba, e Cunhambembe, de Angra dos Reis.
Cunhambembe assumiu a liderança da Confederação dos Tamoios (que vem do tupi Tamuya, que quer dizer "o mais antigo") e conseguiu o apoio das tribos goitacases e aimorés. Neste momento, os franceses estavam chegando no Rio de Janeiro, na intenção de colonizar territórios brasileiros e extrair suas tão faladas riquezas.
Para patrocinar o conflito contra os portugueses, o francês Villegaignon ajuda os tupinambás oferecendo armamentos a Cunhambembe. Porém, uma epidemia dizimou alguns indígenas combatentes, inclusive o líder Cunhambembe, enfraquecendo enormemente o levante.
Aimberê continuou a revolta contra os portugueses e fez o possível para que os guaianases lutassem a seu favor. Ele fez contato com o líder Tibiriçá, através do sobrinho Jagoanharó, e marcou um encontro para selar a Confederação. Quando os tamoios chegaram na aldeia, Tibiriçá se declarou fiel aos portugueses e matou seu sobrinho, suscitando em uma investida que dizimou grande parte da tribo dos guaianases.
Apesar de algumas tréguas, os portugueses se fortaleceram e continuaram a invasão às aldeias para escravizar e aprisionar os índios.
Um breve período de paz aconteceu após a “assinatura” do tratado. Tudo que é bom dura pouco e um ano depois das negociações os portugueses romperam o acordo, voltando a sujeitar os índios capturados a trabalhos escravos, com isto a guerra começou onde tinha acabado um ano antes, em Iperoig. Lá houve a invasão das duas aldeias de Coaquira, que foi morto. Depois destruíram as de Araraí.
Os portugueses não só escravizavam para os engenhos, mas também para as expedições de ouro.
Anchieta por determinação da Coroa muda seus interesses, e inflama o governador geral do Brasil, Men de Sá na sua empreitada de retomar seus interesses patrimoniais. O governador cria o Comando das Operações de Extermínio dos Confederados, de forma a liquidar o poder que os índios haviam conquistados de forma diplomática.
No dia 8 de janeiro de 1567, com o reforço de três galeões vindos de Portugal e dois navios de guerra bem armados, Men de Sá dá inicio a chacina. A matança foi encerrada no dia 20 de janeiro do mesmo ano, dando por fim a cruzada contra os índios. Ao que se sabe, os Tamoio nunca cederam à quebra do tratado, mantiveram-se fiéis ao que tinha sido acordado com os “pêros” e aos “mairs” - franceses que mantinham um melhor relacionamento com os índios do litoral.
Men de Sá, que solicitou a intervenção de um tratado, agora massacrou os índios que a muito tempo foram considerados os “Filhos da Terra”, que eram homens destemidos, indomáveis na guerra, mas de palavra, sensíveis às negociações, compreensivos no trato dos acordos.
O massacre é pouco divulgado, mas quem procura saber da história descobre a traição dos “pêros”. O Tratado de Paz passou a figurar na História do Brasil como a “Paz de Iperoig”, o primeiro tratado de Paz das Américas e o primeiro trabalho de acordo concluídos em terras americanas, que assim pode ser entendida na iniciativa de seu destino histórico: marco inicial da generosa política brasileira de resolver pendências através de tratados, na mesa, no caso especifico - na Óca das conferências.
Em 1567, a chegada de Estácio de Sá ao território do Rio de Janeiro provocou a expulsão dos franceses e dos tamoios, encerrando o conflito. Após este episódio, os portugueses chegaram a conclusão de que era praticamente impossível escravizar indígenas e decidiram importar escravos de navios negreiros africanos.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Revoltas do Brasil - 1555 - Guerra dos Aimorés

