sexta-feira, 21 de abril de 2017

Revoltas do Brasil - 1794 - Conjuração Carioca

Conjuração Carioca foi uma onda de repressão do governo lusitano aos intelectuais que se reuniam no Rio de Janeiro, com a intenção de formar uma sociedade literária baseada no Iluminismo, fortemente difundido após a Revolução Francesa.
Para a monarquia lusitana, o pensamento iluminista era perigoso porque dava margem à reflexão da sociedade e tinha caráter republicano. Obras de filósofos como Rousseau e Voltaire, por exemplo, eram proibidas de circular pelo território brasileiro por contrariar os interesses monarquistas.
Em 1771, membros da futura sociedade literária formaram a Academia Científica do Rio de Janeiro, de onde se destacava o professor de retórica Manuel Inácio da Silva Alvarenga, graduado pela Universidade de Coimbra.
No ano de 1786, intelectuais como o cirurgião Ildefonso José da Costa Abreu, o professor de grego João Marques Pinto e o próprio Alvarenga criaram a Sociedade Literária para discutir semanalmente temas como a observação do eclipse lunar, as consequências do alcoolismo e a análise da água com base nos ideais disseminados pelos filósofos iluministas franceses.
O vice-rei Conde de Resende (1790-1804), temeroso de que os argumentos políticos e filosóficos destes intelectuais se alastrassem, ordenou, em 1794, o fechamento da Sociedade Literária. Com o pretexto de que eles continuavam se reunindo clandestinamente, mandou processar e prender todos os seus membros, chamando-os de subversivos.
Depois de investigar minuciosamente os móveis de cada membro, Conde de Resende não conseguiu apurar nenhuma prova concreta de que os intelectuais planejavam uma conspiração contra os monarcas.
Sem nenhuma prova que ligasse os literatos à subversão, Conde de Resende mandou libertá-los depois de dois anos de investigação.
Alvarenga teve o direito de lecionar novamente e o doutor Mariano José da Fonseca, que aderiu tempos depois à sociedade, futuramente tornou-se marquês de Maringá e apoiou o movimento de Independência em 1822.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Revoltas do Brasil - 1789 - Inconfidência Mineira

Inconformados com o peso dos impostos, membros da elite uniram-se para estabelecer uma república independente em Minas. A revolta foi marcada para a data da derrama (cobrança dos impostos em atraso), mas os revolucionários foram traídos. Como consequência, os inconfidentes foram condenados ao desterro perpétuo na África, com exceção de Tiradentes, que foi enforcado e esquartejado.
'Martírio de Tiradentes'', quadro do pintor
Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo, 1893
No século XVIII, a ascensão da economia mineradora trouxe um intenso processo de criação de centros urbanos pela colônia acompanhada pela formação de camadas sociais intermediárias. Os filhos das elites mineradoras, buscando concluir sua formação educacional, eram enviados para os principais centros universitários europeus. Nessa época, os ideais de igualdade e liberdade do pensamento iluminista espalhavam-se nos meios intelectuais da Europa.
Na segunda metade do século XVIII, a economia mineradora dava seus primeiros sinais claros de enfraquecimento. O problema do contrabando, o escasseamento das reservas auríferas e a profunda dependência econômica fizeram com que Portugal aumentasse os impostos e a fiscalização sobre as atividades empreendidas na colônia. Entre outras medidas, as cem arrobas de ouro anuais configuravam uma nova modalidade de cobrança que tentava garantir os lucros lusitanos.
No entanto, com o progressivo desaparecimento das regiões auríferas, os colonos tinham grandes dificuldades em cumprir a exigência estabelecida. Portugal, inconformado com a diminuição dos lucros, resolveu empreender um novo imposto: a derrama. Sua cobrança serviria para complementar os valores das dívidas que os mineradores acumulavam junto à Coroa. Sua arrecadação era feita pelo confisco de bens e propriedades que pudessem ser de interesse da Coroa.
Esse imposto era extremamente impopular, pois muitos colonos consideravam sua prática extremamente abusiva. Com isso, as elites intelectuais e econômicas da economia mineradora, influenciadas pelo iluminismo, começaram a se articular em oposição à dominação portuguesa. No ano de 1789, um grupo de poetas, profissionais liberais, mineradores e fazendeiros tramavam tomar controle de Minas Gerais. O plano seria colocado em prática em fevereiro de 1789, data marcada para a cobrança da derrama.
Aproveitando da agitação contra a cobrança do imposto, os inconfidentes contaram com a mobilização popular para alcançarem seus objetivos. Entre os inconfidentes estavam poetas como Claudio Manoel da Costa e Tomas Antonio Gonzaga; os padres Carlos Correia de Toledo, o coronel Joaquim Silvério dos Reis; e o alferes Tiradentes, um dos poucos participantes de origem popular dessa rebelião. Eles iriam proclamar a independência e a proclamação de uma república na região de Minas.
Com a aproximação da cobrança metropolitana, as reuniões e expectativas em torno da inconfidência tornavam-se cada vez mais intensas. Chegada a data da derrama, sua cobrança fora revogada pelas autoridades lusitanas. Nesse meio tempo, as autoridades metropolitanas estabeleceram um inquérito para apurar uma denúncia sobre a insurreição na região de Minas. Através da delação de Joaquim Silvério dos Reis, que denunciou seus companheiros pelo perdão de suas dívidas, várias pessoas foram presas pelas autoridades de Portugal.
Tratando-se de um movimento composto por influentes integrantes das elites, alguns poucos denunciados foram condenados à prisão e ao degredo na África. O único a assumir as responsabilidades pela trama foi Tiradentes. Para reprimir outras possíveis revoltas, Portugal decretou o enforcamento e o esquartejamento do inconfidente de origem menos abastada. Seu corpo foi exposto nas vias que davam acesso a Minas Gerais. Era o fim da Inconfidência Mineira.
Mesmo tendo caráter separatista, os inconfidentes impunham limites ao seu projeto. Não pretendiam dar fim à escravidão africana e não possuíam algum tipo de ideal que lutasse pela independência da “nação brasileira”. Dessa forma, podemos ver que a inconfidência foi um movimento restrito e incapaz de articular algum tipo de mobilização que definitivamente desse fim à exploração colonial lusitana.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Revoltas do Brasil - 1723 - Guerra dos Manaus

A Guerra dos Manaus aconteceu entre 1723 e 1728 e caracteriza-se por ser mais uma entre as várias guerras entre os portugueses e os indígenas que ali habitavam.
O século XVI é conhecido também pela famosa busca do El Dorado, a cidade de ouro. Vieram pessoas de toda a partes do país explorarem as terras do rio Negro em busca de algum rastro dessa lenda e conforme iam encontrando com os nativos da região iam deixando somente duas alternativas impostas para estes: ou se mudavam ou eram capturados.
Nesta região existia uma tribo, conhecida como Manaos e o seu líder era o lendário Ajuricaba. O líder indígena já tinha uma certa desconfiança e raiva dos portugueses maior do que os problemas que ele via que eles causavam para a sua gente. Tudo porque seu pai Huiuebene foi morto pelos lusitanos, os mesmos que outrora ele tinha um trato. O estopim da sua morte foi um desentendimento.
Sabendo da situação que se encontrava o rio Negro, Ajuricaba aliou-se aos holandeses que se encontravam no Suriname e foi então que começou a luta de resistência contra os invasores. O líder não perdoava os traidores, ia em busca dos índios traidores, capturava e vendia para os holandeses como escravos, o que causava uma grande confusão. Pouco a pouco ele ia conquistando mais terras e contava também com a ajuda de mais de trinta nações que formavam uma espécie de confederação indígena e mais aliados para a sua luta. Não demorou muito para que os núcleos dos colonos fossem destruídos e eles fossem obrigados procurarem refúgio no Forte da Barra.
Esse poder que Ajuricaba possuía surpreendeu o governador do Grão-Pará e Rio Negro que pediu ajuda para Portugal para que eles enviassem mais tropas para acabar com a tribo. O capitão João Paes de Amaral, veio em auxílio do governador, liderando uma expedição caracterizada como punitiva.
Assim que os jesuítas souberam de toda a situação, correram para o rio Negro a fim de acalmar os ânimos. O padre encarregado, José de Sousa conseguiu alguns acordos com Ajuricaba, como por exemplo a liberação de escravos em troca do pagamento do resgate. Porém, assim que o padre deixou o rio, pensando que tinha conseguido fazer uma boa ação, Ajuricaba retornou os ataques e mesmo recebendo o pagamento do resgate, jamais libertou os presos.
Depois de alguma certa resistência, Ajuricaba foi cercado pela tropa de Paes de Amaral e preso junto com cerca de trezentos a dois mil companheiros. Com a mínima intenção de ser feito prisioneiro, ao ser transportado por canoa para Belém, Ajuricaba jogou-se no rio e nunca mais foi encontrado nem vivo e nem morto.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Movimentos Nativistas - 1720 - Revolta de Vila Rica