A Guerra dos Aimorés foi um conflito entre colonizadores e ameríndios que ocorreu entre os anos de 1555 e 1673 nos territórios atuais da Bahia e do Espírito Santo. 
Foi resultado de conflitos iniciais de tentativa de escravização das populações indígenas e das entradas e bandeiras para extração e ocupação. Fernão de Sá, comandando bandeira no território capixaba, lutava contra os aimorés, cujos hábitos nômades os espalhavam desde as bacias dos rios Jaguaripe e Paraguaçu aos atuais municípios de Ilhéus e Porto Seguro. 
A Batalha do Cricaré foi a primeira de uma série de batalhas entre portugueses e índios brasileiros da região da Capitania do Espírito Santo que, posteriormente, ficou conhecida como Guerra dos Aimorés. Ocorreu na confluência dos rios São Mateus e Mariricu, nas proximidades do então povoado do Cricaré, atualmente município de São Mateus. O combate foi travado no ano de 1557 e tinha por objetivo livrar Vasco Fernandes Coutinho, donatário da Capitania do Espírito Santo, e seus homens, do risco de ataque dos nativos.
Chegada Portugueses - Prainha, em Vila Velha.
Seis embarcações e aproximadamente duzentos homens saíram de Porto Seguro rumo ao Povoado do Cricaré e combateram os índios que se defendiam em três fortificações. Após terem destruído duas fortificações, o ataque português perdeu força e tiveram que bater em retirada. A batalha culminou com a morte do principal comandante da batalha, Fernão de Sá, filho do então Governador Geral do Brasil, Mem de Sá.
Os aimorés venceram e as feitorias do bandeirantes foram destruídas por volta de 1558.

domingo, 2 de abril de 2017

Revoltas no Brasil - 1555 - França Antártica

A França Antártica foi uma colônia criada pelos franceses, no Rio de Janeiro. Ela existiu de 1555 a 1560, quando o restante dos franceses foram derrotados pelos portugueses.
Em 1554, um francês chamado Nicolas Durand de Villegagnon visitou secretamente a região costeira do Brasil, em Cabo Frio, onde geralmente outros franceses, seus companheiros, praticavam o escambo. Obteve informações com os índios Tamoios a respeito dos portugueses. O seu objetivo era preparar uma futura expedição com o intuito de estabelecer lá uma colônia francesa. O local seria a baía de Guanabara, e o projeto era torná-la uma grande base militar e naval para que a França pudesse estabelecer o controle do comércio com as índias. Nesta visita, estabeleceu boas relações com os índios Tamoios e os Tupinambás, e acabou recolhendo uma boa carga que lhe foi fonte de lucro ao chegar na França. Ao chegar lá, convenceu o Rei a criar uma colônia francesa na costa do Brasil.
No mesmo ano o Rei ordenou a Gaspar de Colighy que organizasse uma expedição secreta ao Brasil, a qual seria comandada por Villegagnon. Este percorreu as prisões do norte da França em busca de tripulantes para ajudá-lo, em troca da liberdade.
Deste modo, em novembro de 1555 uma expedição comandada por Villegagnon chegou à Baía de Guanabara e implantou uma colônia francesa, a França Antártica. Os franceses acabaram por construir um forte na Baía de Guanabara, região ainda não colonizada pelos portugueses, que ficou conhecido como Forte Coligny. O objetivo do forte era garantir a exploração do pau-Brasil, que tinha alto valor no mercado europeu.
Um outro objetivo da colônia era obter território para moradia de protestantes franceses, que estavam sendo perseguidos, por motivos religiosos, na França. Villegagnon escreveu, pois, a João Calvino solicitando o envio de colonos protestantes, o qual atendeu prontamente ao pedido, enviando um grupo liderado por dois pastores: Pierre Richier e Guillaume Chartier. Este grupo chegou à Baía de Guanabara em Março de 1557. Porém, Villegagnon acabou entrando em conflito com os calvinistas sobre uma série de questões teológicas e aos poucos foi-lhes proibindo o culto e as reuniões de oração, acabando por expulsá-los da colônia.
A reação da coroa portuguesa aconteceu em 1559, quando o Governador Geral do Brasil, Mem de Sá, recebeu ordens da coroa portuguesa para que expulsasse os franceses do local. Os portugueses chegaram à Baía de Guanabara  e Men de Sá mandou um ultimato aos franceses, o qual não foi atendido, e foi o motivo utilizado para que os portugueses invadisses e dominassem o Forte Coligny. Muitos franceses conseguiram fugir entrando nas matas, e continuaram o comércio com os nativos.
Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, foi à corte levar notícias da destruição do Forte Coligny, e recebeu da regente D. Catarina da Áustria a missão de fundar uma cidade na região, para ocupar oficialmente o território. Estácio de Sá foi intitulado Capitão-mor e recebeu ordens da coroa de expulsar definitivamente os franceses da região.
No dia 1º de março de 1565, após algumas batalhas contra os franceses, Estácio de Sá desembarca na praia, entre o morro do Pão-de-Açúcar e o morro Cara de Cão, iniciando a construção da atual Fortaleza de São João, e fundando a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

sábado, 1 de abril de 2017

Revoltas no Brasil - 1534 - A Guerra de Iguape

A Guerra de Iguape aconteceu entre os anos de 1534 e 1536, na região de São Vicente, São Paulo. Em virtude de uma interpretação particular do Tratado de Tordesilhas, alguns espanhóis, liderados por Ruy Garcia de Moschera, instalaram-se nos arredores da província vicentina. Aliados aos índios carijós, fundaram uma vila (a I-Caa-Para) e venceram algumas batalhas contra corsários franceses.
Quando as forças de defesa luso-brasileiras enfrentaram o contingente espanhol, foram prontamente derrotadas. Em sequida, Garcia de Moschera e seus seguidores ocuparam e saquearam São Vicente, levando inclusive o livro do Tombo. No entanto, em virtude das incursões sistemáticas das forças luso-brasileiras que arregimentaram outros índios rivais, "de serra acima", os espanhóis foram forçados a se retirarem, primeiro para a Ilha de Santa Catarina, e, depois, para Buenos Aires.

Revoltas que marcaram a história do Brasil - Revoltas Regenciais

As Revoltas Regenciais foram rebeliões que ocorreram em várias regiões do Brasil durante o Período Regencial (1831 a 1840). Aconteceram em função da instabilidade política que havia no país (falta de um governo forte) e das condições de vida precárias da população pobre, que era a maioria naquele período.
Principais revoltas regenciais:
Cabanagem (1835 a 1840) - Local: Província do Grão-Pará
- Revoltosos: índios, negros e cabanos (pessoas que viviam em cabanas às margens dos rios).
- Causas: péssimas condições de vida da população mais pobre e domínio político e econômico dos grandes fazendeiros.
Balaiada (1838 a 1841) - Local: Província do Maranhão
- Revoltosos: pessoas pobres da região, artesãos, escravos e fugitivos (quilombolas).
- Causas: vida miserável dos pobres (grande parte da população) e exploração dos grandes comerciantes e produtores rurais.
Sabinada (1837 a 1838) - Local: Província da Bahia
- Revoltosos: militares, classe média e pessoas ricas.
- Causas: descontentamento dos militares com baixos salários e revolta com o governo regencial que queria enviá-los para lutarem na Revolução Farroupilha no sul do país. Já a classe média e a elite queriam mais poder e participação política.
Guerra dos Farrapos (1835 a 1845) - Local: Província de São Pedro do Rio Grande do Sul (atual RS).
- Revoltosos: estancieiros, militares-libertários, membros das camadas populares, escravos e abolicionistas.
- Causas: descontentamento com os altos impostos cobrados sobre produtos do sul (couro, mulas, charque, etc.); revolta contra a falta de autonomia das províncias.
Revolta dos Malês (1835) - Local: cidade de Salvador, Província da Bahia.
- Revoltosos: escravos de origem muçulmana.
- Causas: os revoltosos eram contrários à escravização, à imposição do catolicismo e às restrições religiosas.

Revoltas que marcaram a história do Brasil - Revoltas Nativistas e Separatistas.