Movimento social que ocorreu em 1720, em Vila Rica (atual Ouro Preto), contra a exploração do ouro e cobrança extorsiva de impostos da metrópole sobre a colônia. A revolta contou com cerca de dois mil populares, que pegaram em armas e ocuparam pontos da cidade. A coroa portuguesa reagiu e o líder, Filipe dos Santos Freire, acabou enforcado.
''Julgamento de Filipe do Santos'', quadro
do pintor brasileiro Antônio Parreiras, de 1923
Quem encontrasse ouro no Brasil, era obrigado a entregar uma quinta parte ao governo de Portugal. Essa quinta parte era chamado: Quinto (20% de todo o ouro extraído).
Claro que os mineradores não gostaram disso e como conseqüência muitos passaram a contrabandear o ouro.
Então, o rei mandou instalar as Casas de Fundição. Todo ouro encontrado devia ser entregue a essas Casas onde o ouro era transformado em barras já sendo descontado o quinto. Era proibido comprar ou vender ouro que não fosse em barras feitas por essas casas.
No ano de 1720, o governador de Minas Gerais (Conde de Assumar), instalou a Casa de Fundição de Vila Rica. Em razão disso, os mineradores fizeram uma revolta para tentar diminuir o "quinto", que ficou conhecida como Revolta de Vila Rica ou Revolta de Filipe dos Santos.
Seu líder chamava-se Filipe dos Santos e os revoltosos exigiam várias coisas:
- Diminuição do quinto
- Eliminação do monopólio de vários produtos de consumo
- Fim da repressão contra os rebeldes
Eram mais de 2000 revoltosos armados e o governador não tinha tropas. Para ganhar tempo, o Conde de Assumar prometeu atender os pedidos dos revoltosos; porém, quando conseguiu reunir uma tropa, partiu para cima dos rebeldes e mandou prender seus líderes.
CONSEQÜENCIAS DA REVOLTA 
- Filipe dos Santos foi condenado à morte
- As casas de Fundição foram mantidas
- Minas Gerais foi separada da capitania de São Paulo

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Movimentos Nativistas - 1711 - Motins do Maneta

Os Motins do Maneta foram duas sublevações ocorridas no Brasil Colônia em Salvador contra o monopólio da comercialização do sal e aumento de impostos, ocorridos em 1711.
Os ataque francês ocorridos na Brasil mostrou a fragilidade defensiva da colônia, que demandava um maior patrulhamento da costa. As despesas para tal empreendimento, entretanto, exigiam da metrópole um investimento que a Coroa não podia, ou não quis, arcar. A solução foi a elevação de taxas cobradas aos colonos.
O preço do sal sofrera aumento em suas taxas, que subira para o montante de 720 Réis, contra os anteriores 480. Este produto era de comércio exclusivo da metrópole, ou seja, sua produção era proibida no Brasil.
Também o imposto devido por cada escravo vindo da África havia sido elevado de 3 para 6 cruzados.
Foi com esse excessivo aumento nas cobranças de impostos que foi decretada uma taxa de dez por cento sobre as mercadorias exportadas pela Colônia, destinadas à proteção costeira.
Estas taxas foram anunciadas em outubro de 1711 pelo novo Governador-geral do Estado do Brasil, Pedro de Vasconcelos de Sousa, que acabava de chegar à capital colonial, Salvador. Estava criado o clima de revolta, que resultou nos motins populares.
19 de outubro de 1711 - Primeiro Motim: O comerciante João de Figueiredo da Costa, cuja alcunha era "Maneta", junto ao Lourenço de Almada, Juiz do Povo, comandou a sublevação que teve início com a distribuição de cartazes pela cidade. Ajuntando-se, as pessoas invadiram o comércio de Manuel Dias Figueiras que, com seus sócios, detinha o monopólio da venda de sal. Houve saque e depredação, marchando os populares, já com apoio de guarnições militares, rumo ao Palácio do Governador - sendo contidos apenas com a intervenção do arcebispo D. Sebastião Monteiro de Vide. Sobre o Maneta disse o historiador Roberto Macedo que era "homem resoluto" que "encabeça desatinado movimento popular, mais impulso de irritação coletiva que revolta propriamente dita."
O governador, intimidado com a reação, prontamente desistiu de aplicar as sobretaxas, e os líderes do tumulto não foram punidos.
2 de dezembro de 1711 - Motim dos Patriotas. Com a invasão e tomada da cidade do Rio de Janeiro, pelos franceses, o temor invadiu o povo na capital. Providências eram exigidas pela população, mas o governador Vasconcelos alegava que, não tendo recursos, nada poderia fazer. Tendo à frente Domingos da Costa Guimarães, Domingos Gomes e Luís Chafet, o povo marchou até o governador que, acuado, enviou tropas ao Rio, encontrando a cidade restabelecida com o pagamento de resgate a René Duguay-Trouin. O almirante francês já havia partido e, apesar de tencionar realmente o ataque à Capital, o mau tempo e naufrágio de duas das embarcações nos Açores demoveram-no de tal empresa, seguindo então para Caiena.
O desvio dos franceses fez apaziguarem os ânimos da população e o governador, que enfrentara duas revoltas mal tendo assumido suas funções, procedeu ao castigo dos cabeças dessa última insurreição: foram açoitados em praça pública, e ainda pagaram multas e sofreram o degredo africano.