A exploração excessiva que era feita pela metrópole portuguesa teve seus reflexos de descontentamento a partir do final do século XVII. Neste, ocorreu apenas um movimento de revolta, mas foi ao longo do século XVIII que os casos se multiplicaram. Entre todos esses movimentos, podem-se distinguir duas orientações nas revoltas: a de tipo nativista e a de tipo separatista. As revoltas que se encaixam no primeiro modelo são caracterizadas por conflitos ocorridos entre os colonos ou defesa de interesses de membros da elite colonial. Somente as revoltas de tipo separatista que pregavam uma independência em relação a Portugal.
Entre as revoltas nativistas mais importantes estão: Revolta de Beckman, Guerra dos Emboabas, Guerra dos Mascates e a Revolta de Filipe dos Santos.
São revoltas separatistas: Inconfidência Mineira e Conjuração Baiana.
A Revolta dos Beckman ocorreu no ano de 1684 sob liderança dos irmãos Manuel e Tomas Beckman. O evento que se passou no Maranhão reivindicava melhorias na administração colonial, o que foi visto com maus olhos pelos portugueses que reprimiram os revoltosos violentamente. Foi a única revolta do século XVII.
A Guerra dos Emboabas foi um conflito que ocorreu entre 1708 e 1709. O confronto em Minas Gerais aconteceu porque os bandeirantes paulistas queriam ter exclusividade na exploração do ouro recém descoberto no Brasil, mas levas e mais levas de portugueses chegavam à colônia para investir na exploração. A tensão culminou em conflito entre as partes.
A Guerra dos Mascates aconteceu logo em seguida, entre 1710 e 1711. O confronto em Pernambuco envolveu senhores de engenho de Olinda e comerciantes portugueses de Recife. A elevação de Recife à categoria de vila desagradou a aristocracia rural de Olinda, gerando um conflito. O embate chegou ao fim com a intervenção de Portugal e equiparação entre Recife e Olinda.
A Revolta de Filipe dos Santos aconteceu em 1720. O líder Filipe dos Santos Freire representou a insatisfação dos donos de minas de ouro em Vila Rica com a cobrança do quinto e a instalação das Casas de Fundição. A Coroa Portuguesa condenou Filipe dos Santos à morte e encerrou o movimento violentamente.
A Inconfidência Mineira, já com caráter de revolta separatista, aconteceu em 1789. A revolta dos mineiros contra a exploração dos portugueses pretendia tornar Minas Gerais independente de Portugal, mas o movimento foi descoberto antes de ser deflagrado e acabou sendo punido com rigidez pela metrópole. Tiradentes foi morto e esquartejado em praça pública para servir de exemplo aos demais do que aconteceria aos descontentes com Portugal.
A Conjuração Baiana, também separatista, ocorreu em 1798. O movimento ocorrido na Bahia pretendia separar o Brasil de Portugal e acabar com o trabalho escravo. Foi severamente punida pela Coroa Portuguesa.

Revoltas que marcaram a história do Brasil - Revoltas de escravos.

Revoltas de escravos pipocaram, em maior ou menor envergadura, por todo o Brasil durante o período colonial. 
A exemplo da resistência indígena, a luta dos africanos, contra a escravidão, existiu sob variadas formas, nem sempre radicais.
Foram utilizados feitiços contra os senhores, fugas individuais para a liberdade, simulação de doenças para evitar o trabalho, quebra dos instrumentos de produção e a constituição de laços de solidariedade étnica ou a partir da criação de parentesco.
Neste sentido, a resistência coletiva simbolizada pela formação de quilombos, mais que nenhuma outra, serve a desmistificação do seu caráter revolucionário, constituindo uma espécie de “rebeldia ambígua”.
Fugindo sozinhos ou em grupos, os escravos africanos que rumavam para os quilombos, em geral, buscavam sobreviver com autonomia, não lutavam para destruir a instituição escravocrata ou derrubar o Estado constituído.
Neste sentido, os quilombos não negavam a ordem escravista, antes, faziam parte do sistema escravocrata, agindo como uma válvula de escape para as tensões sociais.
Haja vista a presença de 160 quilombos, registrados ao longo do século XVIII, nunca ter desestabilizado a ordem escravocrata, não trazendo mais que receios aos senhores de escravos e um medo de sublevação geral infundado.
Na realidade, foram raras as rebeliões escravas que se alastraram ou trouxeram conseqüências mais graves para os colonos, implicando em assassinatos e destruição de propriedades, um tipo de insurreição que somente se tornou mais freqüente em época tardia, já no século XIX, tal como a revolta dos malês, em 1835, na Bahia.

Revoltas que marcaram a história do Brasil - Motins contra as mazelas coloniais.

Embora as formas de conflitualidade, envolvendo colonos, tenham sido diversificadas, estendendo-se desde revoltas de rei até a contestação de colonos sobre os atos de autoridades locais. 
Mesmo aparentado fazê-lo, sobretudo, a luz da leitura de alguns historiadores; as insurreições coloniais nunca tentaram derrubar a monarquia ou o domínio da Coroa portuguesa. Constituíram mais motins contra as mazelas coloniais do que qualquer outra coisa.
No século XVI, por exemplo, um desentendimento entre colonos e oficiais dos navios da frota do Brasil provocou um levante armado que se alastrou.
Na época, diversos artifícios garantiam a fuga do fisco a muitos comerciantes, de acordo com a Câmara da Bahia, aproveitando-se da proibição da comercialização dos produtos de estanco entre Portugal e o Brasil, sendo este um privilégio da Companhia Geral do Comércio do Brasil. 
Qualquer que fosse a mazela – impostos excessivos, medidas descabidas, abuso de autoridade, etc – a inabilidade administrativa das autoridades em lidar com a crise, tornava-se um catalisador para mobilização em torno de reivindicações que procuravam criar espaços de negociação.

Revoltas que marcaram a história do Brasil - Insurreições indígenas.

Ao contrário do que o senso comum poderia supor, a história do Brasil foi marcada por diversas formas de conflitualidade. Neste sentido, nada poderia ser mais falso do que o mito da passividade de nossa população diante de momentos de crise. Dentro do âmbito desta concepção, o período colonial foi marcado por motins, levantes, alvoroços e conjuras, enfim, rebeliões que sacudiram o Brasil entre essa revoltas há as Insurreições indígenas.
A exemplo do que ocorreu na África e na Ásia, na Terra de Santa Cruz a penetração lusitana não aconteceu sem que houvesse uma forte resistência por parte dos nativos. A insistência dos colonos portugueses em escravizar os índios e convertê-los ao cristianismo, estimulou varias insurreições.
Mal a ocupação territorial lusitana do Brasil havia começado, a inicial cordialidade indígena converteu-se em ódio mortal aos invasores que tentavam impor sua cultura, implicando em atos de desmedida violência de parte a parte. 
Em varias ocasiões, mesmo massacrados pelos colonos portugueses, quando os indígenas sobreviventes eram reduzidos a “ladrões de casa”, não sendo mais temidos por “haver muitos anos” que não mais “tinham ameaçado com guerra” as populações portuguesas, algumas tribos remanescentes conseguiam se organizar e voltar à luta.
Este foi o caso da confederação dos tamoios (1555-1567), da guerra dos aimorés (1555-1673), do levante dos tupinambás (1617-1621), da confederação dos cariris (1683-1713), da rebelião dos indígenas urbanizados (1713-1715), da guerra dos Manaus (1723-1728), da resistência guaikuru (1725-1744) e da guerra guaranítica (1753-1766); entre tantas outras revoltas de menor destaque contra o homem branco.
Mesmo nestes casos, as insurreições eram contra a restrição da liberdade, contra a escravização, a expropriação da terra, dos campos de caça, ou visavam resistir à imposição do cristianismo ou da cultura européia.

terça-feira, 14 de março de 2017

Esopo - O Fabulista.