domingo, 16 de abril de 2017

Movimentos Nativistas - 1710 - Revolta do Sal

Entre os séculos XVII e XVIII, o sal foi um importante produto de comércio no Brasil devido à expansão pecuária e a produção em massa de carnes salgadas para exportação. Em 1631, a Coroa
Debret - Carregadores de Sal
Portuguesa criou um monopólio do sal no Porto de Santos para garantir que elevadas quantidades deste produto seriam destinadas à Portugal e aos países importadores.
A lucratividade que o sal propiciava à coroa fez com que seu preço fosse elevado inúmeras vezes. Em algumas ocasiões, os mercadores chegavam a esconder o sal para simular uma escassez e, consequentemente, deixar o produto cada vez mais caro.
Entretanto, os compradores internos também eram prejudicados com os reajustes no preço do sal. De fato, a coroa não se importava em distribuir menos mercadoria para os habitantes de sua colônia, o Brasil, e não tomaram nenhuma medida para reverter a situação, apesar dos protestos da Câmara Municipal do Rio de Janeiro e dos consumidores de São Paulo.
Em 1710, diante do descaso das autoridades, Bartolomeu Fernandes de Faria, paulista proprietário de terras, incitou um grupo de 200 índios e escravos fortemente armados para invadir o porto de Santos e distribuir o sal para os consumidores que careciam do produto, dando início a um movimento nativista que seria conhecido como Revolta do Sal. Ele ordenou que a ponte que ligava a ilha de São Vicente ao Porto de Santos fosse desmoronada, para evitar a perseguição dos colonos.
O ato de Bartolomeu deixou a coroa furiosa, porque mostrou a fraqueza da guarnição portuguesa no local e prejudicou de forma significativa a comercialização do sal para a exportação marítima.
A partir desse momento, Bartolomeu se tornara o alvo mais cobiçado da coroa. Em abril de 1711, D. João V enviou uma carta ao juiz Antônio de Cunha Souto Maior ordenando com urgência a prisão de Bartolomeu, resultando em uma das maiores perseguições no período Brasil colônia.
Os guardas metropolitanos da coroa portuguesa tiveram muitas dificuldades para capturar Bartolomeu. Ele havia construído uma forte guarnição em frente a sua fazenda com índios e escravos e, em 1713, se refugiou para o vale do Ribeira após uma tentativa ofensiva de ataque sob comando do juiz Antônio de Cunha.
Só em agosto de 1718, oito anos após a invasão ao Porto de Santos, Bartolomeu foi preso próximo à Vila de Conceição de Itanhaém, sob comando do governador da praça de Santos Luís Antônio de Sá Quiroga. Ordenaram que o prisioneiro fosse enviado à Salvador para ser julgado mas, em 1719, aos 80 anos, Bartolomeu Fernandes de Faria foi vítima da varíola e faleceu acometido pelo desânimo e pela miséria.

sábado, 15 de abril de 2017

Movimentos Nativistas - 1710 - Guerra dos Mascates

A Guerra dos Mascates ocorreu em Pernambuco e, aparentemente, foi um conflito entre senhores de engenho de Olinda e comerciantes do Recife. Estes últimos, denominados "mascates", eram, em sua maioria, portugueses.
A desigualdade econômica e a crise açucareira:
motivos fundamentais da Guerra dos Mascates.
Olinda era uma cidade tradicionalmente dominada pelos senhores de engenho. O desenvolvimento de Recife, cidade controlada pelos comerciantes, testemunhava o crescimento do comércio, cuja importância a atividade produtiva agroindustrial açucareira, à qual se dedicavam os senhores de engenho olindenses.
O orgulho desses senhores havia colocado em crise a produção açucareira do nordeste. Mas ainda eram poderosos, visto que, controlavam a Câmara Municipal de Olinda.
À medida que Recife cresceu em importância, os mercadores começaram a reivindicar a sua autonomia político-administrativa, procurando libertar-se de Olinda e da autoridade de sua Câmara Municipal. A reivindicação dos recifenses foi principalmente atendida em 1703, com a conquista do direito de representação na Câmara de Olinda. Entretanto, o forte controle exercido pelos senhores sobre a Câmara tornou esse direito, na prática, letra morta.
A grande vitória dos recifenses ocorreu com a criação de sua Câmara Municipal em 1709, que libertava, definitivamente, os comerciantes da autoridade política olindense. Inconformados, os senhores de engenho de Olinda, utilizando vários pretextos, como a demarcação dos limites entre os dois municípios, por exemplo, resolveram fazer uso da força para sabotar as pretensões dos recifenses. Depois de muita luta, que contou com a intervenção das autoridades coloniais, finalmente em 1711 a nomeação de um novo governante que teve como principal missão estabelecer um ponto final ao conflito.
O escolhido para essa tarefa foi Félix José de Mendonça, que apoiou os mascates portugueses e estipulou a prisão de todos os latifundiários olindenses envolvidos com a guerra. Além disso, visando evitar futuros conflitos, o novo governador de Pernambuco decidiu transferir semestralmente a administração para cada uma das cidades. Dessa maneira, não haveria razões para que uma cidade fosse politicamente favorecida por Félix José, desta forma, Recife foi equiparada a Olinda e assim terminou a Guerra dos Mascates.
Em 1714,  o rei D. João V, resolveu anistiar todos os envolvidos nessa disputa, manteve as prerrogativas político- administrativas de Recife e promoveu a cidade ao posto de capital do Pernambuco.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Movimentos Nativistas - 1707 - Guerra dos Emboabas

A Guerra dos Emboabas foi um confronto travado de 1707 a 1709, pelo direito de exploração das recém descobertas jazidas de ouro, na região das Minas Gerais, no Brasil. O conflito contrapunha, de um lado, os desbravadores vicentinos, que haviam descoberto a região das minas e que por esta razão reclamavam à exclusividade de explorá-las; e de outro lado um grupo heterogêneo composto de portugueses e imigrantes das demais partes do Brasil – pejorativamente apelidados de “emboabas” pelos vicentinos –, todos atraídos à região pela febre do ouro.
Pintura da Guerra dos Emboabas, século XVIII, Bahia
Pelo fato de terem sido os primeiros a descobrir, os paulistas queriam ter mais direitos e benefícios sobre o ouro que haviam encontrado, uma vez que este, estava nas terras em que viviam.
Entretanto, os forasteiros pensavam e agiam diferentemente; estes, por sua vez, eram os chamados emboabas. Os emboabas formaram suas próprias comunidades, dentro da região que já era habitada pelos paulistas; neste mesmo local, eles permaneciam constantemente vigiando todos os passos dos paulistas. Os paulistas eram chefiados pelo bandeirante Manuel de Borba Gato; já o líder dos emboabas era o português Manuel Nunes Viana.
Dentro desta rivalidade ocorreram muitas situações que abalaram consideravelmente as relações entre os dois grupos. Os emboabas limitaram os paulistas na região do Rio das Mortes e seu o líder foi proclamado "governador". A situação dos paulistas piorou ainda mais quando estes foram atacados em Sabará.
Após seu sucesso no ataque contra os paulistas, Nunes Viana foi tido como o "supremo ditador das Minas Gerais", contudo, este, por ordem do governador do Rio de Janeiro, teve que se retirar para o rio São Francisco.
Inconformados com o tratamento que haviam recebido do grupo liderado por Nunes Viana, os paulistas, desta vez sob liderança de Amador Bueno da Veiga, formaram um exército que tinha como objetivo vingar o massacre de Capão da Traição. Esta nova batalha durou uma semana. Após este confronto, foi criada a nova capitania de São Paulo, e, com sua criação, a paz finalmente prevaleceu.
O confronto terminou por volta de 1709, graças à intervenção do governador do Rio de Janeiro, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho. Sem os privilégios desejados e sem forças para guerrear, os paulistas retiraram-se da região. Muitos deles foram para o oeste, onde mais tarde descobriram novas jazidas de ouro, nos atuais estados do Mato Grosso e Goiás.
Como conseqüências da Guerra dos Emboabas podem-se apontar:
  • Regulamentação da distribuição de lavras entre emboabas e paulistas.
  • Regulamentação da cobrança do quinto.
  • São Paulo e as Minas de Ouro se transformaram em capitanias, ligadas diretamente à Coroa, tirando autoridade do governo do Rio de Janeiro (3 de Novembro de 1709).
  • São Paulo deixa de ser vila tornando-se cidade
  • Acabam as guerras na região das minas, com a metrópole assumindo o controle administrativo da região.
  • A derrota dos paulistas fez com que alguns deles fossem para o oeste onde, anos mais tarde, descobririam novas jazidas de ouro nos atuais estados do Mato Grosso e Goiás.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Revoltas do Brasil - 1694 - Guerra dos Palmares