Esopo foi um fabulista grego, nascido na Trácia (região da Ásia Menor), do século VI a.C.. Personagem quase mítico, sabe-se que foi um escravo libertado pelo seu último senhor, o filósofo Janto (Xanto).
Considerado o maior representante do estilo literário "Fábulas", possuía o dom da palavra e a habilidade de contar histórias curtas retratando animais e a natureza e que invariavelmente terminavam com tiradas morais. As suas fábulas inspiraram Jean de La Fontaine e foram objeto de milhares de citações através da história (Heródoto, Aristófanes, Platão, além de diversos filósofos e autores gregos).
As primeiras versões escritas das fábulas de Esopo datam do séc. III d. C. Muitas traduções foram feitas para várias línguas, não existindo uma versão que se possa afirmar ser mais próxima da original. Destaca-se, entre os estudiosos da obra esopiana, Émile Chambry, profundo conhecedor da língua e da cultura gregas. Em 1925 o escrito Chambry publicou, Aesopi - Fabulae (Fábulas de Esopo), contendo 358 fábulas atribuidas ao grande mestre das fábulas.

Muitas fábulas de Esopo destacam a injustiça gritante e arrogância que dominam as relações entre os seres humanos, sem ser capaz de propor uma regra positiva de conduta. Outras fábulas ridicularizam a estupidez, mesquinhez de espírito, ou a vaidade tola dos homens como ocorre "A Raposa e as Uvas" . Em alguns casos, por fim, a fábula de Esopo reflete as duras condições que regem a existência humana.
A Raposa e as Uvas, O Leão e o Rato e O Asno em Pele de Leão são exemplos conhecidos entre as centenas de fábulas que produziu.


sexta-feira, 3 de março de 2017

Esopo - A Raposa e as Uvas

A Raposa e as Uvas
Só quando reconhecemos nossas limitações
é que estamos prontos para superá-las...
Uma Raposa, morta de fome depois de um jejum não intencional, viu, ao passar diante de um pomar, penduradas nas ramas de uma viçosa videira, alguns cachos de exuberantes Uvas negras, e o mais importante, maduras.
Não pensou duas vezes, e depois de certificar-se que o caminho estava livre de intrusos, resolveu colher seu alimento.
Para isso não poupou esforços. E usando os seus dotes, conhecimentos e artifícios resolveu pegá-las. Mas, estavam fora do seu alcance, e depois de muitas tentativas sem nada conseguir, desistiu.
Desolada, cansada, faminta, frustrada com o insucesso de sua empreitada, suspirando, deu de ombros, e se deu por vencida.
Por fim deu meia volta e foi embora. Saiu consolando a si mesma, desapontada, dizendo:
"Na verdade, olhando agora com mais atenção, percebo agora que as Uvas estão todas estragadas, e não maduras, como eu imaginei a princípio..."
Moral da História: Ao não reconhecer ou aceitar as próprias limitações, perde o indivíduo a oportunidade de ouro de corrigir suas falhas...

Figuras destas fábulas desenhada em quadrinhos por Ricardo Tadeu << http://centraldequadrinhos.com - Sketch 65 - Fábulas - Ricardo Tadeu >>.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Esopo - O Leão e o Rato

O Leão e o Rato
Boas ações praticadas, bons frutos criados...
Um Leão dormia sossegado, quando foi despertado por um Rato, que passou correndo sobre seu rosto. 
Com um bote ágil ele o pegou, e estava pronto para matá-lo, ao que o Rato suplicou: "Ora, veja bem, se o senhor me poupasse, tenho certeza de que um dia poderia retribuir seu gesto de bondade..."
Apesar de rir por achar ridícula tal possibilidade, ainda assim, como não tinha nada a perder, ele resolveu libertá-lo.
Aconteceu que, pouco tempo depois, o Leão caiu numa armadilha colocada por caçadores. Assim, preso ao chão, amarrado por fortes cordas, completamente indefeso e refém do fatídico destino que certamente o aguardava, sequer podia mexer-se.
O Rato, reconhecendo seu rugido, se aproximou e roeu as cordas até deixá-lo livre. Então disse:
"O senhor riu da simples ideia de que eu, um dia, seria capaz de retribuir seu favor. Mas agora sabe que, mesmo um pequeno Rato, é capaz de fazer um grande favor a um poderoso Leão..."

Moral da História: Nenhum ato de gentileza é coisa vã. Não podemos julgar a importância de um favor, pela aparência ou status do benfeitor.