Palmares foi o maior quilombo já existente em número de quilombolas. Chegou a ocupar uma faixa de terra de 200km, e sua permanência incomodava os senhores de engenho. Seja para fazer da punição dos quilombolas um exemplo, ou para retomar os escravos fugidos, muitos queriam o fim do Quilombo dos Palmares. Assim, as investidas começaram.
Guerra dos Palmares (pintura de Manuel Victor)
A primeira expedição foi feita pelos holandeses e ocorreu em 1644, sob o comando de Rodolfo Baro. Chamada de “Expedição Baro”, pode-se dizer que ela fracassou. Quando os sentinelas palmarinos avistaram as tropas de Baro, soaram o alarme e bloquearam a passagem dos holandeses com árvores cortadas. Os quilombolas atacaram com flechas por todas as direções e, perante a derrota iminente, Rodolfo Baro ordena a retirada.
Mais tarde, em 1645, os holandeses atacam novamente. Era a “Expedição Blaer-Rembach”, ao comando de João Blaer. Também conhecido como “Guerra do Mato”, o episódio se destaca pela tática de guerrilha usada pelo povo de Palmares. Quando os holandeses atacavam, os palmarinos recuavam. Assim que os holandeses paravam para descansar, os palmarinos faziam saques e ataques relâmpagos. Essa situação durou cerca de três meses e, tendo destruído apenas um pequeno núcleo, os homens de Blaer estavam desgastados e se viram obrigados a desistir.
A primeira grande expedição feita a Palmares ocorreu em 1667, chefiada por Zenóbio Accioly de Vasconcelos. Ocorreu a destruição de um mocambo e o reconhecimento de algumas partes da região. Contudo, a entrada havia sido “financiada” pelo governo de Pernambuco, mas com o início da crise açucareira o auxílio pernambucano foi reduzido drasticamente e a expedição perdeu forças. Também decorrente da crise açucareira foi o início das trocas comerciais entre Palmares e as vilas em seus arredores.
Em 18 de junho de 1678 o líder quilombola Ganga-Zumba chegava a recife para fazer um acordo de trégua com o governador Aires de Sousa e Castro. Os negros teriam direito a uma área para viver em liberdade, ao plantio, comércio e trato com os brancos e não pagariam o fisco desde que se desfizessem de seu equipamento militar. Enquanto isso ocorreu, o líder Zumbi dos Palmares continuava a fazer incursões para libertar escravos. A verdade é que o acordo de 1678 não agradava a maioria dos negros (que o achavam limitador) e nenhum branco (que acreditavam a proposta concessiva demais).
Notou-se que para a tomada total do quilombo, as forças pernambucanas não seriam suficientes. Então foi contratado o paulista Domingos Jorge Velho – que tinha uma carreira dedicada ao massacre e submissão de grupos étnicos inferiorizados aos olhos do colonialismo. Ele fazia o “sertanismo de contrato”: sob um determinado preço, juntava seus capangas para lutar pela causa de alguém.
Ironicamente, as tropas de Jorge Velho eram majoritariamente compostas por indígenas. Cerca de 800 índios e 200 brancos investiram contra Palmares sob seu comando em dezembro de 1692. Ainda que reforçados pela ajuda de moradores alagoanos, eles não conseguiram vencer a batalha.
Somente em janeiro de 1694 Jorge Velho recebeu os reforços que precisava. Por 22 dias, até 6 de fevereiro de 1694, Zumbi e seus homens lutaram vigorosamente. Mas o armamento das tropas inimigas garantiu a derrota do povo palmarino. Após a perda de 400 homens e o aprisionamento de inúmeros outros, a tomada do Mocambo do Macaco pôs fim ao Quilombo de Palmares. Os 65 anos de luta garantiram a Palmares o título de “reduto da liberdade”, e a força e o vigor desse povo foi imortalizado na figura de Zumbi.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Revoltas do Brasil - 1684 - Revolta de Beckman

Provocada em grande parte pelo descontentamento com a Companhia de Comércio do Maranhão, ocorreu entre 1684 e 1685. Entre as reclamações estava o fornecimento de escravos negros em quantidade insuficiente. Ao mesmo tempo, os jesuítas eram contrários a escravização dos indígenas. Com a rebelião, os jesuítas são expulsos. Um novo governador é enviado e os revoltosos condenados.
''O Caçador de Escravos'', obra do
pintor Jean-Baptiste Debret, de 1825
A Revolta de Beckman foi uma rebelião ocorrida em 1684, como uma reação de proprietários rurais do Maranhão, aos abusos cometidos pela Companhia de Comércio do Maranhão, instalada na região dois anos antes, em 1682, por ordem do governo português.
A Companhia foi criada para solucionar os problemas de escoamento da produção e de abastecimento da região com produtos europeus, assim como abastecer a região de mão-de-obra escrava. Na falta de mão-de-obra, os produtores escravizavam os índios, o que vinha causando conflito com os jesuítas.
A Companhia detinha o monopólio na venda de produtos de outras regiões e escravos, e na compra do açúcar e do algodão dos produtores rurais. A insatisfação da população foi crescente, pois a Companhia vendia produtos de baixa qualidade a preços altos, os escravos não eram suficientes e a Companhia pagava um preço injusto pelo açúcar e pelo algodão dos produtores.
Nesse contexto, a revolta teve início em 1684, sob a liderança dos irmãos Tomás e Manuel Beckman, grandes senhores de engenho da região. A revolta teve como objetivo a abolição do monopólio da Companhia de Comércio do Maranhão, para que se estabelecesse uma relação comercial justa. Os Beckman lideraram o saque aos armazéns da Companhia, depuseram o governo local e expulsaram os jesuítas da região.
Com a finalidade de declarar a fidelidade ao Rei de Portugal, e de levar as reivindicações dos colonos à Metrópole, Tomás Beckman foi enviado a Lisboa. Ao retornar, trouxe consigo um novo governador, Gomes Freire de Andrade, enviado pela coroa portuguesa para restabelecer a ordem na região, com forças que o acompanharam para tal. Não houve resistência dos revoltos.
As autoridades antes depostas retornaram a seus cargos, e os envolvidos na revolta foram presos e julgados. Manuel Beckman foi condenado à morte pela forca, por ter liderado o movimento. Seu irmão, Tomás Beckman, foi condenado ao desterro, ou seja, foi expulso de sua terra. Os demais envolvidos foram condenados a prisão perpétua.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Revoltas do Brasil - 1682 - Confederação dos Cariris