Figuras destas fábulas desenhada em quadrinhos por Ricardo Tadeu << http://centraldequadrinhos.com - Sketch 65 - Fábulas - Ricardo Tadeu >>.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Esopo - O Asno em Pele de Leão

O Asno em Pele de Leão
Por trás das grandes muralhas sempre
se esconde um pequeno indivíduo..
Um Asno, ao encontrar uma pele de Leão, resolve então colocá-la sobre seu dorso, e a partir daí, vagava pela floresta divertindo-se com o pavor que causava aos animais que ia encontrando pelo seu caminho.

Por fim, encontra uma Raposa, e também tenta amedrontá-la. Mas a Raposa, tão logo escuta o som de sua voz, olha-o de cima a baixo, e exclama com ironia:
"Sabe, eu certamente teria me assustado, se antes, não tivesse escutado o seu inconfundível Zurro..."

Moral da História: Um tolo pode se esconder por trás das aparências, mas suas palavras acabarão por revelar à todos sua verdadeira personalidade...

Figuras destas fábulas desenhada em quadrinhos por Ricardo Tadeu << http://centraldequadrinhos.com - Sketch 65 - Fábulas - Ricardo Tadeu >>.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Saiba os verbos mais comuns da língua inglesa

Conheça os verbos mais comuns da língua inglesa e seus significados!
Verbos podem ser considerados como uma espinha dorsal de uma linguagem, sendo parte fundamental na construção de frases. Como visto durante todo ensino fundamental, médio e técnico, os verbos expressam as ações, fenômenos da natureza ou os estados das coisas.
Saber o significado de alguns verbos pode facilitar consideravelmente a comunicação em outro idioma. Em uma eventual necessidade, seja de perigo ou necessidade de informação, expressar utilizando alguns verbos pode ocasionar do entendimento parcial do receptor e assim conseguir atingir o objetivo desejado.
Por isso listo abaixo os verbos tidos como os mais importantes da língua inglesa e que pode facilitar, e muito, a sua vida quando precisar comunicar-se com um estrangeiro, confira.

Abaixo os verbos em inglês e suas respectivas traduções:
To accept => Aceitar.
To agree => Concordar.
To aswer => Responder.
To ask => Perguntar.
To be => Ser/Estar.
To believe => Acreditar.
To buy => Comprar.
To call => Chamar/Ligar.
To change => Trocar.
To choose => Escolher.
To close => Fechar.
To dance => Dançar.
To do => Fazer.
To drink => Beber.
To drive => Dirigir.
To eat => Comer.
To imagine => Imaginar.
To kiss => Beijar.
To live => Viver.
To open => Abrir.
To pay => Pagar.
To run => Correr.
To say => Dizer.
To sell => Vender.
To sleep => Dormir.
To talk => Conversar.
To wait => Esperar.
To walk => Caminhar.
To write => Escrever.
Conjugação

Uma ótima forma de conhecer outros verbos em inglês e seus significados é utilizar um dicionário. Além dos verbos você conhecerá ainda outras palavras, ampliando seu conhecimento sobre o vocabulário da Língua Inglesa e assim se familiarizar com o idioma.

O verbo mais conhecido e ensinado nesse idioma é o Verbo To be. Ele possui dois significados, ser ou estar, e para compreender melhor vamos conjugá-lo abaixo:

Pronomes Pessoais           Verbo no presente                 Significado
I                                   AM                                Sou/Estou
You                                   ARE                                É/Está
He                                   IS                                        É/Está
She                                   IS                                        É/Está
It                                   IS                                        É/Está
We                                  ARE                                Somos/Estamos
You                                  ARE                                São/Estão
They                                  ARE                                São/Estão

Lista de 100 verbos mais utilizados disponível em : 17_01_01 Os cem verbos mais utilizados em Inglês

© Direitos de autor. 2017: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 07/02/2015

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Pacote de maldades de Temer-Meirelles