Foram disputas intermitentes entre os índios cariris, que ocupavam extensas áreas no Nordeste, contra a dominação dos colonizadores portugueses. Foram cerca de 20 anos de confrontos.
Indígenas da região Nordeste formaram a Confederação dos Cariris.
A “Guerra dos Bárbaros” ou “Confederação dos Cariris” e envolveu várias etnias indígenas, no interior das capitanias do Nordeste.  As disputas se desenvolveram em três fases: a primeira foi iniciada na região do Assú, na capitania do Rio Grande; a segunda se concentrou na Paraíba; e a terceira teve como cenário central o Ceará. Os combates se generalizaram por todo o território, entre 1683 e 1713.
Durante a década de 1670, com a distribuição de sesmarias nas ribeiras dos rios Acauã, Seridó, Açu, Apodi e Mossoró, já começavam os primeiros conflitos, que eram resolvidos através de "acordos" entre os índios e os vaqueiros. A situação não mudou e os vaqueiros continuaram avançando sobre as terras indígenas. Em 1685, o povo de Janduí se revoltou e avançou contra os criadores. O Rio Grande pediu ajuda a Pernambuco e Paraíba, mas a situação não mudava.
Os índios avançaram rumo à Natal e, para se defenderem, os colonos construíram casas fortes e paliçadas. Em face dos pedidos de socorro, o governo-geral do Brasil, decidiu requisitar bandeirantes de São Paulo e de São Vicente. Os indígenas, além das armas europeias, adotaram o uso de cavalos e incendiavam fazendas, matavam o gado e os vaqueiros.
A resistência desses nativos foi um elemento surpresa e a presença dos bandeirantes, que foram eficientes no quilombo de Palmares, não conseguiu debelar a revolta. Ao contrário, o conflito dilatou-a para outras regiões, provocando a adesão das tribos dos anacés, jaguaribaras, acriús, canindés, jenipapos, tremembés e dos baiacus, que se mostraram muito violentos na defesa de seus direitos. Enquanto isso a guerra era alimentada pela ambição de uma parte dos colonos, que desejavam as terras que pertenciam aos nativos.
Quando Antônio de Albuquerque reassumiu o comando da guerra, seu objetivo era exterminar os guerreiros indígenas e escravizar mulheres e crianças.  Por outro lado, Bernardo Vieira, governando a capitania na época, habilidosamente atraiu os nativos para um acordo de paz. Essa pacificação terminou servindo muito bem para os colonos, pois o genocídio já havia sido iniciado e os colonos poderiam tomar posse das terras.
Os grupos nativos que se submeteram a essa pacificação tiveram o direito a uma légua quadrada de terra, devidamente demarcada para viver. As mulheres trabalhariam na agricultura, enquanto as crianças seriam educadas nos moldes cristãos e de acordo com os interesses dos dominadores.
Os portugueses fortificaram o efetivo militar, inclusive com a vinda de bandeirantes paulistas como Domingos Jorge Velho. Já as etnias indígenas tapuias do interior nordestino, como os janduís, paiacus, caripus, icós, caratiús e cariris, uniram-se em aliança e confrontaram os portugueses nas tentativas de dominar as terrras dos nativos. A aliança das tribos tapuias, denominada pelos portugueses como Confederação dos Cariris ou Confederação dos Bárbaros, foi derrotada somente em 1713.


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Movimentos Nativistas - 1666 - Conjuração do Nosso Pai

A Conjuração do Nosso Pai, também conhecida como a Revolta contra Mendonça Furtado foi um dos primeiros movimentos nativistas ocorrido no Brasil Colônia em 1666.
A Capitania de Pernambuco lutava para reconstruir suas duas principais cidades: Olinda e Recife, após a invasão holandesa.
Os senhores de engenho, que eram radicados em Olinda e com reservas quanto ao porto de Recife, achavam que deveriam receber maiores reconhecimentos da Coroa Portuguesa, já que os mesmos contribuíram para a expulsão dos flamengos.
Portugal, entretanto mandou para governar a capitania, Jerônimo de Mendonça Furtado, um estrangeiro, contrariando os interesses de muitos pernambucanos, que se achavam no direito de ocupar a função, pois moravam ali.
Os motivos da revolta foram: a nomeação de Mendonça e a inabilidade dos pernambucanos nos tratos com os chefes locais. O auge do movimento aconteceu quando uma esquadra francesa aportou no porto de Recife, e por ordem da Corte foram bem tratados. Os insurgentes fizeram divulgar a noticia de que o Governador estaria a serviço dos estrangeiros, que preparavam um ataque a província para roubar.
Reuniram-se os conjurados na casa do senhor de engenho João de Novalhaes y Urréa  com a finalidade de planejarem um golpe. Entre eles estavam: o juiz de Olinda, André de Barros Rego e os vereadores Lourenço Cavalcanti e João Ribeiro. Ficou combinado que teriam de simular um Nosso Pai.
Na religião católica, o Nosso Pai é um sacramento da Eucaristia ministrado aos enfermos que não podem sair de casa. Os golpistas sabiam que o Governador tinha como costume acompanhar a procissão se a encontrasse na rua.
Na tarde do dia 31 de agosto de 1666, o falso cortejo saiu ás ruas e Mendonça Furtado que o acompanhava foi desviado para uma igreja. Ao dela sair, André de Barros Rego deu voz de prisão ao Governador, que foi levado prisioneiro á fortaleza de Brun. Os franceses albergados foram perseguidos e muitos foram presos.
Mendonça foi levado por uma frota que, da Bahia, levou-o de volta á Lisboa, onde mais tarde envolveu-se em uma conspiração contra Afonso VI de Portugal. Foi degredado para a Ìndia.
O Vice-Rei nomeou outro Governador para substituir Mendonça. André Vidal de Negreiros foi o escolhido para ocupar o cargo, pois tinha fortes ligações com a colônia e já havia exercido o cargo anteriormente. Com isso os ânimos da revolta foram apaziguados.


domingo, 9 de abril de 2017

Movimentos Nativistas - 1661 - Revolta da Cachaça

Para evitar concorrência do monopólio português de vinho e aguardente, em 1647 cria-se a Carta Régia que impedia a comercialização destes produtos fora do domínio português. Entretanto, o documento abria exceção à produção de cana-de-açúcar no estado do Pernambuco, onde o aguardente era comercializado pelos escravos.
Após a expulsão definitiva dos holandeses, em 1654, a produção açucareira teve uma brusca queda. Os fazendeiros, então, decidiram explorar a cana produzida no Nordeste, o que contrariava os interesses dos portugueses em obrigar a importação de uma bebida criada com os bagaços da uva (bagaceira). Em 1659, Portugal endossou a proibição da cana e ameaçou deportar e prender escravos e fazendeiros que não cumprissem suas exigências.
No Rio de Janeiro, o governador Salvador Correia de Sá permitiu a comercialização da cana, já que o estado era um dos maiores produtores de cachaça. Entretanto, decidiu cobrar imposto sobre a produção. Em 31 de janeiro de 1660, os vereadores aprovaram o projeto de lei, usando-a como alternativa econômica para a crise do açúcar que se instalara.
Porém, os fazendeiros continuavam insatisfeitos. Acharam que a Coroa queria obter uma grande margem de lucro com os tributos e organizaram um motim na região da Baía de Guanabara, onde hoje situam-se as cidades de Niterói e São Gonçalo.
Os revoltosos conseguiram posse de armamentos e invadiram as residências das autoridades locais. Eles exigiam o fim das taxas e a devolução dos impostos cobrados. Cerca de 110 senhores de engenho organizavam reuniões na fazenda de Jerônimo Barbalho Menezes de Bezerra e, no dia 8 de novembro de 1660, sob sua liderança, incitaram a população a se reunir na Câmara da Baía de Guanabara. Neste momento, o governador Salvador de Sá estava ausente devido a uma visita a São Paulo; em seu lugar, estava seu tio Tomé de Sousa Alvarenga.
Mesmo assim, não hesitaram em prender Alvarenga e deportá-lo para Portugal. Em seu lugar, exigiram que Agostinho Barbalho fosse governador. Sem acatar o pedido dos revoltosos, refugiou-se no Mosteiro de São Francisco, de onde foi arrancado à força.
Como governador, Barbalho mostrou-se favorável à família Sá e conseguiu o reconhecimento efetivo de seu cargo por Salvador de Sá. Indignados com as decisões dele, os revoltosos conduziram seu irmão Jerônimo Barbalho ao cargo de governador. Acatando a vontade dos revoltosos, Jerônimo exerceu um mandato autoritário, perseguindo os jesuítas que apoiavam a família Sá.
Em 6 de abril de 1661, o ex-governador Salvador de Sá articula uma investida com o apoio de tropas baianas, enfrentando os revoltosos sem resistência. Salvador de Sá ordena a prisão de todos eles e o enforcamento de Jerônimo Barbalho, expondo sua cabeça decapitada em praça pública.
A Coroa portuguesa repudia o ato violento de Sá e manda soltar todos os presos revoltosos. Em 1661, finalmente, a regente Luísa Gusmão considera legal a produção da cachaça no Brasil e legitima o episódio conhecido como Revolta da Cachaça.

sábado, 8 de abril de 2017

Revoltas do Brasil - 1645 - Insurreição Pernambucana

Revolta da população nordestina (a partir de 1645) contra o domínio holandês. Sob iniciativa dos senhores de engenho, os colonos foram mobilizados para lutarem. As batalhas das Tabocas e de Guararapes enfraqueceram o poderio dos invasores europeus. Até que, na batalha de Campina de Taborda, em 1654, os holandeses foram derrotados e expulsos do País.
Batalha de Guararapes, obra do pintor
brasileiro Victor Meirelles de Lima (1879)
A Insurreição Pernambucana ocorreu no contexto da ocupação holandesa na região Nordeste do Brasil, em meados do século XVII. Ela representou uma ação de confronto com os holandeses por parte dos portugueses, comandados principalmente por João Fernandes Vieira, um próspero senhor de engenho de Pernambuco. Nessa luta contra os holandeses, os portugueses contaram com o importante auxílio de alguns africanos libertos e também de índios potiguares.
A oposição dos portugueses aos holandeses ocorreu em decorrência da intensificação da cobrança de impostos e também da cobrança dos empréstimos realizados pelos senhores de engenho de origem portuguesa com os banqueiros holandeses e com a Companhia das Índias Ocidentais, empresa que administrava as possessões holandesas fora da Europa.
Outro fato que acirrou a rivalidade entre portugueses e holandeses foi a questão religiosa. Boa parte dos holandeses que estava na região de Recife e Olinda era formada por judeus ou protestantes. Nesse contexto religioso que trazia as consequências da Reforma e da Contrarreforma para solo americano, o catolicismo professado pelos portugueses era mais um elemento de estímulo para expulsar os holandeses do local.
Os conflitos iniciaram-se em maio de 1645, após o regresso de Maurício de Nassau à Holanda. As tropas comandadas por João Fernandes Vieira receberam o apoio de Antônio Felipe Camarão, índio potiguar conhecido como Poti que auxiliou no combate aos holandeses junto a centenas de índios sob seu comando. Outro auxílio recebido veio do africano liberto Henrique Dias. A Batalha do Monte Tabocas foi o principal enfrentamento ocorrido nesse início da Insurreição. Os portugueses conseguiram infligir uma retumbante derrota aos holandeses, garantindo uma elevação da moral para a continuidade dos conflitos. Além disso, os insurrectos receberam apoio de tropas vindas principalmente da Bahia.
Outro componente envolvido na Insurreição Pernambucana estava ligado às disputas que havia entre vários países europeus à época. Durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), os espanhóis estavam em confronto com os holandeses pelos territórios dos Países Baixos. Era ainda o período da União Ibérica, em que o Reino Português estava subjugado ao Reino Espanhol.
Nesse sentido, a posição holandesa em relação a Portugal era dúbia.  Em solo europeu, os holandeses apoiavam os portugueses contra o domínio espanhol, mas, ao mesmo tempo, ocupavam territórios portugueses na África Ocidental e no Brasil, sendo que além da região pernambucana, os holandeses tentaram ainda conquistar algumas localidades no Maranhão e em Sergipe.
No início de 1648, Holanda e Espanha selaram a paz, e os espanhóis aceitaram entregar aos holandeses as terras tomadas pelos insurrectos portugueses em Pernambuco. Frente a tal situação, o conflito continuou. Em Abril de 1648, ocorreu a primeira Batalha dos Guararapes, em que os holandeses sofreram dura derrota, abrindo caminho para o ressurgimento do domínio português a partir de 1654.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Movimentos Nativistas - 1641 - Aclamação de Amador Bueno da Ribeira

Foi um protesto contra o fim do comércio com a região do Rio da Prata, provocado pela Restauração Portuguesa, bem como, contra repressão à escravidão indígena. A população aclamou o comerciante Amador Bueno da Ribeira como Rei da Vila de São Paulo, que se recusou a participar do movimento. Dias depois, as autoridades pacificaram a população.
Aclamação de Amador Bueno como Rei de São Paulo.
No período da colonização, devido ao tamanho território brasileiro, os portugueses não tinham domínio absoluto em diversas regiões do país. Neste contexto, a União Ibérica (união das dinastias de Portugal e de Espanha pós Guerra da Sucessão Portuguesa) obteve o controle de grande parte do território brasileiro favorecendo os espanhóis. Porém, no ano de 1640, ocorre o fim da União Ibérica e os portugueses exigem novamente o controle total da colônia.
Os paulistas, que na época mantinham relações comerciais com os espanhóis no que se refere à escravização indígena e contrabando na área do Rio da Prata, ficaram apreensivos com possíveis medidas da corte portuguesa que viessem a interromper estas atividades. Naquela época, os portugueses lucravam mais com os navios negreiros africanos do que com a escravização de índios. Após a dominação completa da Coroa de Portugal, o povo de São Paulo deveria recrutar apenas os negros para o trabalho escravo. Porém, isso iria aumentar as despesas dos paulistas, que não tinham envolvimento com o tráfico que ocorria ao longo do litoral.
Percebendo que tal medida não iria favorecer o comércio, os paulistas iniciaram uma rebelião e optaram pela formação de um Estado independente da coroa portuguesa no intuito de manter as relações com os espanhóis. Como líder do levante, o povo escolheu Amador Bueno da Ribeira, homem de posses e envolvido com os bandeirantes da cidade. Então, Amador Bueno foi aclamado rei da província pelos moradores. Contrários à escravização dos índios, os jesuítas entraram em conflito com os paulistas e foram expulsos da Vila de São Paulo.
Sabendo que uma insurreição contra a Coroa de Portugal prejudicaria ainda mais o desenvolvimento comercial da Vila de São Paulo e causaria uma violenta represália organizada por D. João IV, Amador Bueno recusou-se a aceitar a liderança da região para torná-la autônoma e acabou sofrendo uma perseguição por parte dos manifestantes.
Amador Bueno fugiu para o Mosteiro São Bento, onde se juntou aos jesuítas e jurou ser fiel ao rei D. João IV. Visto o forte poderio militar das tropas portuguesas e a recusa de Amador Bueno, o povo de São Paulo acabou por aceitar ser subordinado aos portugueses. Porém, apesar da inércia do levante, o movimento do povo de São Paulo foi lembrado um século depois com a declaração de D. Pedro I, que tornou o Brasil independente.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Revoltas no Brasil - 1612 - França Equinocial

Em 1612, os franceses novamente tentaram invadir o Brasil, chegando pelo litoral nordestino e se fixando no atual estado do Maranhão, onde fundaram a cidade de São Luís e formaram uma nova colônia que ficaria conhecida como França Equinocial.
Os franceses conseguiram manter uma sociedade pacífica por cerca de um ano no Maranhão e pediram reforços de sua terra natal para conquistarem de vez o Nordeste brasileiro. Em outubro de 1614, os portugueses, que haviam dominado a região do Ceará, formaram o Forte de Santa Maria, em Guaxenduba, com o objetivo de expulsar de vez os franceses da região. Apesar de estarem em maior número, os franceses armaram uma investida, mas foram amplamente derrotados pelos colonos.
Para assegurar a partida definitiva dos invasores, os portugueses enviam centenas de combatentes para invadir os assentamentos franceses, em novembro de 1615. Sem forças para se defender, os franceses se rendem e desistem de conquistar o território brasileiro.