Já sendo colocado em prática, o pacote econômico anunciado pelo governo de Michel Temer deverá impulsionar o Brasil que em breve será a nova China em direitos trabalhistas. 
No seu conjunto, as medidas visam enfrentar a atual crise com uma brutal perdas de direitos dos trabalhadores e das camadas médias da sociedade para elevar os lucros dos capitalistas. A alta burguesia, que orquestrou o golpe e manipulou os "jornalistas", ficará com o bônus; já a ampla maioria da população entrará com o ônus. 
O pacote de maldades é tão perverso que até setores das elites já temem uma explosão de revoltas nos próximos meses. Só a velha luta de classes, que alguns pragmáticos imaginavam ter acabado, pode atrapalhar a ambição dos golpistas.
Entre outras maldades, o pacote prevê a criação de um teto para os investimentos na educação, saúde, previdência e seguridade social. A medida fere a própria Constituição Federal, que fixou regras para a destinação de recursos públicos a estes serviços essenciais ao bem-estar da população. 
O objetivo do retrocesso é eliminar as atuais vinculações obrigatórias de gastos. Caso a crueldade de Temer já estivesse valendo no país, os gastos de 2015 com estas áreas vitais para a sociedade teriam sido de R$ 600,7 bilhões, cerca de metade do R$ 1,16 trilhão contabilizado no período. Os resultados, evidentes, seriam mais filas nos hospitais, menos estudantes nas salas de aula e outras tragédias sociais.  
Na entrevista em que anunciou o pacote, Michel Temer argumentou que "as despesas do setor público estão em trajetória insustentável". Daí a urgência da maldade! 
Atuando como capacho dos banqueiros nada falou sobre os gastos exorbitantes com juros da dívida pública, que enriquecem o 1% dos ricaços que vive da especulação financeira. A "austeridade fiscal", tão em moda na Europa devastada, atingiria somente os assalariados e camadas médias da sociedade. 
Além da fixação do teto para os gastos na saúde e na educação, o "presidente interino" reafirmou que pretende fazer uma "profunda" reforma da Previdência Social. Em várias entrevistas, o seu desbocado ministro antecipou que o objetivo seria impor a idade mínima de 65 para a aposentadoria - inclusive para quem já está prestes a se aposentar. 
Como a iniciativa é explosiva, com efeitos devastadores na própria sustentação do governo e nas eleições, o setor mais "político" do Planalto evita tratar do tema. Segundo uma nota da Folha, "o governo já tranquilizou a sua tropa de choque no Congresso: só apresentou a reforma da Previdência depois das eleições municipais de 2016".
Já foi aprovado a proposta que prevê extinguir os direitos fixados na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) - como férias, 13º salário, adicionais, entre outras conquistas históricas. A proposta derrotada de FHC, que previa a prevalência do negociado sobre o legislado. 
A chamada "desindexação do salário mínimo" já havia sido antecipada por Henrique Meirelles num convescote com "investidores" em Nova York, segundo revelou a revista Época
Além destas medidas descaradamente antipopulares,Temer também anunciou várias ações contra o Estado nacional. "O presidente destacou que apoiará projeto aprovado pelo Senado que altera as regras de exploração de petróleo do pré-sal, retirando da Petrobras a exclusividade das atividades e acabando com a obrigação da estatal a participar com pelo menos 30% dos investimentos em todos os consórcios de exploração da camada. O projeto, de autoria do senador tucano José Serra, passou pelo Senado e será avaliado pela Câmara Federal", descreveu. A mídia festejou ainda a decisão de utilizar os recursos do Fundo Soberano, de acelerar o processo de privatização das estatais e de descapitalizar o BNDES.
A apresentação do pacote de maldades alegrou o "mercado", que exigia medidas duras e imediatas dos seus serviçais no assalto ao Palácio do Planalto. Ela também foi festejada pelos banqueiros, que já tenta embelezar a sinistra figura de Michel Temer. O entusiasmo dele, porém, é contido. Eles temem que o pacote de maldades gere forte desgaste para o governo e incentive a ampliação dos protestos de rua. À questão democrática se juntaria a defesa dos direitos ameaçados. 
Há temores, inclusive, de que uma massiva onda de protestos reverta os votos. Tudo indica que o país viverá momentos de forte tensão social, Os efeitos deste incêndio são imprevisíveis!