França Equinocial foi o nome dado ao projeto de colonização francesa da atual São Luís, capital do estado do Maranhão, no início do século XVII. Apesar da breve existência, a empreitada levou à fundação da cidade maranhense, única capital brasileira fundada por outro povo europeu senão o português. Seu nome, aliás, é uma homenagem a Luís IX, rei e santo de origem francesa.
O projeto da França Equinocial começa em 1611, numa associação entre comerciantes e nobres, que vislumbraram uma colônia no nordeste do Brasil, em um vasto território ainda não ocupado pelos portugueses. Com a aprovação do rei Luís XIII, foi organizada uma expedição, comandada por Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardière, que já andara pelo litoral da atual Guiana, em viagem de exploração em 1604.
As "vantagens" de colonização do Maranhão eram propagadas desde 1594, quando alguns náufragos franceses, liderados por Jacques Riffault, se estabeleceram na região. Outro francês, Charles des Vaux, aprisionado no Ceará, regressou à França e difundiu a ideia de que se criasse uma colônia francesa no litoral.
A trajetória da França Equinocial pode ser dividida em duas fases distintas. Na primeira, organizou-se o reconhecimento da área, sob supervisão de La Ravardière, com o apoio de Francisco de Rasilly, Senhor des Aumels, Nicolau de Harlay de Sancy, Barão de la Molle e de Gros-Bois. Essa inspeção ajudaria na construção de um forte e na manutenção de um convívio pacífico com os índígenas, para que a segunda fase, a ocupação com colonos, fosse implementada. A expedição era composta por três navios, cuja tripulação era basicamente de voluntários, muitos deles fidalgos e aventureiros, além de quatro padres capuchinhos, além de um português e alguns índios, que estavam em degredo na ilha de Fernando de Noronha.
Assim, a bandeira francesa foi hasteada pela primeira vez no Maranhão, em meio aos Tupinambás. La Ravardière regressou à França seis meses depois, pondo fim à primeira fase da França Equinocial.
No dia 19 de março de 1612 zarpara de Cancale, na Bretanha, uma frota composta por três navios: La Régente, comandado por La Ravardière, auxiliado por Rasilly; Charlotte, com o Barão de Sancy e a nau Sante-Anne, com o irmão de Rasilly. Dois meses depois era construído o forte São Luís, núcleo inicial da futura cidade.
Os primeiros momentos da colônia foram de tranquilidade. Logo, porém, Portugal e Espanha procuraram reagir ante a ameaça de perderam parte de sua colônia. Uma expedição comandada por Jerônimo de Albuquerque, com centenas de portugueses, brasileiros e indígenas foi enviada para retomar a área.
As lutas, porém, não resultaram em vitória clara para qualquer dos lados. No dia 3 de novembro de 1615, La Ravardière, vendo que não havia possibilidade de encontrar uma maneira diplomática para resolver o assunto, e sabendo de sua inferioridade em homens e material bélico, rende-se ao chefe português. Era o fim do segundo projeto de colonização francesa no Brasil.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Revoltas do Brasil - 1586 - Guerra dos Potiguares

A Guerra dos Potiguares aconteceu entre 1586 e 1599, mas os conflitos tiveram início tão logo foi criado o regime de capitanias hereditárias, em 1535, quando os portugueses começaram a implementar uma política de ocupação de terra.
A dança dos Tapuias (168x294cm) a maior e mais famosa obra de Eckhout
retrata um ritual dos índios Tarairius, nativos das terras
da Paraíba e do Rio Grande do Norte.
Foi um fracasso a primeira expedição, ocorrida em 1536, para ocupar duas capitanias onde hoje estão Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Maranhão.
Eram 10 navios conduzindo 900 soldados, que partiram de Pernambuco para fundar uma colônia na foz do Rio Grande, hoje Natal. Lá chegando, foram expulsos pelos índios potiguares com dezenas de baixas.
Era forte a reação dos potiguares à presença branca, mesmo depois que os portugueses conseguiram criar um arraial no Rio Grande, provavelmente em 1582.
A partir do povoado, os soldados passaram a realizar expedições contra as aldeias e somente numa delas foram mortos e cativos mais de 1.500 índios.
Por seu lado, os potiguares promoviam freqüentes ataques ao arraial, muitas vezes com cerco que duravam várias dias.
Os jesuítas, que já faziam trabalho de catequese na região, insistiam para que as duas partes negociassem um tratado de paz.
Essa oportunidade aconteceu com a prisão do líder Ilha Grande. Ele concordou em procurar outros chefes potiguares do Rio Grande, que foram até a fortaleza e fizeram as pazes.
Em julho de 1599 foi a vez de celebrar as pazes com os índios potiguares que viviam no interior, possibilitando a fundação da cidade do Rio Grande em dezembro do mesmo ano.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Revoltas do Brasil - 1562 - Confederação dos Tamoios

A primeira rebelião de que se tem notícia foi uma revolta de uma coligação de tribos indígenas - com o apoio dos franceses que haviam fundado a França Antártica - contra os portugueses. O movimento foi pacificado pelos padres jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta.
Confederação dos Tamoios - Os dois lados comemoraram
o tratado, porém a paz durou pouco: os índios foram traídos.
Os tupinambás ocupavam a região litoral norte paulista, onde hoje fica situada a cidade de Bertioga, passando pelo litoral fluminense até a cidade do Cabo Frio.
Os portugueses procuravam alguma maneira de se infiltrar nas aldeias indígenas, participando de suas decisões através do ato conhecido como cunhadismo. Ou seja, os portugueses se casavam com as índias e, automaticamente, faziam parte da tribo.
Aproveitando dessa prática, João Ramalho, parceiro do governador da Capitania de São Vicente, Brás Cubas, casou-se com uma filha da tribo dos guaianases. Através dessa parceria, eles comandaram um ataque à aldeia dos tupinambás, na tentativa de aprisioná-los e usá-los como mão-de-obra escrava. Eles capturaram o chefe da tribo, Caiçuru, e o mantiveram em um cativeiro no território do governador Brás Cubas.
Preso em péssimas condições de sobrevivência, o tupinambá Caiçuru acabou morrendo no cativeiro. Seu filho, Aimberê, assumiu o comando da tribo e declarou guerra aos colonos portugueses e à tribo dos guaianases. Para fortalecer o levante, ele se reuniu com os membros tupinambás Pindobuçu, da Baía de Guanabara, Koakira, da aldeia de Ubatuba, e Cunhambembe, de Angra dos Reis.
Cunhambembe assumiu a liderança da Confederação dos Tamoios (que vem do tupi Tamuya, que quer dizer "o mais antigo") e conseguiu o apoio das tribos goitacases e aimorés. Neste momento, os franceses estavam chegando no Rio de Janeiro, na intenção de colonizar territórios brasileiros e extrair suas tão faladas riquezas.
Para patrocinar o conflito contra os portugueses, o francês Villegaignon ajuda os tupinambás oferecendo armamentos a Cunhambembe. Porém, uma epidemia dizimou alguns indígenas combatentes, inclusive o líder Cunhambembe, enfraquecendo enormemente o levante.
Aimberê continuou a revolta contra os portugueses e fez o possível para que os guaianases lutassem a seu favor. Ele fez contato com o líder Tibiriçá, através do sobrinho Jagoanharó, e marcou um encontro para selar a Confederação. Quando os tamoios chegaram na aldeia, Tibiriçá se declarou fiel aos portugueses e matou seu sobrinho, suscitando em uma investida que dizimou grande parte da tribo dos guaianases.
Apesar de algumas tréguas, os portugueses se fortaleceram e continuaram a invasão às aldeias para escravizar e aprisionar os índios.
Um breve período de paz aconteceu após a “assinatura” do tratado. Tudo que é bom dura pouco e um ano depois das negociações os portugueses romperam o acordo, voltando a sujeitar os índios capturados a trabalhos escravos, com isto a guerra começou onde tinha acabado um ano antes, em Iperoig. Lá houve a invasão das duas aldeias de Coaquira, que foi morto. Depois destruíram as de Araraí.
Os portugueses não só escravizavam para os engenhos, mas também para as expedições de ouro.
Anchieta por determinação da Coroa muda seus interesses, e inflama o governador geral do Brasil, Men de Sá na sua empreitada de retomar seus interesses patrimoniais. O governador cria o Comando das Operações de Extermínio dos Confederados, de forma a liquidar o poder que os índios haviam conquistados de forma diplomática.
No dia 8 de janeiro de 1567, com o reforço de três galeões vindos de Portugal e dois navios de guerra bem armados, Men de Sá dá inicio a chacina. A matança foi encerrada no dia 20 de janeiro do mesmo ano, dando por fim a cruzada contra os índios. Ao que se sabe, os Tamoio nunca cederam à quebra do tratado, mantiveram-se fiéis ao que tinha sido acordado com os “pêros” e aos “mairs” - franceses que mantinham um melhor relacionamento com os índios do litoral.
Men de Sá, que solicitou a intervenção de um tratado, agora massacrou os índios que a muito tempo foram considerados os “Filhos da Terra”, que eram homens destemidos, indomáveis na guerra, mas de palavra, sensíveis às negociações, compreensivos no trato dos acordos.
O massacre é pouco divulgado, mas quem procura saber da história descobre a traição dos “pêros”. O Tratado de Paz passou a figurar na História do Brasil como a “Paz de Iperoig”, o primeiro tratado de Paz das Américas e o primeiro trabalho de acordo concluídos em terras americanas, que assim pode ser entendida na iniciativa de seu destino histórico: marco inicial da generosa política brasileira de resolver pendências através de tratados, na mesa, no caso especifico - na Óca das conferências.
Em 1567, a chegada de Estácio de Sá ao território do Rio de Janeiro provocou a expulsão dos franceses e dos tamoios, encerrando o conflito. Após este episódio, os portugueses chegaram a conclusão de que era praticamente impossível escravizar indígenas e decidiram importar escravos de navios negreiros africanos.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Revoltas do Brasil - 1555 - Guerra dos Aimorés

A Guerra dos Aimorés foi um conflito entre colonizadores e ameríndios que ocorreu entre os anos de 1555 e 1673 nos territórios atuais da Bahia e do Espírito Santo. 
Foi resultado de conflitos iniciais de tentativa de escravização das populações indígenas e das entradas e bandeiras para extração e ocupação. Fernão de Sá, comandando bandeira no território capixaba, lutava contra os aimorés, cujos hábitos nômades os espalhavam desde as bacias dos rios Jaguaripe e Paraguaçu aos atuais municípios de Ilhéus e Porto Seguro. 
A Batalha do Cricaré foi a primeira de uma série de batalhas entre portugueses e índios brasileiros da região da Capitania do Espírito Santo que, posteriormente, ficou conhecida como Guerra dos Aimorés. Ocorreu na confluência dos rios São Mateus e Mariricu, nas proximidades do então povoado do Cricaré, atualmente município de São Mateus. O combate foi travado no ano de 1557 e tinha por objetivo livrar Vasco Fernandes Coutinho, donatário da Capitania do Espírito Santo, e seus homens, do risco de ataque dos nativos.
Chegada Portugueses - Prainha, em Vila Velha.
Seis embarcações e aproximadamente duzentos homens saíram de Porto Seguro rumo ao Povoado do Cricaré e combateram os índios que se defendiam em três fortificações. Após terem destruído duas fortificações, o ataque português perdeu força e tiveram que bater em retirada. A batalha culminou com a morte do principal comandante da batalha, Fernão de Sá, filho do então Governador Geral do Brasil, Mem de Sá.
Os aimorés venceram e as feitorias do bandeirantes foram destruídas por volta de 1558.

domingo, 2 de abril de 2017

Revoltas no Brasil - 1555 - França Antártica

A França Antártica foi uma colônia criada pelos franceses, no Rio de Janeiro. Ela existiu de 1555 a 1560, quando o restante dos franceses foram derrotados pelos portugueses.
Em 1554, um francês chamado Nicolas Durand de Villegagnon visitou secretamente a região costeira do Brasil, em Cabo Frio, onde geralmente outros franceses, seus companheiros, praticavam o escambo. Obteve informações com os índios Tamoios a respeito dos portugueses. O seu objetivo era preparar uma futura expedição com o intuito de estabelecer lá uma colônia francesa. O local seria a baía de Guanabara, e o projeto era torná-la uma grande base militar e naval para que a França pudesse estabelecer o controle do comércio com as índias. Nesta visita, estabeleceu boas relações com os índios Tamoios e os Tupinambás, e acabou recolhendo uma boa carga que lhe foi fonte de lucro ao chegar na França. Ao chegar lá, convenceu o Rei a criar uma colônia francesa na costa do Brasil.
No mesmo ano o Rei ordenou a Gaspar de Colighy que organizasse uma expedição secreta ao Brasil, a qual seria comandada por Villegagnon. Este percorreu as prisões do norte da França em busca de tripulantes para ajudá-lo, em troca da liberdade.
Deste modo, em novembro de 1555 uma expedição comandada por Villegagnon chegou à Baía de Guanabara e implantou uma colônia francesa, a França Antártica. Os franceses acabaram por construir um forte na Baía de Guanabara, região ainda não colonizada pelos portugueses, que ficou conhecido como Forte Coligny. O objetivo do forte era garantir a exploração do pau-Brasil, que tinha alto valor no mercado europeu.
Um outro objetivo da colônia era obter território para moradia de protestantes franceses, que estavam sendo perseguidos, por motivos religiosos, na França. Villegagnon escreveu, pois, a João Calvino solicitando o envio de colonos protestantes, o qual atendeu prontamente ao pedido, enviando um grupo liderado por dois pastores: Pierre Richier e Guillaume Chartier. Este grupo chegou à Baía de Guanabara em Março de 1557. Porém, Villegagnon acabou entrando em conflito com os calvinistas sobre uma série de questões teológicas e aos poucos foi-lhes proibindo o culto e as reuniões de oração, acabando por expulsá-los da colônia.
A reação da coroa portuguesa aconteceu em 1559, quando o Governador Geral do Brasil, Mem de Sá, recebeu ordens da coroa portuguesa para que expulsasse os franceses do local. Os portugueses chegaram à Baía de Guanabara  e Men de Sá mandou um ultimato aos franceses, o qual não foi atendido, e foi o motivo utilizado para que os portugueses invadisses e dominassem o Forte Coligny. Muitos franceses conseguiram fugir entrando nas matas, e continuaram o comércio com os nativos.
Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, foi à corte levar notícias da destruição do Forte Coligny, e recebeu da regente D. Catarina da Áustria a missão de fundar uma cidade na região, para ocupar oficialmente o território. Estácio de Sá foi intitulado Capitão-mor e recebeu ordens da coroa de expulsar definitivamente os franceses da região.
No dia 1º de março de 1565, após algumas batalhas contra os franceses, Estácio de Sá desembarca na praia, entre o morro do Pão-de-Açúcar e o morro Cara de Cão, iniciando a construção da atual Fortaleza de São João, e fundando a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.